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Tanzânia descobre 223 bilhões de pés cúbicos de gás e libera quatro novas áreas de exploração

Tanzânia descobre 223 bilhões de pés cúbicos de gás e libera quatro novas áreas de exploração

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Tanzânia descobre 223 bilhões de pés cúbicos de gás e libera quatro novas áreas de exploração

Escrito por Carla Teles

Publicado em 29/10/2026 às 17:58

Atualizado em 29/10/2026 às 18:04

Petróleo e Gás

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Tanzânia anuncia descoberta de 223 bilhões de pés cúbicos de gás natural e autoriza quatro novas áreas de exploração para a estatal TPDC.

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Após descoberta em Mnazi Bay, estatal recebe licenças para ampliar pesquisas geológicas e perfuração, enquanto operadora francesa prepara nova etapa de produção.

A Tanzânia anunciou a descoberta de aproximadamente 223 bilhões de pés cúbicos de gás natural e concedeu quatro novas licenças de exploração à estatal Tanzania Petroleum Development Corporation (TPDC). As autorizações foram assinadas em 28 de outubro de 2026, na capital econômica Dar es Salaam, um dia depois de o governo divulgar os resultados de um poço perfurado na região de Mtwara, no sul do país.

Segundo informações publicadas pela World Oil em 29 de outubro, a descoberta ocorreu no poço Kasa-1X ST2, operado pela francesa Maurel & Prom em parceria com a TPDC. O anúncio encerra um intervalo de mais de uma década sem novas descobertas de gás natural comunicadas pelo país e amplia as perspectivas de produção destinadas ao abastecimento elétrico e industrial.

Governo concede quatro licenças à TPDC após descoberta em Mnazi Bay

Complexo de plataformas offshore em imagem ilustrativa sobre a exploração de petróleo e gás. Foto: Aron Razif/Pexels.

As novas autorizações abrangem Eyasi-Wembere, Lindi-Mtwara, West Songo Songo e Mnazi Bay North, áreas com diferentes estágios de pesquisa geológica e avaliação do potencial de petróleo e gás.

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A cerimônia ocorreu no Centro Internacional de Convenções Julius Nyerere, em Dar es Salaam, com a presença do vice-presidente da Tanzânia, Deogratius Ndejembi, e do ministro de Energia, Juma Zuberi Homera.

Segundo o jornal local The Citizen, a medida amplia a participação direta da TPDC na exploração de hidrocarbonetos. A estatal passa a deter licenças em seu próprio nome, em vez de depender exclusivamente de participações em projetos conduzidos por outras empresas.

Em Mnazi Bay North, localizado no mar, em águas que se aproximam de 800 metros de profundidade, a TPDC já interpretou dados sísmicos bidimensionais e tridimensionais. A próxima etapa envolve estudos detalhados para definir os locais de uma futura perfuração.

Em West Songo Songo, a empresa prepara a contratação de serviços de sísmica 3D. Já no bloco Lindi-Mtwara, a estatal está coletando informações adicionais para identificar possíveis alvos exploratórios.

Na região de Eyasi-Wembere, os trabalhos incluem levantamentos sísmicos 2D, após estudos geofísicos e geoquímicos realizados anteriormente.

A concessão das licenças não significa que existam reservas comprovadas em todos esses blocos. Os resultados dependerão de novas pesquisas e perfurações.

Poço Kasa-1X identifica gás a 4,5 quilômetros da costa africana

A descoberta anunciada em outubro ocorreu na concessão de Mnazi Bay, onde a Maurel & Prom possui participação de 60% e a TPDC controla os outros 40%.

A perfuração começou em junho de 2026, a partir de uma instalação em terra. O poço alcançou um reservatório localizado aproximadamente 4,5 quilômetros em direção ao mar, abaixo de uma lâmina d’água de cerca de 400 metros.

Segundo o relatório operacional da Maurel & Prom, divulgado em 22 de outubro, a perfuração confirmou um reservatório com características consideradas favoráveis pela companhia.

Após a primeira identificação de gás, os técnicos realizaram uma perfuração lateral que atravessou aproximadamente 588 metros da formação produtora.

O governo da Tanzânia anunciou uma estimativa de 223 bilhões de pés cúbicos para a descoberta. A Maurel & Prom, entretanto, apresentou um cálculo preliminar de aproximadamente 200 bilhões de pés cúbicos, sujeito a novas avaliações.

A diferença corresponde a 23 bilhões de pés cúbicos e decorre das estimativas divulgadas por cada instituição. Nenhum dos valores deve ser confundido automaticamente com reservas comercialmente recuperáveis certificadas.

Convertido para o sistema métrico, o volume governamental corresponde a aproximadamente 6,3 bilhões de metros cúbicos de gás natural.

Operadora francesa prevê produção de até 50 milhões de pés cúbicos por dia

Plataforma marítima e navio em imagem ilustrativa sobre a expansão da exploração de hidrocarbonetos. Imagem: Pexels.

