Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

São Paulo investe R$ 120 milhões para reformar 100 mil m² de calçadões no Centro, mas obras atrasam, comerciantes relatam prejuízos e entrega fica para 2027

São Paulo investe R$ 120 milhões para reformar 100 mil m² de calçadões no Centro, mas obras atrasam, comerciantes relatam prejuízos e entrega fica para 2027

Faça um comentário

6 min de leitura

São Paulo investe R$ 120 milhões para reformar 100 mil m² de calçadões no Centro, mas obras atrasam, comerciantes relatam prejuízos e entrega fica para 2027

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 08/10/2026 às 14:31

Atualizado em 08/10/2026 às 14:35

Construção

Canal

Reforma de 35 ruas do Centro histórico deveria ter sido entregue em maio de 2026, mas dificuldades nas escavações e autorizações ampliaram o prazo enquanto comerciantes enfrentam ruas bloqueadas e perda de clientes

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Reforma de 35 ruas do Centro histórico deveria ter sido entregue em maio de 2026, mas dificuldades nas escavações e autorizações ampliaram o prazo enquanto comerciantes enfrentam ruas bloqueadas e perda de clientes

Uma reforma de aproximadamente R$ 120 milhões, destinada à recuperação de 100 mil metros quadrados de calçadões no Centro de São Paulo, teve sua conclusão adiada para janeiro de 2027. A intervenção, que deveria ter sido entregue em maio de 2026, envolve 35 ruas históricas da capital paulista e vem provocando reclamações de comerciantes que relatam perda de clientes, dificuldades de acesso e prejuízos financeiros.

O problema ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, estabelecimentos comerciais estão convivendo com escavações, máquinas pesadas e corredores estreitos para pedestres. A Prefeitura afirma que a complexidade das intervenções subterrâneas e as autorizações necessárias para trabalhar em áreas históricas exigiram mudanças no cronograma.

Calçadões passam por reforma milionária que envolve 35 ruas e quase 100 mil metros quadrados

O projeto de requalificação urbana pretende substituir pavimentos deteriorados, melhorar a acessibilidade e modernizar a infraestrutura de uma das regiões comerciais mais movimentadas do país.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

As intervenções estão distribuídas entre o Triângulo Histórico e a região da República, incluindo ruas como São Bento, Direita, José Bonifácio, Barão de Itapetininga, Dom José de Barros e Sete de Abril.

Um documento oficial da Prefeitura de São Paulo, divulgado em setembro de 2025, apresenta investimentos de R$ 89,5 milhões para 62,3 mil m² no Triângulo Histórico e R$ 36,6 milhões para aproximadamente 37 mil m² na República.

Os valores apresentados naquele documento somam R$ 126,1 milhões, enquanto o investimento informado na reportagem mais recente é de aproximadamente R$ 120 milhões. Os números se referem ao orçamento anunciado para a requalificação, não necessariamente ao montante já desembolsado.

Comerciantes relatam queda no movimento e ruas praticamente tomadas pelas escavações

Trabalhadores circulam por trecho de calçadão com pavimento removido e pedras espalhadas durante as obras de requalificação do Centro de São Paulo, que provocam dificuldades de acesso e reclamações de comerciantes. Foto: Prefeitura de São Paulo / Divulgação.

Na rua Dom José de Barros, conhecida pela concentração de bares e estabelecimentos comerciais, as obras transformaram a circulação de pedestres.

Escavações abertas no calçadão reduziram o espaço disponível para os consumidores. Mesas que anteriormente ocupavam a área externa dos estabelecimentos precisaram ser retiradas, enquanto clientes passaram a enfrentar passagens estreitas e trechos com lama.

À Folha, Alexandre Mendes, proprietário de uma lanchonete na região há 38 anos, relatou que o movimento diminuiu e que praticamente apenas os clientes mais fiéis continuam frequentando o estabelecimento.

O comerciante também afirmou que os responsáveis pelos negócios não receberam informações suficientes sobre a duração das intervenções naquele trecho, dificultando o planejamento das atividades.

Reclamações começaram em 2025, quando comerciante afirmou ter perdido 60% do faturamento

Os problemas enfrentados pelos estabelecimentos não começaram agora.

Em setembro de 2025, uma reportagem do Metrópoles sobre as obras na região da República já registrava reclamações de empresários afetados pelas intervenções na rua Dom José de Barros.

