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Sete shopping centers brasileiros entram em negociação bilionária, gigante aceita vender até 70% de empreendimento em São Paulo e fundo prepara captação de R$ 1 bilhão
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 24/10/2026 às 13:49
Atualizado em 24/10/2026 às 13:50
Economia
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Allos negocia venda de participações em sete shopping centers para fundo da Kinea, com captação prevista de até R$ 1 bilhão.
Sete shopping centers brasileiros, distribuídos entre São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, passaram a integrar uma negociação que poderá movimentar até R$ 1 bilhão no mercado de fundos imobiliários. A Allos, uma das maiores administradoras de shoppings do país, fechou compromissos para vender participações em empreendimentos conhecidos, incluindo até 70% do Shopping Metrô Santa Cruz, na capital paulista. Segundo o fato relevante enviado pela Allos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em 23 de outubro de 2026, a compradora será o fundo Kinea Allos Malls (KAML11), cuja primeira oferta de cotas começou um dia antes.
A conclusão do negócio depende de uma captação mínima de R$ 600 milhões, e os percentuais efetivamente vendidos serão definidos conforme o dinheiro levantado pelo fundo.
Allos fecha acordo para vender participações em sete shopping centers
A movimentação foi anunciada na manhã de sexta-feira, 23 de outubro, por meio de um comunicado oficial ao mercado financeiro.
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A Allos informou que assinou compromissos de compra e venda com o Kinea Allos Malls, fundo imobiliário criado em parceria com a Kinea Investimentos.
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A negociação envolve participações societárias e imobiliárias em sete empreendimentos que já fazem parte do portfólio da companhia. Não se trata da venda integral dos sete shopping centers.
As participações negociadas variam conforme cada imóvel, e a Allos continuará responsável pela administração dos empreendimentos mesmo depois da eventual conclusão da transação.
Fundo imobiliário pretende captar até R$ 1 bilhão para executar operação
O principal elemento financeiro do acordo é a primeira oferta pública de cotas do KAML11. A captação começou em 22 de outubro e possui um valor mínimo de R$ 600 milhões para viabilizar a aquisição.
Caso a oferta alcance seu limite máximo, o fundo poderá levantar R$ 1 bilhão. O dinheiro captado será utilizado na estruturação das participações imobiliárias previstas no acordo.
Entretanto, existe uma distinção importante: o valor de R$ 1 bilhão corresponde ao teto de captação do fundo, não a um preço definitivo já recebido pela Allos.
O montante final da operação e a participação transferida em cada shopping dependerão do resultado da oferta.
Shopping Metrô Santa Cruz poderá ter até 70% de participação transferida
O Shopping Metrô Santa Cruz aparece entre os ativos com maior participação prevista para venda. Localizado na Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, o empreendimento possui ligação direta com a estação Santa Cruz do metrô.
O acordo permite a transferência de uma participação entre 49,5% e 70% do shopping ao novo fundo. Essa faixa representa a maior participação percentual máxima incluída na negociação.
Mesmo assim, a venda de 70% não está garantida. O percentual definitivo dependerá da quantidade de recursos captados pelo KAML11 e das demais condições contratuais.
Caxias Shopping poderá ter até 65% negociados, enquanto outros dois empreendimentos ficam no Rio
Outro ativo relevante é o Caxias Shopping, localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Nesse empreendimento, a participação negociada poderá variar de 41% a 65%.
O Rio de Janeiro também aparece na operação por meio do Bangu Shopping. Nesse caso, a parcela prevista para venda está entre 8% e 18%.
Os dois centros comerciais continuarão com a administração da Allos, conforme o modelo apresentado pela companhia.
O acordo também permite que a empresa mantenha participações diretas nos empreendimentos, dependendo da estrutura final de propriedade.
Shopping Parangaba e outros três centros comerciais completam pacote de ativos
Além dos empreendimentos de São Paulo e Rio de Janeiro, a negociação inclui o Shopping Parangaba, em Fortaleza, no Ceará.
O fundo poderá adquirir entre 20% e 29% desse shopping. Em São Paulo, o Plaza Sul Shopping possui uma faixa de venda entre 9% e 22%.
O Shopping Villa Lobos, também localizado na capital paulista, poderá ter de 6,5% a 12% de participação transferida. Já o Shopping Tamboré, em Barueri, aparece com uma parcela menor, entre 5% e 7%.
Esses intervalos demonstram que o acordo não prevê a mesma estrutura de aquisição para todos os imóveis.
Empresa receberá 80% do valor à vista e restante será dividido em três parcelas
O contrato prevê uma combinação de pagamento imediato e parcelado. Segundo a Allos, 80% do preço de aquisição das participações serão pagos à vista depois do encerramento da oferta de cotas.
