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Sul de Minas entra na corrida global por terras raras com compra de R$ 3,5 bilhões, jazidas rasas e potencial para suprir até 20% da demanda mundial

Sul de Minas entra na corrida global por terras raras com compra de R$ 3,5 bilhões, jazidas rasas e potencial para suprir até 20% da demanda mundial

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Sul de Minas entra na corrida global por terras raras com compra de R$ 3,5 bilhões, jazidas rasas e potencial para suprir até 20% da demanda mundial

Escrito por Carla Teles

Publicado em 05/10/2026 às 10:28

Atualizado em 05/10/2026 às 10:30

Mineração

Canal

Terras raras levam Sul de Minas ao radar global; Projeto Caldeira avança em Poços de Caldas enquanto China domina a cadeia.

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Terras raras colocam Sul de Minas na disputa global, com compra bilionária, jazidas rasas e potencial de suprir até 20% da demanda mundial futura estimada.

As terras raras transformaram o Sul de Minas em uma das áreas brasileiras mais observadas por mineradoras estrangeiras. No Planalto de Poços de Caldas, projetos em Caldas, Poços de Caldas e municípios próximos avançam sobre depósitos rasos em argilas iônicas, enquanto uma aquisição de aproximadamente R$ 3,5 bilhões e estimativas de grande escala reforçam a posição da região na disputa internacional por minerais estratégicos.

As informações foram publicadas pelo g1 Sul de Minas em 2 de outubro de 2026. A movimentação envolve principalmente empresas australianas, projetos ainda em diferentes fases de pesquisa e licenciamento e uma corrida global para diversificar fornecedores de terras raras em um mercado hoje fortemente concentrado na China.

Compra de R$ 3,5 bilhões coloca Projeto Caldeira no centro da disputa

Imagem: Reprodução.

Um dos movimentos mais expressivos ocorreu com o acordo anunciado pela Lynas Rare Earths para adquirir a Meteoric Resources por cerca de A$ 968 milhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 3,5 bilhões na cotação citada pela fonte.

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Com a operação, a Lynas passará a controlar o Projeto Caldeira, localizado em Caldas, no Sul de Minas. A Meteoric já atuava na região desde 2023 e foi uma das primeiras empresas estrangeiras a adquirir projetos de exploração de terras raras no entorno do Planalto de Poços de Caldas.

O Projeto Caldeira ocupa uma área de 425 hectares e possui recursos minerais estimados em 128 milhões de toneladas. Segundo os dados apresentados pela empresa, o depósito reúne cerca de 802 mil toneladas de óxidos de neodímio e praseodímio, além de 41 mil toneladas de óxidos de disprósio e térbio.

A estimativa divulgada para o empreendimento aponta produção média anual de 3.862 toneladas de NdPr e 127 toneladas de DyTb durante sua vida útil. Os números ajudam a explicar por que o projeto passou a ocupar posição estratégica em uma cadeia internacional cada vez mais disputada.

Argilas rasas tornam depósitos mais fáceis de explorar

A geologia é um dos principais fatores que colocaram o Sul de Minas no radar internacional das terras raras.

O Planalto de Poços de Caldas foi formado a partir de atividade vulcânica antiga e reúne depósitos em argilas iônicas, nas quais os elementos podem ser encontrados próximos à superfície.

Essa característica permite exploração a céu aberto e pode tornar o processo mais simples e menos caro do que em depósitos encontrados em outras regiões do mundo.

A combinação entre grande extensão, alta concentração e ocorrência próxima da superfície cria uma vantagem geológica importante para os projetos instalados na região.

Segundo o geólogo Álvaro Fochi, citado pelo g1, a cratera de aproximadamente 800 km² poderia reunir potencial de até 300 milhões de toneladas de terras raras.

O próprio levantamento ressalva, porém, que esse volume não representa produção comercial garantida. Cada área precisa passar por pesquisa, estimativa de recursos, estudos de viabilidade, licenciamento e demais etapas antes de se transformar efetivamente em uma mina.

Três grupos australianos já possuem projetos estruturados

Além da Meteoric, outras empresas australianas avançam sobre depósitos de terras raras no Sul de Minas.

A Viridis Mining and Minerals desenvolve o Projeto Colossus, em Poços de Caldas, em uma área de 373 hectares. Quando estiver totalmente implantado, o projeto deverá movimentar cinco milhões de toneladas de argila por ano e produzir, em média, 2.843 toneladas anuais de neodímio-praseodímio.

