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SECAFÉ leva R$ 2 mil e vence hackathon em Viçosa com secador vertical de café pensado para secar o grão sem contato com fumaça

SECAFÉ leva R$ 2 mil e vence hackathon em Viçosa com secador vertical de café pensado para secar o grão sem contato com fumaça

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SECAFÉ leva R$ 2 mil e vence hackathon em Viçosa com secador vertical de café pensado para secar o grão sem contato com fumaça

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 02/10/2026 às 15:01

Agronegócio

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Integrantes da equipe SECAFÉ com o cheque de R$ 2 mil pelo primeiro lugar, em Viçosa (MG). Foto: tecnoPARQ/UFV

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A equipe SECAFÉ ficou em primeiro lugar no Hackathon Acelera Café, na UFV, com um secador de café de ar quente indireto voltado ao pequeno produtor. Veja como a proposta funciona, por que a fumaça pesa no preço do grão e o que separa o protótipo de um equipamento.

A equipe SECAFÉ venceu o Hackathon Acelera Café 2026 com um secador de café vertical. O equipamento usa ar quente indireto, para que o grão não tenha contato direto com a fumaça.

O grupo recebeu R$ 2 mil em premiação, informou o tecnoPARQ, parque tecnológico da Universidade Federal de Viçosa (UFV).

A maratona aconteceu de 25 a 27 de setembro, no tecnoPARQ, em Viçosa (MG). Foram 59 participantes, em nove equipes.

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O SECAFÉ foi formado por Yago, Gabriel, Delvaux, Kawan, Washington e Maria Eduarda. A proposta, de acordo com o tecnoPARQ, busca uma alternativa compacta e de baixo custo, feita com materiais simples e pensada para a realidade de pequenos produtores.

Como o secador vertical do SECAFÉ tenta afastar a fumaça

O grupo desenvolveu um secador estático vertical para café, que utiliza ar quente indireto e fluxo contínuo, descreve o tecnoPARQ.

Participantes do hackathon trabalham em equipe no tecnoPARQ, em Viçosa. Foto: tecnoPARQ/UFV
Abertura do Hackathon Acelera Café no tecnoPARQ, na noite de 25 de setembro. Foto: tecnoPARQ/UFV

O ponto central da ideia é a fumaça. A proposta busca fazer a secagem sem contato direto dos grãos com a fumaça da queima, informou o parque tecnológico da UFV.

O baixo custo aparece no texto do tecnoPARQ como objetivo do projeto, e não como economia já medida em lavoura.

O SECAFÉ é uma proposta construída em três dias de maratona, com protótipo e modelo de negócio levados à banca do Hackathon Acelera Café.

Por que a fumaça é um problema na secagem do café

Para entender a escolha da equipe, é preciso olhar para a fornalha. Em geral, o ar que seca o café é aquecido pela queima de biomassa, como lenha, explica um comunicado técnico de 2014 da Embrapa Café, escrito por pesquisadores da UFV e da Epamig.

Existem dois jeitos de levar esse calor até o grão. Na fornalha de aquecimento direto, os gases da combustão são misturados ao ar e usados na secagem, explica a Embrapa Café.

O risco aparece quando a queima é incompleta. Nesse caso, a mistura pode carregar compostos contaminantes, como o monóxido de carbono e a fumaça, aponta o documento.

Na fornalha de aquecimento indireto, os gases quentes passam por um trocador de calor, detalha a Embrapa Café. O trocador aquece o ar limpo, que é o que chega ao café.

Café com cheiro de fumaça pode valer menos

A preocupação também é de bolso. Quando o café apresenta cheiro de fumaça, pode sofrer deságio por parte de alguns compradores, alerta a Embrapa Café.

Deságio é o desconto no preço pago ao produtor. Pelo comunicado, o defeito de cheiro de fumaça nasce na secagem, depois da colheita.

As fornalhas de aquecimento indireto, informa a Embrapa Café, são indicadas para produtos que precisam de ar quente com temperatura relativamente baixa e sem contaminantes, como cacau e café descascado ou despolpado.

É esse tipo de calor que a equipe diz buscar no secador vertical: ar quente que não passou pela fumaça.

O custo escondido do ar quente indireto

O aquecimento indireto tem um preço, e ele aparece no consumo de lenha. Parte do calor se perde no trocador e pela chaminé, por isso o rendimento é menor que o da fornalha direta, explica a Embrapa Café.

O comunicado traz uma tabela de consumo. O cálculo considera ar de secagem a 50 °C e vazão de 80 metros cúbicos por minuto.

Nessa condição, a fornalha a lenha direta consome cerca de 14,62 kg por hora, e a indireta, cerca de 41,43 kg por hora, mostra a tabela da Embrapa Café.