Na ocasião, um comerciante afirmou ter registrado queda de 60% no faturamento, enquanto outro relatou que a quantidade de almoços vendidos havia diminuído de aproximadamente 50 para 25 por dia.

Os percentuais representam situações individuais relatadas pelos entrevistados, e não um levantamento geral sobre todos os negócios afetados.

A reportagem também encontrou trechos com canteiros instalados, mas sem trabalhadores em atividade durante a visita. Na época, a Prefeitura relacionou a paralisação à necessidade de autorização para as escavações.

Prefeitura aponta dificuldades no subsolo e autorizações do Iphan para justificar atrasos

A administração municipal afirma que a execução do projeto exigiu cuidados adicionais por causa das características históricas da região e das instalações existentes abaixo do pavimento.

Entre os obstáculos mencionados estão redes de energia elétrica de média tensão, tubulações de gás e estruturas que precisam ser identificadas e protegidas durante as escavações.

Outro fator apresentado pela Prefeitura foi o tempo necessário para obter autorizações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela proteção do patrimônio cultural federal.

Em 2025, entretanto, o instituto informou ao Metrópoles que aguardava documentação complementar e contestou a existência de atraso nas análises sob sua responsabilidade.

As diferentes manifestações mostram que a tramitação das autorizações já era um ponto de discussão durante as etapas anteriores da obra.

Projeto prevê novas galerias subterrâneas, drenagem e iluminação para modernizar o Centro

A substituição do pavimento representa apenas uma parte do trabalho previsto.

O planejamento inclui a instalação de galerias técnicas destinadas à organização das redes de energia e telecomunicações, além de mudanças no sistema de drenagem para melhorar o escoamento da água da chuva.

Também estão previstos mobiliário urbano, áreas de descanso, paisagismo, sinalização turística e melhorias na iluminação pública.

Na região da República, a Prefeitura anunciou em julho de 2025 um investimento de R$ 36,6 milhões para requalificar aproximadamente 37,7 mil m² distribuídos por 12 vias.

Na apresentação daquele projeto, a administração estimou que as melhorias poderiam beneficiar a circulação de aproximadamente 2 milhões de pedestres que passam diariamente pela região central.

Substituição das pedras portuguesas provoca críticas de entidades de preservação histórica

A reforma também abriu uma discussão sobre a conservação da identidade arquitetônica do Centro de São Paulo.

Os mosaicos tradicionais de pedras portuguesas, caracterizados pelos desenhos em preto e branco, estão sendo substituídos gradualmente por blocos de concreto.

A Prefeitura sustenta que a nova pavimentação oferece melhores condições de acessibilidade para cadeirantes, idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

Entretanto, entidades como a Associação Preserva São Paulo questionam a retirada de elementos que fazem parte da paisagem histórica da cidade.

Segundo a SPUrbanismo, as pedras removidas estão sendo encaminhadas para britagem e poderão ser reaproveitadas em outras aplicações na construção civil.

Escavações revelaram 500 metros de antigos trilhos de bondes elétricos

Além dos desafios técnicos, as intervenções também revelaram estruturas preservadas sob o pavimento.

Em 2023, trabalhadores encontraram aproximadamente 500 metros de trilhos associados aos antigos bondes elétricos da Light, utilizados em São Paulo durante a primeira metade do século XX.

Os vestígios estão localizados no Triângulo Histórico, próximo às ruas XV de Novembro, Direita e São Bento.

Em agosto de 2026, a Prefeitura definiu o consórcio previsto para transformar parte desse patrimônio arqueológico em um museu a céu aberto, integrando os achados ao espaço urbano.

Com entrega prevista para janeiro de 2027, comerciantes ainda convivem com as intervenções

A nova previsão apresentada pela Prefeitura coloca a conclusão da requalificação em janeiro de 2027, aproximadamente oito meses depois da entrega anteriormente anunciada para maio de 2026.

A administração afirma que mantém contato com moradores e comerciantes e que os procedimentos adotados buscam garantir a segurança dos trabalhadores e da população durante as intervenções.

Para os estabelecimentos situados nas ruas afetadas, porém, o prolongamento das obras significa continuar enfrentando restrições de circulação, ruídos e dificuldades para receber consumidores.

Enquanto a Prefeitura trabalha para modernizar a infraestrutura de uma área histórica da capital paulista, comerciantes seguem relatando os efeitos econômicos de uma reforma que ultrapassou o prazo inicialmente anunciado.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

Sair da versão mobile