SC
Faça um comentário
7 min de leitura
Sete meses depois de abrir sua primeira fábrica no Paraguai, indústria têxtil brasileira de 144 anos vai fechar unidade em Santa Catarina e demitir trabalhadores
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 31/10/2026 às 09:07
Indústria
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Sete meses após inaugurar sua primeira fábrica no Paraguai, a Karsten anunciou o fechamento da unidade de Ibirama (SC) para novembro, com cerca de 75 trabalhadores afetados. Veja os motivos informados pela companhia.
Uma indústria que começou a fabricar tecidos em 1882 e atravessou mais de um século de transformações no Brasil acaba de anunciar o fim de uma de suas fábricas catarinenses. A Karsten vai encerrar a unidade de Ibirama, no Alto Vale do Itajaí, em 27 de novembro de 2026, numa decisão que afeta aproximadamente 75 trabalhadores. O anúncio chega apenas sete meses depois de a companhia inaugurar sua primeira fábrica fora do país, no Paraguai.
O contraste envolve dois movimentos reais da mesma empresa: o encerramento de uma unidade dedicada a jogos de cama em Santa Catarina e a abertura de uma operação voltada principalmente a artigos de banho no país vizinho. A Karsten atribui o fechamento brasileiro a uma reorganização estratégica e operacional. A empresa não apresentou a fábrica paraguaia como causa do encerramento de Ibirama, embora as duas decisões tenham ocorrido em 2026.
Uma fábrica inaugurada em 2021 terá as máquinas desligadas antes de completar seis anos
Para entender o tamanho da mudança em Ibirama, é preciso voltar a 2021. Naquele ano, a Karsten instalou uma operação de confecção no bairro Ponto Chic, na Rua Mirador, ocupando um imóvel industrial que havia pertencido à Hering. O galpão tem aproximadamente 4,8 mil metros quadrados, segundo informações reunidas pela imprensa regional.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A estrutura, antes utilizada por outra fabricante tradicional do setor têxtil, voltou a receber máquinas e trabalhadores com a chegada da Karsten. A previsão divulgada durante a implantação era de gerar 100 empregos diretos e 30 indiretos. Cinco anos depois, o grupo confirmou a decisão de interromper a atividade naquela unidade.
Segundo a apuração do Portal WF, o encerramento definitivo está marcado para 27 de novembro. A data ainda é futura: o anúncio foi feito no fim de outubro. Ao comunicar a decisão aos funcionários, a companhia informou que as demais operações do grupo continuarão funcionando normalmente.
Do outro lado da fronteira, a primeira fábrica internacional começou a produzir toalhas para o próprio Brasil
Enquanto Ibirama caminha para o fechamento, uma unidade recém-inaugurada em Minga Guazú, no departamento paraguaio de Alto Paraná, representa o movimento de expansão internacional da Karsten. A instalação foi inaugurada em 26 de março de 2026, marcando a primeira operação fabril da companhia fora do território brasileiro.
A nova fábrica foi estruturada sobretudo para a produção de artigos de banho, como toalhas, com fornecimento inicialmente direcionado ao mercado brasileiro. A Agência IP, veículo oficial do governo paraguaio, informou que o empreendimento já gerava oportunidades para mais de 80 trabalhadores locais na época da inauguração.
As duas unidades tinham funções industriais anunciadas distintas: jogos de cama em Ibirama e artigos de banho na nova operação paraguaia. Essa diferença é relevante para compreender a reorganização, pois não existe anúncio público que comprove a transferência direta da produção de uma fábrica para a outra.
O presidente da Karsten falou sobre impostos e mão de obra antes de inaugurar a fábrica no Paraguai
Duas semanas antes da inauguração em Minga Guazú, o presidente-executivo da Karsten, Márcio Luiz Bertoldi, explicou à CNN Brasil que os estudos para ampliar a capacidade de fabricação haviam começado ainda em 2014. A análise considerou diferentes caminhos para crescer, incluindo investimentos no Brasil, até chegar ao projeto paraguaio.
Na entrevista, o executivo citou fatores como previsibilidade econômica, disponibilidade de trabalhadores e condições tributárias. Ele relatou que a empresa havia enfrentado dificuldades para preencher postos nas operações catarinenses, com uma parcela significativa das vagas em aberto naquele momento.
