Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Satélite brasileiro vai ao espaço nesta quinta com a SpaceX e qualquer pessoa poderá enviar um nome para ser guardado em órbita

Satélite brasileiro vai ao espaço nesta quinta com a SpaceX e qualquer pessoa poderá enviar um nome para ser guardado em órbita

Faça um comentário

6 min de leitura

Satélite brasileiro vai ao espaço nesta quinta com a SpaceX e qualquer pessoa poderá enviar um nome para ser guardado em órbita

Escrito por Ana Alice

Publicado em 30/09/2026 às 23:54

Ciência e Tecnologia

Canal

Assista o vídeo
Render mostra o Templo Orbital, satélite artístico brasileiro que será lançado pela SpaceX na missão Transporter-18. Crédito: RiseNY&Partners / Edson Pavoni

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Um projeto brasileiro que une arte, tecnologia e memória está prestes a entrar em órbita com apoio da SpaceX, enquanto uma operação em Minas Gerais manterá o satélite conectado à Terra por vários anos.

Um projeto brasileiro que une tecnologia espacial, arte e memória tem lançamento marcado para amanhã, quinta-feira (01). O satélite Templo Orbital seguirá para a órbita da Terra a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, na missão Transporter-18, com decolagem prevista da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, Estados Unidos. A janela começa às 15h18 no horário de Brasília.

Criado pelo artista e tecnologista brasileiro Edson Pavoni, o Templo Orbital tem uma função diferente da maioria dos equipamentos enviados ao espaço. Depois de entrar em operação, poderá receber por rádio nomes cadastrados gratuitamente por pessoas na Terra e armazená-los em sua memória enquanto permanecer em órbita.

A comunicação será feita a partir de Ouro Branco, em Minas Gerais, onde a startup UaiLabs, incubada no ambiente de inovação OuroHub do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), ficará responsável pela estação terrestre da missão.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A expectativa divulgada pelo instituto é que o equipamento opere por aproximadamente quatro anos, recebendo novos nomes durante esse período.

O lançamento faz parte de uma missão compartilhada da SpaceX. Segundo a empresa, a Transporter-18 transportará 130 cargas, entre CubeSats, microssatélites, cargas hospedadas e veículos de transferência orbital.

Caso as condições impeçam a decolagem nesta quinta-feira, há uma oportunidade reserva prevista para sexta-feira (02), no mesmo horário.

Templo Orbital funcionará como um memorial no espaço

A proposta do projeto é transformar um pequeno equipamento espacial em um memorial coletivo. Pela plataforma digital do Templo Orbital, qualquer pessoa pode cadastrar gratuitamente o nome de alguém que deseja homenagear.

No site do artista, a participação é apresentada principalmente como uma forma de enviar ao espaço o nome de uma pessoa que já morreu.

A iniciativa nasceu da pergunta “Quem pode entrar no céu?” e foi desenvolvida para discutir, por meio da arte, diferentes representações culturais e simbólicas associadas ao céu e à memória.

O processo físico, porém, depende de tecnologia de comunicação espacial.

Depois que o Templo Orbital estiver em órbita, os nomes cadastrados ficarão aguardando uma oportunidade de transmissão. Sempre que o equipamento passar sobre a área de cobertura da estação terrestre em Ouro Branco, os dados poderão ser enviados por rádio.

Segundo o IFMG, o procedimento será automatizado. Após receber as informações, o equipamento responderá à estação confirmando o armazenamento.

A previsão é que esse ciclo continue ao longo dos aproximadamente quatro anos estimados de operação orbital.

O projeto informa ainda que o satélite foi desenvolvido para armazenar um volume muito elevado de nomes. A página oficial da obra descreve capacidade para bilhões de registros, enquanto o IFMG afirma que não há um limite prático de nomes previsto durante o período da missão.

Assista o vídeo

Tecnologia mineira fará a comunicação entre a Terra e o satélite

Parte importante da operação será realizada no interior de Minas Gerais.

A UaiLabs ficará responsável pela estação terrestre oficial do Templo Orbital e acompanhará a comunicação com o equipamento a partir de seu centro de controle instalado no IFMG Campus Ouro Branco.

A participação da equipe começou antes mesmo da criação formal da startup.

João Pedro Polito, atual cofundador e CEO da UaiLabs, integra o projeto desde 2022 e participou do desenvolvimento de hardware, montagem, integração e testes do satélite ao lado de Edson Pavoni, Pedro Kaled e outros integrantes da equipe técnica.

O projeto já havia recebido reconhecimento antes de chegar à etapa de lançamento.