Os 20% restantes serão distribuídos em três parcelas iguais. Os vencimentos estão previstos para 24, 36 e 48 meses.
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Na prática, parte do valor será recebida após a conclusão da captação, enquanto outra parcela permanecerá vinculada a pagamentos futuros.
Como o preço definitivo ainda depende da oferta, não é possível calcular o valor exato de cada parcela com os dados divulgados.
Negociação considera taxa de capitalização de 9,5% sobre resultados dos shoppings
A Allos informou que os ativos estão sendo negociados com uma taxa média de capitalização, conhecida como cap rate, próxima de 9,5%.
Esse indicador relaciona o resultado operacional líquido de um imóvel ao seu valor econômico. No caso dessa transação, a referência utilizada foi o desempenho dos shopping centers durante 2025.
O resultado operacional líquido, chamado de NOI, considera a receita operacional dos imóveis depois de determinadas despesas ligadas à operação.
A taxa de 9,5% ajuda a explicar como os ativos foram avaliados.
Entretanto, não representa uma promessa de rendimento de 9,5% aos futuros cotistas do fundo imobiliário. O retorno aos investidores dependerá das receitas, despesas e condições efetivas do KAML11.
Allos poderá manter até 24% do próprio fundo que comprará seus imóveis
A operação não prevê uma saída completa da Allos dos ativos negociados. A companhia informou que pretende deter até 24% das cotas do KAML11.
Esse percentual dependerá dos procedimentos de alocação e, se necessário, do rateio da oferta.
A participação permitirá que a empresa continue ligada economicamente ao desempenho do portfólio adquirido pelo fundo. Além disso, a Allos poderá manter participações imobiliárias diretas em parte dos shopping centers.
Isso significa que, mesmo depois de vender determinadas parcelas, a companhia poderá continuar como coproprietária dos empreendimentos.
Acionistas da Allos terão prioridade para participar da oferta do KAML11
Outra condição divulgada envolve os investidores que já possuem ações da companhia. Os acionistas registrados ao final do pregão de 22 de outubro de 2026 terão alocação prioritária na oferta.
Essa preferência seguirá as condições estabelecidas no prospecto definitivo do fundo. A medida permite que os acionistas elegíveis participem do processo de distribuição de cotas conforme as regras divulgadas.
A prioridade, entretanto, não representa garantia de rentabilidade ou de recebimento integral da quantidade solicitada.
A alocação poderá depender da demanda dos investidores e dos procedimentos previstos na oferta.
Kinea e Allos preparam nova empresa de gestão de fundos imobiliários
A negociação dos sete shoppings também faz parte de uma mudança na estrutura de negócios da Allos. A companhia pretende desenvolver uma nova frente voltada à gestão de fundos imobiliários especializados em shopping centers.
Inicialmente, uma subsidiária da Allos atuará como consultora imobiliária do KAML11. Depois de obter a habilitação necessária para exercer a atividade de gestão, essa empresa deverá assumir a cogestão do fundo com a Kinea.
A estratégia permitirá à Allos participar das receitas provenientes da administração e gestão de ativos financeiros, além dos resultados de seus próprios empreendimentos.
O acordo prevê exclusividade entre as empresas nessa frente de negócios, dentro das condições contratuais estabelecidas.
Fundo terá preferência para negociar outros shoppings do portfólio da Allos
O contrato também estabelece regras para futuras oportunidades de aquisição.
O KAML11 terá direito de primeira oferta sobre participações em shopping centers integrantes do portfólio da Allos, observadas as exceções previstas.
Esse mecanismo permite que o fundo seja considerado em determinadas negociações antes da busca por outros compradores.
Além disso, o KAML11 poderá participar de novas aquisições de imóveis ao lado da Allos ou da Kinea.
As empresas também assumiram obrigações de não competição relacionadas à gestão e consultoria de fundos imobiliários de shopping centers. A Allos ficará sujeita a uma restrição de seis meses para negociar as cotas do fundo.
Conclusão da venda ainda depende da entrada de investidores e de condições contratuais
Apesar da assinatura dos compromissos, os sete shopping centers ainda não tiveram as participações definitivamente transferidas.
A primeira condição é que o KAML11 consiga captar pelo menos R$ 600 milhões. Depois disso, será necessário verificar o cumprimento das demais condições previstas no contrato.
Somente com o encerramento da oferta será possível definir os percentuais efetivamente adquiridos em cada empreendimento.
A Allos deverá continuar administrando os shoppings e poderá receber novas receitas associadas à gestão do fundo.
A transação representa uma tentativa de transformar parte do patrimônio imobiliário da companhia em recursos financeiros, mantendo participação nos empreendimentos e ampliando sua atuação no mercado de fundos. Por enquanto, a operação permanece em fase de captação e execução contratual.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