O Paraguai oferece às indústrias exportadoras o regime de maquila, com um tributo único de 1% calculado conforme as regras sobre valor agregado local ou faturamento de exportação. As condições aparecem na orientação oficial do Ministério da Indústria e Comércio paraguaio. Esse incentivo ajuda a compreender o interesse de fabricantes estrangeiros pela região, mas a empresa não o apontou como justificativa específica para desativar Ibirama.
Na mesma entrevista de março, Bertoldi disse que as operações brasileiras não seriam substituídas pela nova fábrica. A declaração se referia ao planejamento de internacionalização apresentado naquele momento. Meses depois, a companhia comunicou a decisão de encerrar uma de suas unidades catarinenses, sem anunciar a relação direta entre os dois fatos.
Ao mesmo tempo, R$ 16 milhões em novas máquinas modernizam a operação de Blumenau
O fechamento em Ibirama acontece durante outro movimento relevante dentro da Karsten: a renovação de equipamentos na fábrica de Blumenau, município onde a empresa foi fundada. Um plano divulgado em outubro reúne cerca de R$ 16 milhões em investimentos industriais no Brasil.
Desse total, aproximadamente R$ 12 milhões contemplam a compra de 12 teares da fabricante japonesa Toyota para a linha de toalhas felpudas. As máquinas devem substituir, até dezembro, 20 teares da década de 1990, atualizando equipamentos que já estavam há décadas no parque fabril.
Outra parcela, de aproximadamente R$ 4 milhões, foi destinada a um sistema automatizado de costura da empresa alemã Texpa, cuja implantação na operação de tecidos felpudos foi anunciada em junho. As informações constam de reportagens da LIDE e do O Blumenauense.
O resultado é uma reorganização com destinos diferentes para unidades do mesmo grupo: uma fábrica se aproxima do encerramento, a matriz recebe equipamentos novos e a unidade paraguaia amplia a presença produtiva internacional. O comunicado de outubro mantém o funcionamento das outras operações, mas não informa para onde será direcionado cada volume produzido atualmente em Ibirama.
Cerca de 75 trabalhadores foram comunicados; destino dos empregos ainda exige esclarecimentos
Para quem trabalha na fábrica de Ibirama, a data de 27 de novembro não representa apenas uma decisão empresarial. Ela estabelece um prazo para o encerramento das atividades de um empregador que passou a ocupar um antigo parque fabril da cidade há cinco anos. A notícia afeta profissionais diretamente ligados à operação e suas famílias.
Em comunicado reproduzido pela CNN Brasil, a Karsten afirmou que a decisão foi informada aos funcionários e que conduzirá a transição de maneira responsável, respeitando os profissionais afetados. A companhia também declarou manter desempenho positivo e seguir com sua estratégia de fortalecimento das operações.
Até as reportagens consultadas de 29 e 30 de outubro, não havia detalhamento público sobre eventual transferência de trabalhadores para outras unidades ou sobre um programa específico de recolocação. O número citado na maior parte da cobertura é de cerca de 75 pessoas; uma publicação regional apresenta 74. A estimativa mais prudente permanece em aproximadamente 75 profissionais.
Em caso de desligamento, as verbas e os procedimentos dependem do tipo de rescisão e da situação de cada contrato. Por isso, trabalhadores afetados precisam de informação individualizada sobre documentação, pagamentos, benefícios e eventuais oportunidades de aproveitamento em outras unidades, sem tomar como confirmadas medidas que a empresa ainda não anunciou.
O fechamento está previsto para novembro, mas a decisão já expõe um contraste na indústria brasileira
Fundada em 1882, a Karsten chega aos 144 anos com fábricas, marcas de produtos para o lar e presença comercial em diferentes países. O anúncio de Ibirama não representa o encerramento das atividades da companhia: o fechamento se refere à unidade do Alto Vale do Itajaí, enquanto as demais operações continuam ativas, segundo a empresa.
O próximo marco é 27 de novembro de 2026, data informada para a conclusão das atividades na fábrica catarinense. Até lá, continuam relevantes esclarecimentos sobre o destino dos funcionários e da produção atualmente realizada no local.
A história reúne duas notícias do mesmo ano que merecem ser acompanhadas com precisão: a primeira fábrica internacional da Karsten foi inaugurada em março e a unidade de Ibirama recebeu o aviso de fechamento em outubro. A coincidência temporal é comprovada; uma ligação causal entre os movimentos não foi demonstrada pela companhia. Na sua opinião, o que mais pesa nas decisões de localização das fábricas brasileiras: custos, mão de obra ou logística? Compartilhe sua avaliação nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

