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São 7.350 toneladas por dia no Brasil: 10 fornos alimentam uma cadeia com 600 processadoras, 30 mil trabalhadores e vidro temperado até cinco vezes mais resistente feito a partir de vidro fundido a cerca de 1.600 °C
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/10/2026 às 18:42
Atualizado em 13/10/2026 às 18:45
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A produção começa em grandes fornos de vidro float e continua nas processadoras, onde as chapas recebem tratamentos que alteram resistência, comportamento na quebra e desempenho térmico ou acústico antes de chegar à construção, aos veículos, móveis e eletrodomésticos.
A cadeia brasileira de vidro plano começa em dez fornos de vidro float com capacidade nominal conjunta de 7.350 toneladas por dia e continua em cerca de 600 empresas que cortam, tratam e transformam as chapas para diferentes usos.
A Associação Brasileira de Distribuidores e Processadores de Vidros Planos (Abravidro) informa que essas processadoras empregam mais de 30 mil pessoas e atendem mercados como construção civil, indústria automotiva, móveis, eletrodomésticos e decoração.
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A capacidade diária dos fornos representa o potencial instalado da produção de base, não a quantidade necessariamente fabricada ou comercializada a cada dia. Depois dessa etapa, as chapas ainda passam por processos que alteram resistência, comportamento na quebra, acabamento e desempenho térmico ou acústico.
Por isso, os números da cadeia medem etapas diferentes: as 7.350 toneladas por dia se referem à capacidade dos fornos de base, enquanto as cerca de 600 empresas e os mais de 30 mil empregos descrevem o elo de transformação das chapas.
Do forno às chapas de vidro float
A fabricação do vidro float começa com matérias-primas como sílica, sódio, potássio, alumina, magnésio e cálcio. A mistura é levada ao forno de fusão, que opera a aproximadamente 1.600 °C para formar a massa vítrea usada na produção das chapas.
Essa temperatura pertence à fusão das matérias-primas e não à têmpera, realizada posteriormente nas processadoras. Depois de fundido, o material passa pelo processo float e pelo recozimento, um resfriamento controlado destinado a reduzir tensões internas antes do corte e do beneficiamento.
No processo float, a massa de vidro é transformada em chapas planas antes do resfriamento gradual. A partir daí, o material pode seguir para corte ou receber outros tratamentos, dependendo das características exigidas na aplicação final.
Entre as etapas realizadas pelas processadoras estão têmpera, laminação, curvatura, serigrafia e montagem de unidades de vidro insulado. Esses procedimentos partem da chapa de vidro plano e produzem materiais destinados a funções diferentes.
Têmpera e laminação atendem a funções distintas
Na têmpera, o vidro já formado é submetido a aquecimento e resfriamento controlados para alterar suas propriedades mecânicas. A Abravidro informa que o material temperado pode ser até cinco vezes mais resistente que o vidro comum de espessura equivalente.
A diferença também aparece quando ocorre uma ruptura. O temperado tende a se fragmentar em pedaços menores, em vez de formar grandes lâminas cortantes, característica associada ao uso em boxes de banheiro, tampos de mesa, fogões e janelas laterais de automóveis.
Esse comportamento distingue resistência e forma de quebra como características próprias do vidro temperado. O tratamento modifica a resposta da chapa ao esforço e também a maneira como o material se fragmenta quando ocorre a ruptura.
A laminação atende a outra finalidade. Duas ou mais lâminas são unidas por uma camada intermediária, como PVB ou resina, sob calor e pressão, formando uma estrutura capaz de manter os fragmentos presos ao material intermediário quando ocorre uma quebra.
Por essa característica, o vidro laminado aparece em para-brisas, guarda-corpos, pisos e claraboias. Nesses usos, a camada intermediária ajuda a reter os pedaços da chapa rompida e evita que a abertura fique imediatamente livre após a quebra.
A diferença entre os dois processos está na característica obtida. A têmpera eleva a resistência e modifica a fragmentação, enquanto a laminação incorpora uma camada intermediária que mantém os fragmentos unidos depois que uma das lâminas se rompe.
Câmara entre chapas reduz trocas de calor e som
O vidro insulado segue outro princípio. Duas ou mais lâminas ficam separadas por uma câmara hermeticamente vedada, preenchida com ar ou gases como argônio, configuração destinada a reduzir a transferência de calor e som entre os dois lados do conjunto.
Nesse caso, o desempenho está ligado à montagem do conjunto com espaço selado entre as lâminas. A solução acrescenta isolamento térmico e acústico à função de fechamento desempenhada pelo vidro.
A variedade de processos ajuda a explicar a divisão da cadeia entre a fabricação de base e o beneficiamento. Os dez fornos concentram a produção inicial, enquanto cerca de 600 processadoras distribuem pelo país as etapas que adaptam as chapas às diferentes aplicações.
Os mais de 30 mil trabalhadores informados pela associação estão ligados a esse segmento de processamento. É nessa parte da cadeia que as chapas recebem cortes, tratamentos térmicos, camadas intermediárias, curvaturas, serigrafia ou montagem em unidades insuladas antes do uso final.
Em 2024, a produção brasileira de vidro insulado alcançou 556.382 metros quadrados, então o maior volume da série histórica acompanhada pela Abravidro desde 2009, conforme dados publicados pela entidade sobre o desempenho do setor.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

