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Sicoob prepara R$ 70 bilhões em crédito rural para a safra 2026/27 e prevê mais recursos para pequenos e médios produtores, mas a maior fatia do dinheiro terá um destino que chama atenção

Sicoob prepara R$ 70 bilhões em crédito rural para a safra 2026/27 e prevê mais recursos para pequenos e médios produtores, mas a maior fatia do dinheiro terá um destino que chama atenção

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Sicoob prepara R$ 70 bilhões em crédito rural para a safra 2026/27 e prevê mais recursos para pequenos e médios produtores, mas a maior fatia do dinheiro terá um destino que chama atenção

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 26/10/2026 às 15:15

Atualizado em 26/10/2026 às 15:20

Colheitadeira opera em lavoura de soja em Mato Grosso. Crédito: Marevarzeamt/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

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Sicoob projeta R$ 70 bilhões em crédito rural para 2026/27, R$ 10,5 bilhões acima do desembolsado na safra anterior. Pronaf e Pronamp ganham espaço, mas R$ 42,7 bilhões são previstos para os demais produtores.

O Sicoob pretende liberar R$ 70 bilhões para financiar o agronegócio brasileiro na safra 2026/2027, volume que supera a marca alcançada no ciclo passado. A projeção supera em R$ 10,5 bilhões o valor efetivamente liberado no ciclo anterior e inclui uma expansão especialmente expressiva dos recursos previstos para agricultores familiares e produtores de médio porte.

A meta foi anunciada originalmente em julho e voltou a aparecer em comunicados da instituição ao longo de outubro. O planejamento divide os recursos entre três públicos. Seriam R$ 11,5 bilhões para a agricultura familiar, R$ 15,8 bilhões para médios produtores e R$ 42,7 bilhões para os demais. É uma meta de liberação durante a safra, não financiamentos que já tenham sido contratados.

Agricultores familiares terão previsão 39% maior de recursos

O salto mais sensível para quem produz em propriedades familiares aparece no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, o Pronaf. Segundo o balanço divulgado pelo Sicoob, o volume previsto para essa modalidade cresceu 39% em relação ao ciclo anterior, chegando a R$ 11,5 bilhões.

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As linhas do Pronaf financiam diferentes necessidades de custeio e investimento, mas a contratação depende do enquadramento do agricultor, da modalidade e da análise de crédito. A previsão nacional não significa aprovação automática nem assegura que todo o valor será desembolsado.

Canteiros de hortaliças em propriedade de agricultura familiar na Bahia. Crédito: EuLuaFonseca/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Crédito para médios produtores sobe 48% na projeção

Para os produtores de porte intermediário, o Sicoob reserva uma fatia projetada de R$ 15,8 bilhões pelo Pronamp, aumento de 48% sobre a safra anterior. O crescimento percentual é ainda maior que o planejado para a agricultura familiar e amplia o espaço reservado a esse público no planejamento da cooperativa.

O Pronamp atende produtores que cumprem critérios específicos de renda e enquadramento. No Plano Safra 2026/2027, o Ministério da Agricultura informou uma programação de R$ 72,6 bilhões para o Pronamp em linhas com condições reguladas, incluindo juros de 9% ao ano para custeio. Esse orçamento do programa e a projeção do Sicoob representam recortes diferentes e não devem ser somados.

Maior parcela ainda vai para produtores fora do Pronaf e do Pronamp

Embora os aumentos mais fortes estejam nos segmentos familiar e médio, a maior parte do montante projetado permanece com os demais produtores: R$ 42,7 bilhões. Essa parcela corresponde a cerca de 61% do total planejado e inclui operações associadas a propriedades maiores e às cadeias produtivas do agronegócio.

A prioridade de ampliar o acesso dos produtores menores convive, portanto, com uma concentração maior de dinheiro nas operações fora do Pronaf e do Pronamp. É a diferença entre crescimento percentual de uma carteira e tamanho absoluto dos recursos.

