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Satélite do Google com 4 chips de IA entra em órbita e vai rodar o Gemma no espaço em sessões de 15 minutos

Satélite do Google com 4 chips de IA entra em órbita e vai rodar o Gemma no espaço em sessões de 15 minutos

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Satélite do Google com 4 chips de IA entra em órbita e vai rodar o Gemma no espaço em sessões de 15 minutos

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 06/10/2026 às 13:50

Ciência e Tecnologia

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Foto: Planet Labs/Divulgação

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Prefira o CPG no Google

O satélite do Google subiu em 1º de outubro num Falcon 9 da SpaceX, o mesmo foguete que levou dois satélites feitos por alunos de escolas públicas do Brasil. É o primeiro teste em órbita do plano de montar data center movido a luz do Sol.

O satélite do Google com quatro chips de inteligência artificial já está em órbita e respondendo. O protótipo do Project Suncatcher subiu na quinta-feira (1º) na missão Transporter-18 da SpaceX, e a empresa confirmou o contato no mesmo dia, em post assinado por Travis Beals, diretor do projeto. Segundo ele, a nave está “operando como esperado”.

O aparelho foi construído em parceria com a Planet, empresa de imagens de satélite. A pergunta que ele precisa responder é simples de escrever e difícil de provar: um chip feito para data center em terra aguenta o espaço?

O que o satélite do Google leva a bordo

O protótipo tem quatro TPU, as unidades de processamento tensorial que o Google desenha para aprendizado de máquina e já usa nos próprios data centers. Segundo a NPR, os chips vão rodar uma versão do Gemma, o modelo aberto da empresa, para responder perguntas simples. Cada sessão dura 15 minutos, por limite de calor.

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A NPR descreve o satélite do Google como do tamanho de uma geladeira. Ele fica numa órbita heliossíncrona, em que os painéis solares quase nunca entram na sombra. Isso dispensa baterias pesadas e energia de reserva. A meta é que a missão funcione por um ano.

O próprio Beals chamou o voo de “um teste muito mínimo”. Primeiro a Planet coloca a nave para funcionar. Depois o Google liga as TPU do satélite e mede como elas se comportam com radiação, vibração e calor.

Os números que o Google já mediu em terra

Antes de o satélite do Google subir, a equipe publicou os testes de bancada. Eles ajudam a entender o tamanho do desafio:

  1. Energia: na órbita certa, um painel solar rende até 8 vezes mais do que na superfície da Terra.
  2. Lançamento: a subida dura cerca de 10 minutos, com cargas de até 10 g. Componentes isolados, como as TPU, podem sentir de 50 a 100 g.
  3. Radiação: o chip Trillium (TPU v6e) foi testado num feixe de prótons de 67 MeV. A memória HBM só mostrou falhas depois de 2 krad(Si). A dose esperada em cinco anos de missão, com blindagem, é de 750 rad(Si).
  4. Dose máxima: nenhuma falha permanente apareceu até 15 krad(Si), o maior valor testado num único chip.
  5. Laser entre satélites: um demonstrador de bancada passou 800 Gbps em cada sentido, ou 1,6 Tbps no total, com um único par de transceptores.

A conta da radiação mostra a folga. Dividindo 2.000 rad por 750 rad, o primeiro sinal de falha veio com 2,7 vezes a dose de cinco anos. Já os 15 krad sem dano permanente equivalem a 20 vezes essa dose. Os dados estão no post técnico do Google Research, de novembro de 2025, e o trabalho agora saiu revisado por pares na revista Joule.

O problema do calor no vácuo

Em terra, data center se resfria com ar ou água. Em órbita não existe ar. No vácuo, o calor só sai por radiadores, e por isso as sessões do Gemma ficam limitadas a 15 minutos.

O protótipo passou por câmara de vácuo térmico, que imita o frio e o vácuo do espaço, antes do lançamento. Foto: Google/Divulgação

No satélite do Google, a saída testada é uma combinação de tubos de calor e radiadores. O conjunto passou por uma câmara de vácuo térmico, que imita o frio e o vácuo do espaço. Beals contou à NPR que os radiadores estão entre as peças mais pesadas do satélite do Google. Isso pesa no custo, porque cada quilo a mais encarece o lançamento.

Brandon Lucia, professor de engenharia da Universidade Carnegie Mellon, lembrou outro ponto à NPR. Quando um chip quebra em um data center comum, um técnico entra e troca. Em órbita, segundo ele, custo e complexidade de manutenção sobem 10 ou até 100 vezes.

Do protótipo à constelação de data center

O satélite do Google é só o começo. A empresa imagina grupos de satélites voando muito perto uns dos outros, ligados por laser, cada um com dezenas de TPU. No modelo publicado, um aglomerado de 81 satélites voa a 650 km de altitude, num raio de 1 km. A distância entre vizinhos oscila entre 100 e 200 metros.

A conta que decide o projeto é o preço por quilo. O Google calcula que o lançamento pode cair para menos de US$ 200 por quilo em meados da década de 2030. Nesse patamar, montar e operar um data center em órbita ficaria parecido com a conta de energia de um data center equivalente em terra, por quilowatt ao ano.

O próximo passo é em 2027, com dois satélites em órbita para testar o laser entre eles. O próprio Beals freia a expectativa. Ele disse à NPR que não vê o modelo ficando mais barato nos próximos cinco anos.

O mesmo foguete levou satélites de escolas brasileiras

O Falcon 9 da Transporter-18 decolou da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, com 130 cargas. Entre elas estavam o EduSat-2 e o EduSat-3, montados por alunos de escolas públicas de Sorocaba (SP) e Fortaleza (CE).

Os dois saíram do projeto AEB Escola em Órbita, da Agência Espacial Brasileira com a empresa Ideia Space. Em Sorocaba, a missão definida pelos alunos foi olhar para alagamentos e falhas de conectividade na região.

A carona coletiva explica a mistura. Num voo desse tipo, a SpaceX divide o espaço do foguete entre dezenas de clientes, de gigantes da tecnologia a projetos de escola.

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inteligencia artificial


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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