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Spotify tira mais de 50 milhões de músicas das recomendações em 2026, revela ação contra faixas artificiais e explica por que outras 75 milhões realmente sumiram do catálogo

Spotify tira mais de 50 milhões de músicas das recomendações em 2026, revela ação contra faixas artificiais e explica por que outras 75 milhões realmente sumiram do catálogo

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Spotify tira mais de 50 milhões de músicas das recomendações em 2026, revela ação contra faixas artificiais e explica por que outras 75 milhões realmente sumiram do catálogo

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 26/10/2026 às 09:21

Atualizado em 26/10/2026 às 09:25

Ciência e Tecnologia

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Você termina de ouvir uma música, deixa o Spotify escolher a próxima e recebe uma faixa de um artista que nunca ouviu falar. Parte dessas descobertas pode ser interessante. Outra parte, porém, vem de gravações repetitivas, lançadas em massa ou criadas para disputar espaço no algoritmo. O Spotify decidiu reduzir esse problema e revelou o tamanho da mudança: mais de 50 milhões de faixas deixaram de aparecer nas recomendações em 2026.

O balanço foi publicado em 20 de outubro. Segundo a empresa, os conteúdos filtrados apresentavam sinais de spam ou material de baixa qualidade, incluindo produção em massa com inteligência artificial. A mudança atinge as sugestões automáticas e editoriais, mas não significa que todas essas músicas tenham desaparecido do catálogo. Muitas podem continuar disponíveis para quem fizer uma busca.

O Spotify identificou o que as pessoas rejeitavam e mudou o que toca depois

Durante os últimos seis meses, a plataforma ajustou seus sistemas de recomendações depois de observar como os usuários reagiam a determinadas faixas. Músicas que eram puladas rapidamente, ignoradas ou apontadas como indesejadas apareciam com frequência entre aquelas identificadas como spam.

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A empresa passou a limitar a circulação desse material nas sugestões automáticas e nas listas selecionadas por seus editores. A intenção é evitar que alguém procurando uma música nova encontre sucessivas gravações muito parecidas, publicadas só para disputar reproduções.

O Spotify diz que as reclamações sobre esses conteúdos nas recomendações diminuíram após os ajustes. Não informou, porém, a porcentagem da redução nem uma relação pública das mais de 50 milhões de gravações atingidas.

O número de 75 milhões também existe, mas não significa outra exclusão feita agora

O comunicado menciona ainda mais de 75 milhões de faixas excluídas da plataforma por violações graves ou repetidas das regras. São duas ações diferentes. Quando uma gravação deixa de ser recomendada, ela pode continuar disponível. Quando é removida do serviço, deixa de integrar seu catálogo.

Há uma distinção de data igualmente importante. A publicação Music Business Worldwide confirmou com um porta-voz do Spotify que a cifra de 75 milhões é a mesma divulgada em setembro de 2025, referente aos 12 meses anteriores. A empresa continua removendo material que viola as políticas, mas não apresentou um novo total de exclusões definitivas na atualização de outubro de 2026.

Portanto, não é correto somar os dois números como se fossem 125 milhões de novas exclusões da plataforma neste ano. As cifras descrevem períodos e medidas diferentes, e não há informação suficiente para determinar se existe sobreposição entre os grupos.

Músicos e colaboradores em estúdio de gravação, em imagem do acervo de divulgação do Spotify anterior ao anúncio de outubro de 2026. Crédito: Spotify / divulgação.

Não é só inteligência artificial: o aplicativo também tenta parar músicas repetidas e fraudes

Para localizar conteúdo suspeito, o Spotify observa a frequência com que um perfil publica gravações, a repetição de arquivos e informações cadastradas nos lançamentos. O comportamento dos ouvintes, como pular ou rejeitar músicas, também entra na análise.

Entre as práticas monitoradas estão o envio de grandes quantidades de faixas, arquivos duplicados, músicas muito curtas e redes de playlists usadas para inflar reproduções. Ferramentas de detecção de inteligência artificial ajudam, mas a própria plataforma reconhece que esses sistemas podem falhar.

Isso significa que usar IA para compor ou produzir uma música não resulta automaticamente em punição. O foco anunciado é limitar spam, engano e publicações feitas para explorar o serviço. A empresa admite que a identificação ficará mais difícil à medida que essas tecnologias avançarem.

Perfis que parecem artistas de verdade, mas representam pessoas criadas por IA, ganham aviso

O serviço passou a mostrar um selo chamado AI Persona em perfis cuja identidade pública representa uma pessoa inexistente criada digitalmente para parecer humana. A classificação fala sobre a aparência e a identidade do artista, não necessariamente sobre como todas as músicas foram produzidas.

Segundo o Spotify, milhares de perfis já têm esse tipo de identificação. Como regra, suas faixas não entram nas sugestões editoriais e personalizadas, a menos que o usuário demonstre interesse, por exemplo seguindo aquele artista. O perfil ainda pode ser encontrado e ouvido.

A empresa também afirma ter verificado mais de 300 mil artistas. Eles representam mais de 99% dos nomes procurados por seus usuários, segundo dados da própria plataforma, e mais de 70% são independentes. A verificação busca ajudar o público a distinguir artistas identificáveis de perfis que simulam pessoas.

A disputa envolve dinheiro, artistas imitados e o direito de aparecer nas playlists

Produzir centenas de gravações tornou-se mais simples com ferramentas de geração automática. Para quem tenta manipular o sistema, essa facilidade pode ser usada para buscar reproduções e pagamentos em escala. Desde 2024, o Spotify exige que uma faixa alcance ao menos mil reproduções nos 12 meses anteriores, além de outros critérios, para se tornar elegível a determinados royalties de gravação.

No balanço de outubro, a empresa afirmou que faixas com fortes indicadores de geração por inteligência artificial têm dez vezes mais chances de não atingir esse limite. Também criou recursos para que artistas informem o uso de IA nos créditos e contestem lançamentos de terceiros colocados indevidamente em seus perfis.

Essas medidas procuram proteger tanto quem busca música nova quanto quem vive da própria criação. O desafio continua: distinguir inovação legítima de conteúdo produzido em massa para confundir o público ou manipular as regras.

Ouvinte utiliza celular e fones ao ar livre. A imagem ilustra a experiência de escolha musical, sem representar uma tela do Spotify. Crédito: Ketut Subiyanto / Pexels.

O que muda para quem escuta música no Brasil?

A mudança deve ser sentida principalmente quando o aplicativo escolhe o que vem depois de uma canção, monta sugestões ou apresenta novos artistas. A promessa do Spotify é abrir mais espaço para gravações de músicos reais e diminuir a presença de conteúdo indesejado.

Isso não representa o fim da música produzida com inteligência artificial, nem uma proibição de todas as ferramentas digitais na criação musical. Quem quiser buscar uma faixa específica ou acompanhar um perfil identificado como persona de IA ainda poderá fazê-lo nas condições oferecidas pelo serviço.

Você já encontrou uma música repetitiva ou que parecia artificial nas recomendações do Spotify? Conte nos comentários se prefere que o aplicativo filtre essas faixas ou que a escolha fique com cada ouvinte.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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