A expectativa apresentada para o Colossus é de aproximadamente 40 anos de operação. A empresa prevê investimento de cerca de R$ 1,7 bilhão até o início do funcionamento da mina e anunciou outros R$ 132,5 milhões no quarto trimestre de 2025 para diferentes iniciativas.

Já a Power Minerals adquiriu por aproximadamente R$ 80 milhões a empresa responsável pelo projeto Morro do Ferro, também em Poços de Caldas. Em 2026, a companhia anunciou um alvo inicial de exploração estimado entre 9,2 milhões e 10,7 milhões de toneladas.

Os três projetos mostram que o interesse estrangeiro deixou de ser pontual e passou a envolver diferentes áreas e estágios de desenvolvimento.

Sul de Minas pode suprir até 20% da demanda mundial

Uma das estimativas mais relevantes citadas na reportagem é a possibilidade de o Sul de Minas suprir aproximadamente 20% da demanda global por terras raras.

Esse potencial, entretanto, ainda depende da viabilidade individual dos projetos. Os volumes identificados em estudos geológicos não devem ser confundidos automaticamente com produção efetiva.

Em apenas 15% da área da caldeira de Poços de Caldas, foram identificados cerca de dois bilhões de toneladas de argila contendo íons de terras raras. Segundo estudos das mineradoras, esse volume seria suficiente para aproximadamente 20 anos de mineração.

No Projeto Caldeira, a Meteoric estimou capacidade de produzir cerca de 12,5 mil toneladas de óxidos de terras raras por ano e afirmou que o empreendimento poderia atender aproximadamente 8% da demanda mundial.

O Projeto Colossus possui reservas minerais totais estimadas em 200,1 milhões de toneladas, suficientes, segundo a empresa, para sustentar uma operação de cinco milhões de toneladas anuais durante 40 anos.

O potencial regional é elevado, mas transformar estimativas geológicas em fornecimento real dependerá de licenciamento, investimentos e comprovação econômica.

China ainda domina produção e processamento

A corrida pelas terras raras ocorre em um mercado altamente concentrado.

A China responde por cerca de 70% da produção mundial e por quase 90% do processamento e da fabricação de ímãs, segundo os dados apresentados pelo g1.

Essa concentração levou Estados Unidos e União Europeia a intensificarem a busca por novos fornecedores e por projetos capazes de diversificar a cadeia.

O Brasil ganhou importância nesse cenário por possuir grandes reservas e projetos que começam a atrair capital estrangeiro em escala maior.

A Austrália também desempenha papel relevante. O país detém aproximadamente 5% das reservas globais e está entre os principais produtores fora da China, o que ajuda a explicar a presença de empresas australianas no Sul de Minas.

Interesse estrangeiro já vai além da Austrália

A disputa não está restrita aos grupos australianos.

A Meteoric assinou um memorando de parceria estratégica com a sul-coreana POSCO International Corporation, que prevê a possibilidade de aquisição de até 30% da produção do Projeto Caldeira durante um período de até sete anos.

A companhia também mantém entendimento não vinculante com a americana Ucore Rare Metals para testes relacionados à separação do material produzido no projeto.

A Viridis, por sua vez, já enviou amostras de minério e carbonato misto de terras raras para Austrália e países europeus para análises técnicas e possíveis acordos futuros.

O movimento mostra que a região passou a ser observada não apenas por quem pretende extrair os minerais, mas também por empresas interessadas no processamento e na compra futura da produção.

Brasil tem grandes reservas, mas participação pequena na produção

Apesar da relevância geológica, o Brasil ainda ocupa espaço reduzido na produção mundial.

Segundo a reportagem, o país possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas responde por aproximadamente 1% da produção global.

Em setembro, foi sancionada a lei que criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A legislação busca estimular o processamento no país e prevê até R$ 7 bilhões em incentivos para projetos ligados ao setor.

A expansão também aumenta a pressão por avaliação ambiental e social. No Planalto de Poços de Caldas, projetos ficam próximos de comunidades, unidades de conservação e de uma antiga unidade de mineração de urânio em processo de descomissionamento.

O avanço da região dependerá, portanto, não apenas do tamanho das jazidas, mas da capacidade de transformar recursos minerais em projetos economicamente viáveis e ambientalmente licenciados. Com aquisições bilionárias, depósitos rasos, grandes estimativas de recursos e interesse internacional crescente, o Sul de Minas entrou de forma concreta na corrida global pelas terras raras.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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