Agricultura deve receber R$ 27,8 bilhões e pecuária, R$ 19,5 bilhões

O Sicoob também apresentou uma previsão por atividade. As operações ligadas à agricultura somariam R$ 27,8 bilhões, ou 40% da meta, enquanto a pecuária ficaria com R$ 19,5 bilhões, ou 28%. Outros R$ 22,7 bilhões, equivalentes a 32%, aparecem sem direcionamento produtivo específico na apresentação.

Essa última classificação não significa que o dinheiro ficará ocioso. Ela apenas indica que o comunicado não atribuiu antecipadamente toda essa parcela a uma atividade determinada. No ciclo encerrado, soja, café, cana-de-açúcar e milho figuraram entre os destaques do crédito para lavouras, enquanto a bovinocultura teve relevância na pecuária.

Bovinos em pastagem em área rural do Paraná. Crédito: Fernandosmithsp/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

Safra anterior terminou com R$ 59,5 bilhões efetivamente liberados

O contraste com o histórico ajuda a medir o tamanho da meta. Na safra 2025/2026, o sistema cooperativo informou ter liberado R$ 59,5 bilhões em crédito rural, alta de 6,88% em relação ao período anterior, por meio de mais de 194,7 mil operações em diferentes regiões do Brasil.

Naquele ciclo, 63% das operações atenderam pequenos e médios produtores, e o tíquete médio informado foi de R$ 155,3 mil. O percentual se refere à quantidade de operações, não à participação desses produtores no total de reais emprestados — uma distinção importante para entender o perfil da carteira.

Plano Safra nacional prevê recursos que vão além da rede Sicoob

A projeção da cooperativa se insere em uma política de financiamento rural de escala nacional. O Ministério do Desenvolvimento Agrário informou R$ 85,2 bilhões previstos para operações do Pronaf na safra 2026/2027. Já a agricultura empresarial conta com programas de custeio, comercialização e investimento oferecidos por diferentes instituições.

Os números do governo dizem respeito à programação mais ampla das linhas de crédito. A meta de R$ 70 bilhões do Sicoob é uma projeção específica de uma instituição dentro desse mercado e não representa novo orçamento federal adicional.

Com R$ 107,1 bilhões contratados no trimestre, crédito rural segue em movimento

O balanço oficial do trimestre encerrado em setembro ajuda a situar a previsão. Entre julho e setembro de 2026, o crédito rural da agricultura empresarial somou R$ 107,1 bilhões em contratações, incluindo operações de Cédula de Produto Rural, segundo o levantamento oficial.

O dado mostra o movimento geral do financiamento no país, mas não corresponde exclusivamente às operações do Sicoob e tampouco permite concluir quanto da meta da cooperativa já foi alcançado. São indicadores de universos diferentes.

Rede com mais de 3,3 mil pontos de crédito rural aposta na capilaridade

O Sicoob aposta em sua rede cooperativa para chegar a localidades com menos opções bancárias. A instituição informa manter mais de 3.390 pontos de atendimento com crédito rural ativo e atender mais de 600 mil cooperados ligados ao agro.

Segundo o próprio sistema, o volume de financiamentos agropecuários cresceu 162% ao longo de cinco safras. A expansão da rede e a proximidade com produtores são apresentadas como fatores importantes para sustentar a oferta de crédito mesmo quando os juros e a análise de risco tornam a contratação mais difícil.

Próximo desafio é transformar a previsão em financiamentos reais

A meta anunciada estabelece o tamanho da ambição do Sicoob para 2026/2027, mas o resultado dependerá da procura dos produtores, das condições financeiras e da capacidade de concretizar as operações. O balanço de R$ 59,5 bilhões do ciclo anterior é dinheiro já liberado; os R$ 70 bilhões ainda são uma projeção para a safra em andamento.

Para quem precisa financiar lavouras, animais, equipamentos ou estruturas produtivas, o passo prático é verificar as linhas disponíveis, os requisitos e os custos efetivos junto à cooperativa. A evolução dos desembolsos nos próximos meses mostrará se a expansão planejada chegará aos produtores na escala anunciada.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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