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Suíça ergue torre de 30 metros com concreto impresso por robôs, elimina formas tradicionais, usa 32 colunas estruturais e cria o edifício 3D mais alto do mundo
Escrito por Ana Alice
Publicado em 30/10/2026 às 23:29
Construção
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Torre construída nos Alpes suíços combina impressão 3D, concreto estrutural, robótica e arquitetura computacional em uma obra de quase 30 metros, reunindo dezenas de colunas produzidas digitalmente e soluções capazes de mudar etapas tradicionais da construção civil sem abandonar exigências de engenharia.
Uma torre de quase 30 metros erguida nos Alpes suíços transformou a impressão 3D de concreto em parte estrutural de um edifício real, levando uma tecnologia antes concentrada em protótipos e componentes isolados para uma construção capaz de receber visitantes.
Batizada de Tor Alva, a estrutura reúne 32 colunas impressas roboticamente, distribuídas em quatro pavimentos, e foi apresentada pela ETH Zurich como o edifício impresso em 3D mais alto do mundo, combinando função arquitetônica, engenharia estrutural e fabricação digital.
Localizada na pequena vila de Mulegns, na Suíça, a construção funciona como espaço cultural e experimental, enquanto demonstra como elementos produzidos por impressão tridimensional podem assumir funções diretamente relacionadas à sustentação, ultrapassando aplicações apenas decorativas ou restritas a paredes secundárias.
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Segundo a ETH Zurich, responsável pelo desenvolvimento tecnológico ao lado da fundação cultural Origen, o projeto mostra como sistemas digitais de fabricação podem produzir componentes de concreto estrutural sem depender integralmente das formas tradicionais utilizadas para moldar o material durante obras convencionais.
Impressão 3D de concreto muda a fabricação das peças
Para produzir os componentes, um robô industrial deposita concreto sucessivamente, camada por camada, seguindo geometrias previamente definidas por software e transformando comandos digitais em elementos físicos com formatos que seriam significativamente mais complexos de executar por métodos tradicionais de construção.
Nesse processo, o concreto precisa permanecer suficientemente maleável para aderir à camada depositada anteriormente, mas também deve endurecer com rapidez bastante para sustentar o material acrescentado acima, exigindo controle preciso das propriedades do composto durante toda a fabricação.
Esse equilíbrio técnico permitiu desenvolver formas curvas, ramificadas e ornamentadas, enquanto as colunas apresentam maior robustez nos pavimentos inferiores e se tornam progressivamente mais delgadas e abertas à medida que avançam em direção ao topo da torre.
Visualmente, a configuração se distancia das grandes superfícies maciças normalmente associadas ao concreto, pois os elementos lembram galhos que se dividem e voltam a se conectar, formando uma espécie de floresta estrutural vertical distribuída pelo interior da construção.
Conforme detalhado pela ETH Zurich, as 32 colunas estão organizadas em quatro níveis, com oito elementos principais em cada pavimento, enquanto no topo essas estruturas se ramificam para ajudar a formar uma cúpula destinada a abrigar apresentações culturais.
Robôs reduzem dependência de formas convencionais
Outra diferença aparece justamente na etapa de moldagem, porque a impressão das peças elimina grande parte das formas empregadas na concretagem convencional, estruturas temporárias normalmente montadas para receber o concreto fresco e removidas somente depois que o material alcança endurecimento suficiente.
Dentro da Tor Alva, o próprio processo robótico determina diretamente a geometria das peças, utilizando informações digitais sobre o formato desejado para orientar o bico de extrusão por trajetórias calculadas previamente e depositar sucessivas camadas até completar cada componente.
Dados divulgados pelo projeto Tor Alva indicam que aproximadamente 2.500 camadas de concreto extrudado foram utilizadas no conjunto das peças impressas, com cada camada medindo cerca de 10 milímetros de altura e entre 15 e 20 milímetros de largura.