A Maurel & Prom informou que o Kasa-1X poderá iniciar a produção já em novembro de 2026, com potencial bruto estimado de aproximadamente 50 milhões de pés cúbicos de gás por dia.

O ministro de Energia da Tanzânia apresentou uma previsão diferente, de cerca de 30 milhões de pés cúbicos diários durante pelo menos dez anos. Ambas são projeções e ainda dependem da execução operacional e das condições efetivas do reservatório.

Enquanto o novo poço é preparado, a produção da concessão Mnazi Bay já aumentou com a entrada em operação de dois outros poços, chamados MB-5 e MS-2.

No relatório referente aos nove primeiros meses de 2026, a Maurel & Prom informou que a produção total do campo havia alcançado aproximadamente 130 milhões de pés cúbicos por dia em outubro.

Os dois poços adicionaram capacidade produtiva e elevaram o potencial combinado das instalações existentes para perto de 200 milhões de pés cúbicos diários. As unidades de processamento também passaram por testes com vazão de 150 milhões de pés cúbicos por dia.

A diferença entre capacidade e produção efetiva é relevante. Um campo pode apresentar potencial técnico superior ao volume comercializado, dependendo da demanda, das instalações e das condições operacionais.

A expansão das fronteiras de exploração de petróleo e gás também aparece em outros países africanos, incluindo São Tomé e Príncipe, onde a Petrobras assumiu participação majoritária em um bloco offshore em abril de 2026.

Gás natural já abastece usinas elétricas em Mtwara e Dar es Salaam

O destino do gás produzido ajuda a explicar o interesse do governo em ampliar a exploração.

Segundo o ministro Juma Zuberi Homera, mais de 80% do volume extraído em Mnazi Bay é destinado à geração de eletricidade em instalações da Tanzania Electric Supply Company (TANESCO), principalmente nas regiões de Mtwara e Dar es Salaam.

O combustível também atende atividades industriais e participa da infraestrutura energética utilizada para sustentar o crescimento da demanda interna.

A Tanzânia possui aproximadamente 57,5 trilhões de pés cúbicos de recursos de gás natural descobertos, conforme os números apresentados pelo governo. Desse total, cerca de 47,1 trilhões de pés cúbicos estão em áreas offshore e 10,4 trilhões em terra.

Os recursos descobertos não equivalem integralmente a reservas provadas ou volumes disponíveis para produção imediata.

O governo trabalha ainda na construção de um gasoduto de aproximadamente 35 quilômetros para conectar o campo Ntorya à unidade de processamento de Madimba. Segundo a World Oil, as obras estavam cerca de 74% concluídas no momento do anúncio.

A ampliação das instalações de processamento e transporte influencia diretamente a capacidade de transformar descobertas em fornecimento comercial.

No Brasil, essa mesma relação entre produção e infraestrutura aparece nas discussões sobre o custo do gás natural para a indústria, que envolve transporte, distribuição e condições de contratação.

Tanzânia negocia projetos de GNL e amplia participação estatal nos campos

Além das licenças exploratórias, a TPDC mantém conversas com quatro possíveis investidores interessados em projetos de gás natural liquefeito (GNL) de pequena escala. Três propostas estão relacionadas à região de Mtwara.

O GNL é produzido por meio do resfriamento do gás natural até sua transformação em líquido, reduzindo seu volume e facilitando o transporte em situações nas quais os gasodutos não são a alternativa escolhida.

Essas negociações ainda não representam contratos finais de investimento ou instalações em operação.

O governo também ampliou sua participação em Mnazi Bay. Em 2024, a TPDC elevou sua fatia de 20% para 40%, enquanto a Maurel & Prom permaneceu responsável pela operação com participação de 60%.

A estratégia de aumentar a presença de empresas estatais em projetos africanos também envolve acordos de cooperação. Em setembro de 2026, a Petrobras e a estatal de Moçambique assinaram um memorando para avaliar oportunidades em petróleo e gás e compartilhar conhecimentos técnicos.

Na Tanzânia, o governo informou que aproximadamente 200 trabalhadores nacionais conseguiram empregos nas empresas envolvidas na campanha de perfuração de Mnazi Bay. Também foram registrados 35 contratos com fornecedores locais, avaliados em mais de 20 bilhões de xelins tanzanianos.

Esses números se referem às atividades já realizadas e não representam uma previsão de empregos diretamente criados pelas quatro novas licenças.

Próximos trabalhos envolvem novas perfurações e avaliação comercial do gás

Com as quatro autorizações formalizadas, a TPDC deverá avançar nos estudos sísmicos e na preparação dos próximos poços exploratórios.

A primeira produção do Kasa-1X permanece prevista pela Maurel & Prom para novembro de 2026, mas a empresa ainda precisará confirmar a vazão efetiva e avaliar o comportamento do reservatório durante a operação.

Os novos blocos também dependerão de resultados geológicos, financiamento e infraestrutura antes de qualquer decisão de desenvolvimento comercial.

O próximo resultado conhecido será o avanço da preparação do Kasa-1X para produção, enquanto as equipes da TPDC continuam os levantamentos nos quatro blocos recém-licenciados.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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