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São Paulo prepara R$ 29 bilhões contra enchentes e secas: duas barragens vão guardar 85 bilhões de litros e 181 medidas entram no plano de construção, mas nem todas as obras começaram

São Paulo prepara R$ 29 bilhões contra enchentes e secas: duas barragens vão guardar 85 bilhões de litros e 181 medidas entram no plano de construção, mas nem todas as obras começaram

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São Paulo prepara R$ 29 bilhões contra enchentes e secas: duas barragens vão guardar 85 bilhões de litros e 181 medidas entram no plano de construção, mas nem todas as obras começaram

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 21/10/2026 às 10:18

Atualizado em 21/10/2026 às 10:20

Construção

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São Paulo apresentou 181 medidas e um pacote de cerca de R$ 29 bilhões contra enchentes e secas. Duas barragens perto de Campinas vão guardar 85 bilhões de litros; o plano inclui obras em andamento e projetos futuros.

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São Paulo apresentou 181 medidas e um pacote de cerca de R$ 29 bilhões contra enchentes e secas. Duas barragens perto de Campinas vão guardar 85 bilhões de litros; o plano inclui obras em andamento e projetos futuros

R$ 29 bilhões, 181 medidas e duas barragens capazes de guardar 85 bilhões de litros de água. O governo de São Paulo apresentou, em 15 de outubro de 2026, uma estratégia para enfrentar enchentes, estiagens e outros eventos climáticos extremos. O total reúne obras de contenção de cheias, limpeza de rios, modernização da rede de água e ações de proteção para famílias em áreas de risco — parte já executada, parte em andamento e parte ainda no planejamento.

A apresentação ocorreu um dia depois de um temporal que inundou ruas e o túnel do Anhangabaú, na capital, e deixou uma pessoa morta em um deslizamento na Brasilândia. Carros e ônibus ficaram cercados pela água no centro da cidade. O novo conjunto de medidas, porém, também mira o problema oposto: a escassez de água nas torneiras durante a estiagem.

Duas barragens perto de Campinas poderão guardar o equivalente a 34 mil piscinas olímpicas

Entre as obras de maior escala estão as barragens de Pedreira, no rio Jaguari, e Duas Pontes, em Amparo, no rio Camanducaia. Juntas, as represas terão capacidade útil para cerca de 85 bilhões de litros. São 32 bilhões em Pedreira e 53 bilhões em Duas Pontes, segundo a Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas).

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Capacidade útil prevista: Duas Pontes, em Amparo, terá 53 bilhões de litros, e Pedreira, no rio Jaguari, 32 bilhões. As duas somam cerca de 85 bilhões de litros e buscam reforçar o abastecimento de 5,5 milhões de habitantes. Fonte: SP Águas.

O volume é equivalente ao de aproximadamente 34 mil piscinas olímpicas. A expectativa é aumentar a regularidade do fornecimento de água em uma região que concentra cidades grandes, fábricas e áreas agrícolas. Segundo a agência, as obras devem beneficiar direta ou indiretamente cerca de 5,5 milhões de moradores em 28 municípios das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.

As barragens não começaram agora. São empreendimentos iniciados em 2019 que passaram por interrupções e retomadas. Segundo os percentuais informados pela secretária estadual Natália Resende à Folha de S.Paulo em 15 de outubro, Duas Pontes alcançava 98% de execução e Pedreira, 80%. A água só poderá ser armazenada e distribuída na escala anunciada depois da conclusão das estruturas e das etapas de entrada em operação.

Operários e equipamentos na obra da Barragem de Pedreira durante registro institucional de março de 2025. Foto: Denny Cesare/Governo do Estado de São Paulo (Semil). Imagem de arquivo da barragem mencionada no plano.

R$ 1 bilhão para piscinões e R$ 1,7 bilhão para tirar o excesso de sedimentos dos rios

O combate às enchentes aparece em duas frentes diferentes. Uma delas são os piscinões e reservatórios de retenção, que acumulam temporariamente parte da água de uma chuva forte para evitar que todo o volume chegue de uma vez aos cursos d’água. A Secretaria de Meio Ambiente contabiliza mais de R$ 1 bilhão destinado a essa frente.

A segunda é remover areia, lama e sedimentos que se acumulam no leito dos rios, diminuindo o espaço disponível para o escoamento. O conjunto anunciado reserva cerca de R$ 1,7 bilhão para desassoreamento por meio dos programas IntegraTietê e Rios Vivos. No Jardim Pantanal, na zona leste da capital, o governo informou em setembro que já tinha retirado 371,9 mil metros cúbicos de sedimentos do rio Tietê.

