Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Seu celular e um carro elétrico têm algo em comum durante a recarga: ambos reduzem potência perto da bateria cheia, comportamento que ajuda a proteger as células contra estresse térmico

Seu celular e um carro elétrico têm algo em comum durante a recarga: ambos reduzem potência perto da bateria cheia, comportamento que ajuda a proteger as células contra estresse térmico

Faça um comentário

8 min de leitura

Seu celular e um carro elétrico têm algo em comum durante a recarga: ambos reduzem potência perto da bateria cheia, comportamento que ajuda a proteger as células contra estresse térmico

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 18/10/2026 às 19:19

Atualizado em 18/10/2026 às 20:40

Ciência e Tecnologia

Grupo

Carros elétricos e celulares reduzem a potência perto dos 80% para controlar temperatura, tensão e desgaste das células durante a recarga.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

A queda na velocidade de recarga perto dos 80% não indica necessariamente defeito no carregador ou no veículo. O sistema de gerenciamento da bateria reduz a potência de propósito para controlar tensão, temperatura e desgaste das células.

Quem conecta um carro elétrico a um carregador ultrarrápido pode perceber que a recarga avança rapidamente no começo, mas perde velocidade à medida que a bateria se aproxima da carga máxima. O comportamento é semelhante ao observado em celulares e notebooks e faz parte da estratégia de proteção das baterias de íons de lítio.

Segundo o Canaltech, a redução é comandada pelo sistema de gerenciamento da bateria, conhecido pela sigla BMS. A central eletrônica determina quanta energia pode entrar em cada estágio da recarga e reduz a potência conforme aumenta o nível de carga.

O objetivo é evitar condições que favoreçam superaquecimento, estresse térmico e degradação precoce das células. Por isso, chegar de 80% a 100% costuma levar proporcionalmente mais tempo do que recuperar a mesma quantidade de energia quando a bateria está em níveis mais baixos.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

Por que a recarga fica mais lenta perto dos 80%

Foto de: BYD

A bateria não recebe a mesma potência do início ao fim da sessão.

Nos primeiros estágios, quando há mais capacidade disponível, o sistema pode aceitar uma quantidade maior de energia.

Conforme o nível sobe, a eletrônica começa a limitar gradualmente a corrente de entrada.

O patamar de aproximadamente 80% se tornou uma referência porque, em muitos veículos, marca o início de uma fase mais lenta da curva de recarga.

Isso não significa que todos os carros reduzam potência exatamente no mesmo percentual ou da mesma maneira.

Cada modelo possui sua própria estratégia de gerenciamento.

O BMS decide quanta energia a bateria pode receber

O BMS funciona como uma central de controle da bateria.

Ele acompanha parâmetros importantes do conjunto e determina a quantidade de energia que pode ser recebida com segurança durante a recarga.

A central também atua para manter a tensão dentro dos limites definidos para as células.

Quando o nível de carga sobe, o sistema pode reduzir a corrente mesmo que o carregador externo seja capaz de fornecer potência muito maior.

Por isso, um eletroposto ultrarrápido não garante que o carro utilizará sua potência máxima durante toda a sessão.

Carregador potente não significa potência máxima o tempo inteiro

Um ponto que costuma gerar confusão é a diferença entre a capacidade do carregador e aquilo que o veículo consegue receber.

A estação pode oferecer alta potência, mas é o automóvel que determina quanto será efetivamente aceito em cada momento.

Se o BMS identificar que a bateria precisa reduzir o ritmo, a potência cai.

Nessa situação, a diminuição não indica necessariamente falha do eletroposto.

É uma decisão do próprio sistema do veículo.

Celulares usam lógica semelhante

Smartphones também reduzem a potência de recarga conforme a bateria se aproxima do nível máximo.

A lógica é parecida porque os dispositivos também utilizam baterias de íons de lítio e precisam controlar temperatura, tensão e desgaste.

Durante a primeira parte da carga, o telefone pode receber energia mais rapidamente.

Mais perto dos 100%, o sistema diminui o ritmo.

É por isso que um carregador anunciado como rápido consegue elevar bastante o percentual em pouco tempo no início, mas demora mais para completar os últimos pontos da bateria.

A proteção busca reduzir estresse térmico

Temperatura é um dos fatores importantes na preservação de uma bateria.

A entrada de muita energia gera calor, e condições térmicas inadequadas podem acelerar o envelhecimento das células.

Ao reduzir a potência, o sistema diminui a intensidade da recarga justamente quando as condições internas exigem maior controle.

O comportamento ajuda a evitar excesso de temperatura e outros esforços sobre o conjunto.

A redução de potência, portanto, é parte do funcionamento previsto.

Temperatura da bateria também interfere na velocidade

Bateria BYD blade
foto: BYD

O percentual de carga não é a única variável.

A temperatura das células também influencia diretamente a potência que o veículo aceita.

Se a bateria estiver fora da faixa considerada adequada, o sistema pode limitar a recarga.

Isso pode ocorrer tanto em situações de temperatura elevada quanto quando o conjunto está frio demais para receber energia na velocidade ideal.

Por esse motivo, diferentes sessões no mesmo carregador podem apresentar resultados distintos.

Pré-condicionamento prepara a bateria antes da recarga

Alguns fabricantes utilizam um recurso chamado pré-condicionamento térmico da bateria.

O sistema ajusta a temperatura do conjunto enquanto o veículo se aproxima de um ponto de recarga.

A ideia é fazer a bateria chegar à estação em condições mais favoráveis para receber potência elevada.

Isso pode reduzir o tempo necessário para a sessão, principalmente em carregadores rápidos.

