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Se a PEC do fim da 6×1 passar no Senado, a hora de quem ganha o mínimo sobe de R$ 7,37 para R$ 8,11, e cada hora extra vai a R$ 12,16
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 08/10/2026 às 20:27
Atualizado em 08/10/2026 às 20:28
Economia
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A PEC do fim da 6×1 corta a jornada de 44 para 40 horas sem mexer no salário. Pela regra da CLT, o mesmo salário dividido por menos horas faz a hora normal e a hora extra subirem 10%.
A PEC do fim da 6×1 passou nesta quarta-feira (08/10/2026) pela terceira sessão de discussão no plenário do Senado, e o debate ficou concentrado na política. A Agência Senado registra que faltam duas sessões antes da votação em primeiro turno. Para quem recebe salário, a mudança tem um efeito direto no bolso que quase não aparece na discussão: a hora de trabalho passa a valer mais.
A proposta reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas por semana e garante dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente no domingo, sem redução salarial. Esses pontos estão no resumo da PEC 221/2019 publicado pela Agência Senado na segunda-feira (06/10). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que o texto pode beneficiar quase 40 milhões de brasileiros.
Por que a hora fica mais cara se o salário não muda?
A conta do valor da hora vem da CLT. O artigo 64 da Consolidação das Leis do Trabalho manda dividir o salário mensal por 30 vezes as horas diárias. Na prática da folha de pagamento, quem trabalha 44 horas por semana tem o salário dividido por 220.
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Com 40 horas semanais, o divisor cai para 200. O Tribunal Superior do Trabalho usa esse mesmo número para jornadas de 40 horas, como mostra a decisão do TST no Tema 260 sobre o divisor de bancários.
Se o salário fica igual e o divisor diminui, cada hora passa a valer mais. É esse o efeito do fim da 6×1 no contracheque. A diferença entre 220 e 200 é de 10%, e esse é o aumento da hora para qualquer faixa de salário.
Quanto passa a valer a hora de quem ganha o salário mínimo
O Decreto 12.797/2025 fixou o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621,00 por mês e o valor horário em R$ 7,37. Esse valor horário é exatamente o salário mínimo dividido por 220.
A PEC prevê uma transição. A jornada cai para 42 horas dois meses depois da publicação da emenda e para 40 horas um ano e dois meses depois. Fazendo a conta com o salário mínimo atual em cada etapa:
Na fase de 42 horas, a hora do salário mínimo sobe 4,76%. Na fase final, de 40 horas, sobe 10%, de R$ 7,37 para R$ 8,11.
A hora extra também sobe com o fim da 6×1
A Constituição Federal, no artigo 7º, manda pagar a hora extra com adicional de pelo menos 50% sobre a hora normal. Como a hora normal sobe com o fim da 6×1, a hora extra sobe junto.
Para quem ganha o salário mínimo, a hora extra passa de R$ 11,05 para R$ 12,16 quando a jornada chegar a 40 horas. Quem faz 10 horas extras por mês recebe hoje R$ 110,52 por elas. Com a jornada nova, as mesmas 10 horas extras rendem R$ 121,58.
Convenções coletivas podem fixar adicional maior que 50%, e aí o valor muda conforme o acordo de cada categoria. A conta acima usa o mínimo constitucional.
E se a empresa mantiver as 44 horas?
Pelo texto aprovado na Câmara e em discussão no Senado, a jornada máxima passa a ser de 40 horas, com até 8 horas por dia. O que passar disso entra na regra da hora extra.
A diferença entre 220 e 200 horas mensais é de 20 horas. Se um trabalhador do salário mínimo continuasse cumprindo 44 horas, essas 20 horas a mais valeriam R$ 243,15 por mês como hora extra (20 vezes R$ 12,16).
Essa conta não considera banco de horas, compensação de jornada nem outros acordos coletivos. Cada um desses mecanismos pode mudar o valor final pago no contracheque, e a regulamentação depois da PEC também pode trazer detalhes novos.
Quanto muda para outros salários
O aumento de 10% na hora com o fim da 6×1 vale para qualquer salário, porque a conta depende só do divisor. Um exemplo com salário de R$ 3.000 mostra como a diferença cresce em reais:
O salário mínimo usado nas contas é o de 2026. Quando o mínimo de 2027 for fixado, a hora sobe de novo na mesma proporção do reajuste.
O que falta para a PEC do fim da 6×1 virar regra
A proposta chegou ao Senado depois de passar pela Câmara por 461 votos a favor e 19 contra. No Senado, uma PEC precisa de três quintos dos votos em dois turnos, o que significa pelo menos 49 senadores.
Depois da terceira sessão de discussão, ainda faltam duas antes do primeiro turno. O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou que a votação deve ocorrer na semana que vem. O g1, em reportagem de Gabriella Soares, relata que governistas dizem ter votos para aprovar a PEC, enquanto a oposição tenta adiar a votação.
Até a promulgação do fim da 6×1, nada muda no contracheque. A jornada continua sendo de até 44 horas, e a hora do salário mínimo segue em R$ 7,37.
Como fazer a conta do seu salário
Basta dividir o salário bruto por 220 para saber quanto vale a hora hoje e por 200 para saber quanto valeria com 40 horas. Para a hora extra, multiplique o resultado por 1,5, ou pelo adicional da sua convenção coletiva.
Quem quer entender o outro lado da mudança pode ler o que muda para o comércio com o fim da 6×1, tema que o setor acompanha de perto. A conta da hora, porém, já está ao alcance de qualquer trabalhador com o contracheque na mão.
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fim da 6×1
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

