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Stelco demite até 500, o Canadá ameaça a dona americana com a Justiça e o CEO diz que topa lutar e até vender a siderúrgica de Hamilton
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 12/10/2026 às 12:58
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A dona da Stelco respondeu a Ottawa por carta em 10 de outubro e, no domingo (11), o CEO disse à CBC que enfrenta o governo no tribunal. Os avisos de demissão em Hamilton já saíram.
O CEO da Cleveland-Cliffs, Lourenço Gonçalves, disse no domingo (11) que está pronto para enfrentar o governo do Canadá na Justiça. O motivo são as demissões na Stelco, a siderúrgica de Hamilton, em Ontário. A empresa americana disse que cortaria até 500 empregos. Ottawa afirma que isso quebra a promessa feita na compra, em 2024.
A fala foi dada ao programa Rosemary Barton Live, da CBC. A emissora publicou a reportagem às 17h13 (horário do leste dos EUA e do Canadá) de 11 de outubro. Gonçalves também admitiu vender a Stelco. “Por uma boa oferta, sim”, respondeu. Na mesma entrevista, defendeu as tarifas de 50% dos Estados Unidos sobre o aço canadense. É justamente o motivo que a empresa dá para cortar gente.
O que o CEO da Cleveland-Cliffs disse sobre ir à Justiça contra o Canadá?
Gonçalves rebateu a versão do governo. Para ele, o contrato não traz cláusula que obrigue a manter o emprego num nível fixo todos os dias dos cinco anos. Se Ottawa tivesse imposto isso, disse, ele não teria fechado o negócio. A frase está na reportagem da CBC de 11 de outubro.
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Ele repetiu, na mesma entrevista à CBC, que as demissões são temporárias. Os empregos voltam quando Canadá e Estados Unidos fecharem um acordo comercial. Também disse ser a favor de tarifas contra os países que “despejam aço” no mercado americano.
Aí está o problema da defesa. Em carta à ministra da Indústria, Mélanie Joly, a Stelco culpa as tarifas de 50% do presidente Donald Trump. Isso consta na CBC de 10 de outubro. O primeiro-ministro Mark Carney já tinha apontado Gonçalves, na terça-feira 29 de setembro, por aplaudir a medida americana, como relatou a CBC no dia 30.
Quantos trabalhadores da Stelco já receberam aviso de demissão em Hamilton?
A Stelco anunciou na segunda-feira, 28 de setembro, que ia parar por tempo indeterminado as linhas de acabamento de Hamilton. O corte pode atingir até 500 pessoas. Os avisos individuais de demissão começaram na quarta, 7 de outubro. O operário Jordan Williams contou à CBC que recebeu o dele no fim do turno, em reportagem de 8 de outubro.
Ron Wells, presidente do sindicato United Steelworkers Local 1005, diz que as demissões vão se espalhar por três semanas. Ele espera de 300 a 350 em Hamilton. Haverá mais cortes na Lake Erie Works, a fábrica da Stelco em Nanticoke, segundo a CBC de 11 de outubro.
A Stelco, na carta de 10 de outubro, afirma que parte dos demitidos poderá ocupar vagas abertas em Lake Erie. Em 2024, o comunicado da Cleveland-Cliffs descrevia Hamilton como unidade de acabamento e coqueria. Lake Erie era a mais nova e a de menor custo entre as duas siderúrgicas integradas.
O que Ottawa pode fazer se a Justiça decidir que a Stelco descumpriu a promessa?
Joly mandou carta à Stelco na segunda-feira, 5 de outubro. O prazo era de cinco dias úteis para a empresa apresentar um plano de manutenção dos empregos. Ela citou a Lei de Investimento do Canadá. Em caso de descumprimento, o governo pode pedir a uma corte superior que obrigue a empresa a cumprir o compromisso, venda o negócio ou pague multas, conforme a CBC de 6 de outubro.
O compromisso, segundo a ministra na mesma carta, é manter pelo menos o mesmo número de sindicalizados. A grande maioria dos não sindicalizados também fica, tudo como na data do anúncio da compra, até 2029.
A resposta chegou em 10 de outubro. A CBC obteve a carta de Paul Simon, presidente e conselheiro-geral da Stelco. Ele chama de “falsa” a tese de que as demissões violam o compromisso. Para Simon, os termos não proíbem demissões nem fixam um piso de empregos a cada dia. Ele diz que a ajuda mais importante seria restringir a importação de aço laminado a frio e revestido, como relatou a CBC no dia 10.
No sábado (10), o gabinete de Joly respondeu, em nota à CBC, que os compromissos não deixam de valer por mudança de estratégia ou de mercado. E que “todas as opções estão na mesa”.
Há precedente, e ele não é animador para os trabalhadores. Em 2009, Ottawa processou a antiga dona, a U.S. Steel, por causa de emprego. Após a crise de 2008, a empresa tinha fechado a maior parte das operações e demitido mais de 1.500 pessoas. O governo retirou a ação no fim de 2011, num acordo fora do tribunal. A U.S. Steel prometeu manter a produção em Hamilton e Lake Erie e investir 50 milhões em modernização até 2015.
Um advogado de Toronto disse à CBC que, pelo registro público, foi a única vez que Ottawa foi à Justiça por compromissos assim. Depois do caso, a lei foi reforçada. Mais tarde, o governo elevou a multa diária de 25 mil dólares por descumprimento. Tudo isso está na CBC de 8 de outubro.
Quem é o chefe da Cleveland-Cliffs que bate de frente com Ottawa?
Lourenço Gonçalves comanda a Cleveland-Cliffs desde agosto de 2014, segundo a página da diretoria da empresa. A biografia oficial diz que ele se formou no Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. O mestrado foi na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte.
A carreira começou na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no Brasil. Depois ele dirigiu a California Steel Industries por cinco anos e presidiu a Metals USA por mais de dez. Na Cliffs, comprou a AK Steel e a ArcelorMittal USA, em 2020, e a Stelco, em novembro de 2024.
A compra da Stelco foi anunciada em 15 de julho de 2024, por cerca de 3,4 bilhões de dólares canadenses (2,5 bilhões de dólares americanos), segundo o comunicado da empresa. O negócio trouxe 1.800 funcionários sindicalizados, de acordo com o mesmo documento.
Gonçalves diz que as duas lealdades não se chocam. Em entrevista à CBC de 30 de setembro, afirmou que “América primeiro não é América apenas”. Disse ainda que quem investe no Canadá não vai lá para prejudicar os canadenses.
Em que pé está a briga entre Ottawa e a Stelco?
Nas reportagens que li, até 11 de outubro o governo ainda ameaçava ir à Justiça. Não havia notícia de ação protocolada. A sequência, com a fonte de cada data, está resumida abaixo.
O próximo passo está com o governo canadense. Ele pode aceitar a explicação da Stelco ou pedir à corte superior que obrigue a empresa a cumprir o que prometeu. Para os cerca de 500 trabalhadores, a conta é mais simples. Enquanto Ottawa e a Cleveland-Cliffs trocam cartas e ameaças, os avisos de demissão continuam saindo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