O recurso, porém, depende da tecnologia disponível em cada veículo.

Os últimos 20% podem consumir uma parte grande do tempo

Completar a bateria até 100% exige mais tempo proporcionalmente.

A diferença aparece justamente porque a potência tende a cair na parte final da curva.

Um motorista pode observar uma subida rápida entre níveis baixos e 70% ou 80%, seguida por um avanço muito mais lento depois disso.

Essa característica explica por que recarregar completamente em uma parada de viagem pode ser pouco eficiente quando comparado a interromper a sessão antes dos 100%.

Montadoras divulgam tempo de 10% a 80% por esse motivo

Grande parte das fabricantes apresenta o tempo de recarga rápida no intervalo entre 10% e 80%.

Esse recorte concentra justamente a parte normalmente mais eficiente da sessão.

A bateria ainda possui espaço suficiente para aceitar potências elevadas durante uma parcela maior do processo.

Depois de aproximadamente 80%, a redução progressiva da potência aumenta o tempo necessário para adicionar cada novo percentual.

Por isso, comparar carros apenas pelo tempo de 0% a 100% nem sempre representa a situação mais comum em uma viagem.

Paradas rápidas aproveitam a parte mais eficiente da curva

Para quem utiliza carregadores rápidos em rodovias, a curva de carga interfere diretamente no planejamento.

Em determinadas situações, pode ser mais rápido fazer uma nova parada depois do que esperar vários minutos extras para completar os últimos 20%.

Essa lógica depende do veículo, da distância até o próximo carregador e da autonomia necessária.

A fonte não estabelece uma regra de que o motorista deva interromper sempre a sessão aos 80%.

O percentual funciona como referência de eficiência, não como limite obrigatório.

Chegar a 100% continua sendo possível

A redução de potência não impede que a bateria seja carregada totalmente.

O veículo continuará recebendo energia até atingir o nível permitido pelo próprio sistema.

A diferença é o tempo necessário.

À medida que o conjunto se aproxima da carga máxima, a eletrônica prioriza o controle das condições das células em vez de manter a velocidade inicial.

Para quem precisa da autonomia máxima antes de uma viagem longa, esperar até 100% pode continuar sendo útil.

Os 80% não são uma regra igual para todos os carros

Embora o patamar apareça frequentemente como referência, as curvas de carregamento variam bastante.

Alguns veículos começam a reduzir potência antes.

Outros conseguem manter níveis elevados por mais tempo.

Capacidade da bateria, química das células, arquitetura elétrica e estratégia definida pelo fabricante podem alterar o comportamento.

Até duas recargas do mesmo veículo podem não apresentar uma curva idêntica se temperatura e condições iniciais forem diferentes.

A potência anunciada é normalmente um pico

Outro ponto importante é interpretar corretamente os números divulgados pelas fabricantes.

Quando um carro anuncia uma determinada potência máxima de recarga, esse valor geralmente representa o pico que o sistema pode atingir em condições apropriadas.

Ele não significa que a bateria permanecerá recebendo essa potência do início até 100%.

Durante a sessão, o valor sobe, estabiliza ou cai de acordo com a curva programada pelo sistema.

O tempo total depende justamente de como essa potência se comporta ao longo da recarga.

Uma queda de potência não significa automaticamente problema

Ver o carregador cair de potência pode preocupar um motorista que não conhece esse funcionamento.

Há casos em que problemas técnicos realmente podem limitar a recarga, mas a redução perto da bateria cheia é esperada.

A forma correta de interpretar depende do percentual, da temperatura e do comportamento habitual daquele modelo.

Se a queda ocorre na região em que o veículo normalmente passa a proteger a bateria, ela pode ser simplesmente parte da programação do BMS.

Proteção da bateria e velocidade precisam ser equilibradas

A recarga rápida envolve um equilíbrio entre conveniência e preservação do conjunto.

Quanto maior a potência, menor pode ser o tempo de espera.

Ao mesmo tempo, a bateria precisa trabalhar dentro de parâmetros térmicos e elétricos definidos para evitar esforço excessivo.

O sistema eletrônico administra essas duas necessidades.

É por isso que o processo não segue uma velocidade constante.

A lógica é compartilhada por dispositivos de tamanhos muito diferentes

Um celular cabe no bolso, enquanto a bateria de um carro elétrico é formada por um conjunto muito maior de células e armazena muito mais energia.

Apesar da diferença de escala, existe uma semelhança essencial.

Ambos dependem de sistemas capazes de controlar a recarga de células de íons de lítio e reduzir potência quando necessário.

No smartphone, o usuário percebe que os últimos percentuais demoram mais.

No automóvel, a diferença aparece no visor da estação e pode adicionar vários minutos à sessão.

Planejar a recarga exige olhar além da potência do eletroposto

Para o motorista, isso significa que escolher a estação de maior potência disponível não é o único fator que determina o tempo de parada.

O carro precisa ser capaz de receber essa energia.

A bateria precisa estar em uma temperatura adequada.

E o nível de carga deve estar em uma faixa na qual o sistema ainda permita potência elevada.

Quando o veículo já chega à estação com a bateria próxima dos 80%, parte da vantagem de um carregador ultrarrápido pode ser reduzida pela própria curva de proteção.

A desaceleração perto da carga cheia, portanto, não é um defeito compartilhado por celulares e carros elétricos. É um mecanismo deliberado dos sistemas de gerenciamento para equilibrar velocidade de recarga, controle térmico e preservação das células.

Tags

carregadorcarro elétrico


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

Sair da versão mobile