Somando as etapas de fabricação, o tempo estimado de impressão chegou a aproximadamente 900 horas, mas isso não significa que a torre tenha sido produzida integralmente no próprio terreno por uma única impressora trabalhando de maneira contínua desde a base.
Os componentes foram fabricados separadamente e posteriormente integrados a um sistema de construção pré-fabricada, estratégia que permitiu controlar a produção das peças, organizar o transporte e conduzir a montagem estrutural necessária para formar a torre completa em Mulegns.
Ao todo, o edifício reúne 124 elementos impressos em 3D, produzidos com auxílio de equipamentos robóticos e posteriormente combinados às demais partes estruturais responsáveis por transformar componentes individuais em uma construção capaz de receber circulação e atividades culturais.
Reforços estruturais levam impressão 3D além da estética
Entre os desafios enfrentados pelos pesquisadores estava a incorporação de reforços ao concreto impresso, já que estruturas convencionais frequentemente associam concreto e aço para responder a diferentes esforços, enquanto a fabricação camada por camada exige soluções específicas para acomodar essas armaduras.
No sistema desenvolvido para a torre, reforços horizontais e verticais puderam ser integrados às peças sem eliminar as geometrias complexas criadas digitalmente, característica essencial para ampliar o uso da impressão tridimensional de concreto além de aplicações puramente estéticas.
Também durante o desenho digital, a quantidade de material foi considerada conforme as necessidades estruturais de cada componente, permitindo que determinadas regiões assumissem geometrias mais leves quando não havia necessidade de preencher integralmente volumes com concreto maciço.
Essa possibilidade de controlar a distribuição do material diferencia o sistema de processos baseados em moldes padronizados, pois o concreto pode ser direcionado a regiões onde desempenha funções específicas, reduzindo a necessidade de reproduzir peças completamente cheias em toda a sua extensão.
Arquitetura computacional personaliza cada coluna
Outra característica do projeto está no desenvolvimento individual das colunas, cujas geometrias podem variar conforme os parâmetros definidos digitalmente, enquanto os programas utilizados pelos pesquisadores enviam as informações diretamente aos equipamentos responsáveis pela fabricação dos elementos estruturais.
Ao aproximar projeto digital e produção física, esse método permite fabricar componentes detalhados sem reproduzir necessariamente uma mesma geometria repetidas vezes, aproveitando a capacidade dos equipamentos robóticos para seguir trajetórias específicas definidas previamente pelos sistemas computacionais empregados.
Apesar do caráter experimental da construção, a Tor Alva não funciona apenas como demonstração tecnológica, porque o pavimento superior abriga um espaço coberto destinado a apresentações, enquanto visitantes podem percorrer diferentes níveis e observar diretamente as colunas que sustentam a estrutura.
O projeto também foi concebido com caráter temporário, e suas conexões permitem que a torre seja desmontada depois de permanecer alguns anos em Mulegns, possibilitando remover os componentes e, eventualmente, realizar uma nova montagem em outro local.
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Pré-fabricação ajuda construção em região montanhosa
Nos Alpes, a própria localização acrescenta desafios à execução de obras, sobretudo por causa das condições climáticas e da logística necessária em áreas montanhosas, fatores que tornam relevante a possibilidade de fabricar previamente determinados componentes em um ambiente controlado.
Ao transferir parte importante da produção para fora do canteiro, a fabricação prévia das peças reduz a quantidade de trabalho necessária diretamente no local, enquanto transporte e montagem passam a integrar uma estratégia construtiva baseada na combinação entre robótica e pré-fabricação.
Reunindo engenharia estrutural, arquitetura computacional e técnicas digitais de produção, a Tor Alva leva componentes impressos em 3D para uma construção de aproximadamente 30 metros, materializando em escala arquitetônica soluções desenvolvidas anteriormente em ambientes de pesquisa e protótipos menores.
Se robôs já conseguem fabricar colunas estruturais personalizadas, reduzir o uso de formas convencionais e participar da montagem de um edifício dessa escala, até onde a impressão 3D poderá transformar a maneira como grandes construções serão projetadas e erguidas?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