Uma intervenção maior foi desenhada como parceria público-privada, com prazo de 15 anos e valor total de cerca de R$ 9,5 bilhões. O projeto estadual prevê manutenção contínua em 182,9 quilômetros do Tietê e 27,6 quilômetros do sistema do Pinheiros. Desse total, aproximadamente R$ 1,7 bilhão corresponde a investimentos, e R$ 7,76 bilhões, a despesas de operação ao longo do contrato. O edital e a contratação fazem parte de etapas futuras.

Quando a água falta, o plano mira as perdas na rede e o abastecimento de bairros inteiros

Nas cidades, a resposta à estiagem depende tanto de armazenar água quanto de não desperdiçar a que já está disponível. A Sabesp aparece na estratégia com R$ 9 bilhões em ações de modernização e redução de perdas até 2030. A melhoria da rede busca impedir que parte da água tratada se perca antes de chegar aos consumidores.

O estado também cita ampliações dos sistemas de tratamento de Rio Grande e Cotia, ligados ao abastecimento da Grande São Paulo. No litoral, o sistema Itatinga foi apresentado como reforço previsto para Bertioga e Guarujá. Cada intervenção tem seu próprio cronograma; os novos reservatórios de Campinas ainda precisarão das estruturas de operação e distribuição para produzir os benefícios esperados.

Escavadeira JCB em frente de movimentação de terra do desvio do rio Camanducaia, obra da barragem Duas Pontes em 2025

Do alerta no celular ao reassentamento: 181 medidas vão muito além do concreto

A operação São Paulo Sempre Alerta – El Niño 2026/2027 substitui a antiga Operação Chuvas e prevê monitoramento diário até o fim de 2027, inicialmente. A Defesa Civil organizará boletins regionais com previsão de três dias e quatro níveis de situação: verde, amarelo, laranja e vermelho.

Quando houver risco imediato, o estado poderá transmitir avisos diretamente à tela dos celulares pelo sistema Cell Broadcast. Também haverá mensagens por SMS para quem se cadastrar no número 40199. Uma estrutura de coordenação reunirá governo, concessionárias de água, energia e gás, policiais e bombeiros.

O detalhamento do plano estadual distribui as 181 medidas em cinco grupos: 49 para chuvas e riscos associados; 25 para disponibilidade de água; 36 para incêndios florestais; 13 para calor e baixa umidade; e 58 ações transversais. O governo também prevê R$ 2,76 bilhões para habitação, incluindo projetos de reassentamento de famílias que vivem em áreas de risco.

Distribuição das 181 medidas do plano paulista para o El Niño 2026–2027: 49 para chuvas intensas, 25 para disponibilidade de água, 36 para incêndios, 13 para calor e 58 ações transversais. Fonte: Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), 16/10/2026.

O anúncio de R$ 29 bilhões mistura obras em execução, projetos futuros e ações que começaram em 2023

O governo apresenta os R$ 29 bilhões como uma estratégia de investimento até 2029, formada por medidas já executadas, em andamento e previstas. A secretária Natália Resende disse à Folha que o planejamento climático estadual começou em 2023. O montante inclui programas existentes e futuros: as 181 medidas abrangem obras, monitoramento, saúde e respostas de emergência, não 181 canteiros de construção abertos agora.

Os próprios prazos mostram essa diferença. Os R$ 9,5 bilhões atribuídos à nova parceria de desassoreamento estão associados a um contrato previsto de 15 anos. O programa da Sabesp tem horizonte de 2030. As duas barragens começaram a ser construídas anos antes e continuam em fase de conclusão. O efeito prometido dependerá da execução dos contratos, da entrega das estruturas e da capacidade real de operação.

As obras estaduais poderão aliviar pontos críticos do abastecimento e do escoamento dos rios, mas sistemas locais de drenagem continuam sob responsabilidade de municípios. O alagamento do Anhangabaú, por exemplo, também exige soluções da Prefeitura de São Paulo. A primeira prova do plano virá nas entregas e no desempenho das estruturas quando a próxima chuva intensa ou estiagem atingir as cidades.

Na sua cidade, o problema mais urgente é enchente, falta d’água ou obra de drenagem que nunca termina? Conte qual ponto precisa de uma solução concreta.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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