Em 2021, o Templo Orbital venceu a categoria ArtSat do Prêmio CubeDesign, competição promovida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

No ano seguinte, o trabalho apareceu na 13ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, além de exposições internacionais.

Para a missão de outubro, o equipamento foi integrado pela empresa UARX Space ao veículo OSSIE, que seguirá ao espaço dentro da Transporter-18.

Detalhe do Templo Orbital, pequeno satélite projetado para armazenar nomes transmitidos da Terra durante sua permanência no espaço. Crédito: Clara Marques / Edson Pavoni

SpaceX levará 130 cargas na missão Transporter-18

O Templo Orbital não viajará sozinho.

A Transporter-18 faz parte do programa de lançamentos compartilhados da SpaceX, modelo no qual diferentes empresas, universidades e organizações dividem um mesmo foguete para colocar pequenos equipamentos em órbita.

A empresa confirmou que o Falcon 9 deve decolar do Complexo de Lançamento Espacial 4E, em Vandenberg, às 11h18 no horário do Pacífico, equivalente às 15h18 em Brasília nesta quinta-feira (01).

Ao todo, estão previstas 130 cargas na missão.

Entre elas aparecem pequenos satélites e diferentes experimentos tecnológicos que serão colocados em órbita diretamente ou transportados por veículos responsáveis por liberações posteriores.

Depois da separação dos estágios, a SpaceX pretende recuperar novamente o primeiro estágio do Falcon 9 em uma zona de pouso na própria base de Vandenberg.

De acordo com a empresa, será o 25º voo desse propulsor, que já participou de outras missões governamentais e de lançamentos da rede Starlink.

Projeto brasileiro já enfrentou uma tentativa frustrada de chegar à órbita

O voo desta quinta-feira também representa uma nova oportunidade para o Templo Orbital depois de uma tentativa anterior que não conseguiu alcançar a órbita planejada.

Em 12 de janeiro de 2026, o projeto estava entre as cargas transportadas pelo foguete indiano PSLV-C62.

A missão sofreu uma anomalia durante o terceiro estágio, provocando um desvio de trajetória e impedindo que as cargas chegassem às órbitas previstas.

A falha foi confirmada pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial, a ISRO. A Agência Espacial Brasileira informou posteriormente que os satélites integrados ao lançamento foram perdidos, entre eles equipamentos desenvolvidos por equipes brasileiras.

Agora, pouco mais de oito meses depois, o projeto volta à plataforma de lançamento utilizando um Falcon 9 da SpaceX.

A nova tentativa ocorre em um momento no qual o programa Transporter se consolidou como uma alternativa para pequenas cargas.

Segundo a própria SpaceX, mais de 1.800 cargas já foram colocadas em órbita por meio de seu programa de lançamentos compartilhados.

Obra brasileira conecta arte e engenharia espacial

Embora funcione como um satélite, o Templo Orbital foi concebido desde o início como uma obra artística.

O projeto é dividido em três partes conectadas: o equipamento enviado ao espaço, uma estrutura instalada na Terra capaz de se comunicar com ele e a plataforma digital utilizada para cadastrar os nomes.

Pavoni apresenta a iniciativa como o primeiro satélite orbital artístico do Sul Global.

A proposta também inclui disponibilizar como código aberto tecnologias desenvolvidas para a missão, permitindo que projetos futuros utilizem parte desse conhecimento em experiências científicas ou artísticas.

Instalação do Templo Orbital apresentada na Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, antes de o projeto avançar para sua etapa de lançamento espacial. Crédito: Clara Marques / Edson Pavoni

A participação de uma empresa incubada no IFMG acrescenta outra dimensão ao projeto.

A UaiLabs trabalha com infraestrutura para o setor espacial, incluindo estações terrestres, rastreamento, telemetria e desenvolvimento de sistemas para satélites.

No Templo Orbital, caberá justamente à equipe em Minas Gerais manter a ponte entre o equipamento que estará sobre a Terra e as pessoas que continuarem cadastrando nomes ao longo da missão.

Se o lançamento ocorrer dentro da programação atual e o equipamento entrar em operação normalmente, a atividade do Templo Orbital continuará depois que o Falcon 9 deixar a plataforma na Califórnia.

A cada passagem adequada sobre a estação brasileira, novos registros poderão deixar os servidores em solo e seguir por ondas de rádio até a memória do equipamento em órbita.

Durante os cerca de quatro anos previstos de operação, essa comunicação deverá permitir que o memorial continue recebendo nomes enviados da Terra, transformando uma obra iniciada em galerias e exposições brasileiras em um projeto permanentemente conectado ao espaço.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

Sair da versão mobile