Pela conta da redação, isso significa quase 2,8 vezes mais lenha no sistema indireto, ou cerca de 26,8 kg a mais a cada hora. O próprio documento ressalva que o consumo varia conforme o equipamento, a conservação, a umidade da lenha e o ambiente.

Pela tabela da Embrapa Café, o ar indireto evita a fumaça, mas consome mais lenha. Na divulgação do tecnoPARQ, o secador de café do SECAFÉ aparece como proposta premiada, ainda sem medição de consumo de combustível.

O trocador de calor também envelhece

Os trocadores de calor ar/ar feitos de aço carbono têm menor durabilidade, por causa da alta temperatura das superfícies, afirma a Embrapa Café.

Com o tempo, a corrosão pode furar os tubos. Quando isso acontece, a fumaça passa pelas perfurações e volta a contaminar o produto, descreve o comunicado.

Pelo comunicado, a proteção contra a fumaça depende de o trocador de calor estar inteiro.

Por que o pequeno produtor fica de fora das soluções maiores

A secagem com caldeira a vapor resulta em café de boa qualidade, reconhece a Embrapa Café. Mas as caldeiras, afirma o documento, são acessíveis somente aos grandes cafeicultores.

O custo de implantação e o pequeno volume de café produzido impedem que os pequenos produtores usem essa opção, aponta o comunicado.

O texto também afirma que as indústrias tradicionais de equipamentos para a cafeicultura têm pouco interesse em sistemas de pequeno porte. O motivo, segundo o comunicado, é que o retorno econômico não é vantajoso em relação aos equipamentos de grande capacidade.

É nesse espaço que o SECAFÉ se coloca, conforme a descrição do tecnoPARQ: um secador de café compacto, de materiais simples e voltado a quem produz pouco.

Como funcionou o Hackathon Acelera Café

O Hackathon Acelera Café foi promovido pela UFV, por meio do tecnoPARQ, e pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), por meio do IpêTech, informou o tecnoPARQ. A Embrapa Café e o Consórcio Pesquisa Café foram parceiros. O evento foi realizado dentro do Hackathon Avança Café 2026, nome que aparece no cheque dos premiados.

As equipes trabalharam em sete categorias, registra o parque: resiliência climática e diversidade territorial, pragas e doenças, dados, mão de obra, monitoramento, perda pós-colheita e comércio.

Entre os problemas apresentados estavam as perdas que podem ocorrer em etapas como secagem, armazenamento e processamento, relata o tecnoPARQ. O secador do SECAFÉ responde a esse ponto da cadeia.

No sábado, conta o tecnoPARQ, os grupos saíram a campo para checar com pessoas do setor se as dores que imaginavam existiam de fato.

Depois vieram proposta de valor, modelagem de negócio, protótipos e MVP, a versão mínima de um produto. No terceiro dia, as nove equipes do Hackathon Acelera Café se apresentaram à banca no Demoday, relata o parque.

Quem ficou atrás do SECAFÉ no pódio

O segundo lugar do Hackathon Acelera Café ficou com a equipe Sinergia, premiada com R$ 1 mil, informou o tecnoPARQ. A proposta é um diagnóstico da biologia do solo, com análise microbiológica e metagenômica.

A CAFIA ficou em terceiro, com prêmio de R$ 500, de acordo com o parque. O grupo apresentou uma plataforma de gestão para o cafeicultor, com dados financeiros, estoque, lotes e alertas.

Somados, os três prêmios chegam a R$ 3,5 mil, pela conta da redação. O SECAFÉ levou mais da metade desse valor.

As outras propostas do Hackathon Acelera Café, detalha o tecnoPARQ, trataram de gestão da lavoura, venda direta a compradores e monitoramento de sacas com sensores. Houve ainda ideias de classificação de grãos, assistência técnica e um assistente financeiro no WhatsApp.

O que separa o protótipo de um secador no sítio

As propostas apresentadas no Demoday representam os resultados construídos pelas equipes nos três dias de imersão, afirma o tecnoPARQ.

Participantes, organizadores e mentores do Hackathon Acelera Café 2026, que reuniu 59 participantes em nove equipes. Foto: tecnoPARQ/UFV

O secador de café do SECAFÉ ainda é uma proposta premiada em hackathon. Custo de fabricação, capacidade por carga, consumo de combustível e desempenho numa safra real são dados que só aparecem com teste.

A Embrapa Café lembra que a lenha precisa estar seca, com umidade inferior a 30%. A fornalha também deve ser alimentada de forma constante, a intervalos preestabelecidos, para manter a temperatura de secagem.

São cuidados que, segundo o comunicado, valem para fornalhas a lenha na secagem do café.

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café


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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