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SENAI-SP e ITA começam a desenvolver motor flex que pode extrair mais quilômetros do etanol com tecnologia usada em carros de alta performance

SENAI-SP e ITA começam a desenvolver motor flex que pode extrair mais quilômetros do etanol com tecnologia usada em carros de alta performance

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SENAI-SP e ITA começam a desenvolver motor flex que pode extrair mais quilômetros do etanol com tecnologia usada em carros de alta performance

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 10/10/2026 às 17:39

Atualizado em 10/10/2026 às 17:41

Biocombustíveis Renováveis

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Projeto de três anos vai testar uma pré-câmara passiva em motores compactos, com medições de desempenho, consumo e emissões. A proposta é melhorar o aproveitamento do etanol sem impedir o funcionamento com gasolina, condição necessária para manter a operação flex.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (SENAI-SP) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) iniciaram um projeto para desenvolver um motor flex capaz de aproveitar melhor a energia do etanol. A pesquisa terá três anos de duração e ainda está em fase de desenvolvimento tecnológico.

O encontro de abertura ocorreu no dia 2 deste mês, no Distrito Tecnológico do SENAI-SP, em São Bernardo do Campo. O SENAI-SP informou que a iniciativa reúne pesquisadores, montadoras, fabricantes de componentes e empresas de engenharia.

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Como a pré-câmara pode mudar a combustão

A tecnologia estudada é uma pré-câmara passiva, solução que modifica a forma como a combustão começa e se espalha dentro do motor. Em um sistema convencional, a mistura de ar e combustível é comprimida no cilindro e a chama se inicia em um ponto antes de avançar pela câmara.

Com a pré-câmara, parte desse processo começa em um espaço menor conectado ao cilindro. A combustão se espalha por pequenos orifícios para diferentes regiões da câmara principal, mecanismo que pode tornar a queima mais rápida e homogênea.

Esse comportamento pode permitir taxas de compressão mais elevadas e melhor aproveitamento da energia do etanol. O desafio é aplicar a solução a um motor flex, que precisa continuar funcionando adequadamente quando abastecido com gasolina.

A taxa de compressão influencia o rendimento do motor e pode ser explorada de maneira diferente conforme as características do combustível. No projeto, elevar esse parâmetro para favorecer o etanol não pode comprometer o funcionamento do conjunto quando o motorista optar pela gasolina.

Por isso, a pesquisa não se limita a buscar maior compressão. A configuração precisará conciliar os dois combustíveis e preservar a característica que permite ao veículo operar com etanol, gasolina ou diferentes proporções entre eles.

A meta apresentada pelo SENAI-SP é fazer o veículo percorrer mais quilômetros com a mesma quantidade de etanol. O resultado, porém, ainda é um objetivo do desenvolvimento: não foram divulgados testes em veículos comerciais nem percentuais de redução de consumo obtidos com a solução.

A instituição relaciona o princípio da pré-câmara a aplicações de alta performance. No projeto conduzido com o ITA, a proposta é adaptar essa abordagem às características de motores compactos, e não reproduzir diretamente a configuração encontrada em propulsores de competição.

Testes serão feitos em laboratório no ABC Paulista

Os ensaios deverão ocorrer no laboratório de Sistemas de Propulsão do Distrito Tecnológico do SENAI-SP. A estrutura está em implantação em São Bernardo do Campo e tem previsão de estar plenamente operacional no segundo semestre de 2027.

Nesse ambiente, os motores poderão ser submetidos a condições controladas para medição de desempenho, consumo e emissões. Os testes deverão mostrar como diferentes configurações da pré-câmara se comportam com os combustíveis previstos para a operação flex.

Essa etapa também será necessária para verificar se a solução entrega o efeito esperado sem criar problemas quando o motor passa do etanol para a gasolina. Até o momento, a iniciativa foi apresentada como pesquisa e desenvolvimento, sem anúncio de automóvel de produção equipado com a tecnologia.

O projeto reúne Volkswagen, Stellantis, General Motors, Hyundai e CNH Industrial, além de fabricantes de componentes e empresas de engenharia. A participação das companhias envolve diferentes segmentos da cadeia automotiva, mas não significa que elas tenham anunciado a adoção da tecnologia em veículos comerciais.

Esse cuidado é necessário porque a pesquisa ainda deverá atravessar etapas de desenvolvimento, ensaio e validação. A presença de uma empresa no projeto não permite concluir, por si só, que determinado modelo receberá a solução ou que exista prazo definido para sua chegada ao mercado.

Desafio é aproveitar melhor o etanol sem abandonar a gasolina

O ponto técnico que orienta o trabalho está na necessidade de conciliar combustíveis com características diferentes dentro do mesmo motor. Uma solução voltada apenas para melhorar o rendimento com etanol perderia parte de sua finalidade se inviabilizasse ou prejudicasse a operação com gasolina.

A pré-câmara será avaliada justamente dentro desse limite. O projeto pretende verificar se a combustão mais rápida e homogênea permite aproveitar melhor o etanol enquanto o conjunto mantém as condições necessárias para funcionar como motor flex.

Os testes também deverão fornecer dados para comparar desempenho, consumo e emissões nas configurações estudadas. Esses resultados serão necessários antes de qualquer avaliação sobre aplicação industrial, já que o projeto não apresentou até agora números que permitam medir o ganho de eficiência em uso real.

O cronograma prevê que o desenvolvimento continue pelos próximos anos, acompanhado da implantação completa do laboratório e dos ensaios controlados. Uma eventual utilização da tecnologia em veículos de produção dependerá dos resultados obtidos nessas etapas e de decisões posteriores das empresas envolvidas.

Fonte

https://www.sp.senai.br/n


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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