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Técnica com quase 12 anos de Anglo American acompanha de uma sala de controle em Conceição do Mato Dentro as 5 perfuratrizes autônomas que tomaram o lugar de 7 máquinas convencionais na mina do Minas-Rio

Técnica com quase 12 anos de Anglo American acompanha de uma sala de controle em Conceição do Mato Dentro as 5 perfuratrizes autônomas que tomaram o lugar de 7 máquinas convencionais na mina do Minas-Rio

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Técnica com quase 12 anos de Anglo American acompanha de uma sala de controle em Conceição do Mato Dentro as 5 perfuratrizes autônomas que tomaram o lugar de 7 máquinas convencionais na mina do Minas-Rio

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 01/10/2026 às 23:15

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Desde 30 de setembro, as perfuratrizes autônomas da Anglo American no Minas-Rio executam sozinhas os ciclos de perfuração, e a técnica controladora Ana Cláudia Oliveira, com quase 12 anos de empresa, acompanha cada furo a partir de uma sala em Conceição do Mato Dentro, no interior de Minas Gerais.

A quinta máquina entrou em operação autônoma no último dia de setembro e fechou a implantação da frota. Agora são 5 perfuratrizes autônomas fazendo o trabalho que antes pedia 7 perfuratrizes convencionais.

A informação foi divulgada pela própria mineradora e publicada em 1º de outubro pela Revista Mineração, pelo De Fato Online e pela Brasil Mineral, com falas da técnica e do gerente da mina.

A quinta máquina passou por teste manual antes de andar sozinha

Antes de rodar sem operador, a última perfuratriz cumpriu um roteiro conhecido: planejamento, montagem, comissionamento e testes ainda em operação convencional com gente no comando, antes de qualquer automação.

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Só depois veio a instalação e a validação do sistema de automação. Com isso, os ciclos de perfuração passaram a ser executados pela própria máquina, enquanto as equipes acompanham tudo a distância.

Segundo a Anglo American, a mudança faz parte do programa global Mina Moderna, que reúne as iniciativas da companhia para levar automação, segurança e eficiência às suas operações de mineração.

A sala que comanda as máquinas abriu em setembro de 2025

O ponto de controle é o Centro de Operações Remotas, o COR, inaugurado em setembro de 2025. Ali ficam o Command Center das perfuratrizes autônomas e as estações de onde se comandam tratores teleoperados.

Centro de Operações Remotas do Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro (MG). Foto: Divulgação/Anglo American

Nas telas, as equipes acompanham em tempo real o desempenho de cada equipamento, os parâmetros de perfuração e as condições da operação. Dessa forma, as decisões passam a sair de um único lugar.

A empresa também diz que a operação remota abre espaço para que pessoas com deficiência atuem na operação da mina, a partir das estações instaladas dentro do centro de controle.

Ana Cláudia viu a rotina do furo sair da cabine para a tela

A técnica controladora acompanhou de perto a chegada das máquinas autônomas. Em depoimento divulgado pela empresa, ela resume a diferença entre o modelo antigo e o atual sem rodeios.

“Antes, a operação era convencional e o profissional atuava diretamente na máquina, ficando exposto a riscos. Hoje, os ciclos de perfuração são executados de forma autônoma e acompanhados em tempo real”, disse.

Hoje o trabalho dela e da equipe é monitorar parâmetros da máquina, interpretar alarmes, analisar dados e ajustar a operação às características de cada furo, sempre conversando com manutenção e operação.

Menos gente perto da máquina, mais gente olhando dados

Para Ana Cláudia, o ganho está na combinação entre segurança e uso de dados. “A tecnologia reduz a exposição direta das pessoas às condições da operação”, afirmou na mesma conversa divulgada pela mineradora.

Ao mesmo tempo, ela reconhece que o novo arranjo cobra estudo. Segundo a técnica, os profissionais precisam desenvolver novas competências para acompanhar equipamentos, interpretar informações e decidir a partir dos números.

“É uma mudança que exige aprendizado contínuo”, disse. Confesso que é essa a frase que mais pesa na história, porque descreve o que acontece com quem trabalha numa mina que se automatiza.

Estação de operação remota no COR do Minas-Rio, em imagem de divulgação de 2025. Foto: Divulgação/Anglo American

O gerente fala em outra forma de organizar o trabalho

Roberto Moraes, gerente de Operações de Mina da Anglo American em Conceição do Mato Dentro, trata a implantação como uma mudança na forma como o trabalho é organizado, e não só como troca de equipamento.

“A automação exige uma preparação diferente das equipes e amplia as possibilidades de atuação profissional”, afirmou. Segundo ele, o processo foi construído ao longo dos últimos anos, com participação de diferentes áreas.

De acordo com a empresa, o projeto envolveu treinamento de equipes, criação de novas funções e desenvolvimento de competências em automação, análise de dados e supervisão operacional dentro da mina.

O que a empresa ainda não contou sobre as 7 máquinas antigas

Há lacunas no anúncio. A mineradora não informou quantos técnicos trabalham hoje no COR, quanto investiu na frota nem qual foi o ganho de produtividade das perfuratrizes autônomas.

Também não detalhou o que aconteceu com os operadores que trabalhavam nas sete perfuratrizes convencionais. O que a empresa diz é que houve capacitação e criação de funções, sem números por trás.

Por isso, a comparação de 5 contra 7 fala de máquinas, não de empregos. Quem mora na região vai querer essa resposta, e dá pra entender o porquê.

Uma mina que manda minério por um tubo de 529 km

As perfuratrizes abrem os furos na mina de Conceição do Mato Dentro, ponto de partida do Sistema Minas-Rio. Dali, o minério segue por um mineroduto de 529 quilômetros que atravessa 33 municípios.

O destino é o Porto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro. Conforme a Anglo American, o sistema opera desde outubro de 2014 e produz minério com teor médio de ferro de 67%.

Instalações do complexo Minas-Rio em Conceição do Mato Dentro (MG). Foto: Divulgação/Anglo American

Em 1º de agosto de 2025, a operação atingiu a marca de 200 milhões de toneladas exportadas pelo porto fluminense, com 1.234 navios embarcados desde o começo, segundo comunicado da companhia.

Produção perto de 25 milhões de toneladas por ano

Em 2025, o Minas-Rio produziu 24,8 milhões de toneladas de minério de ferro, conforme o balanço anual divulgado pela Anglo American em fevereiro. Para 2026, a projeção da companhia é de 24 milhões a 26 milhões de toneladas.

Portanto, as perfuratrizes autônomas entram numa operação que já roda em ritmo alto. O trabalho delas é o primeiro passo da cadeia, abrindo os furos que antecedem a retirada do minério.

Não é a primeira vez que a automação aparece por aqui na mineração brasileira. Em setembro, contamos a história do técnico do Senai Cimatec que opera a planta piloto de Camaçari, na Bahia.

Conceição do Mato Dentro já recrutou operador na própria região

A relação da mina com a mão de obra local aparece em outros anúncios. Em março de 2025, a Anglo American abriu mais de 70 vagas de operador de equipamentos para o Sistema Minas-Rio.

Naquela seleção, a empresa exigia ensino médio completo, CNH nas categorias C, D ou E e moradia em Conceição do Mato Dentro, Serro, Congonhas do Norte, Dom Joaquim ou Alvorada de Minas.

Agora, com a frota autônoma concluída, o perfil pedido tende a incluir leitura de dados e operação remota. A mineração em Minas também mexe com quem vive ao redor, como mostrou o caso do morador de Salinas e a represa da cidade.

O próximo passo, segundo a mina, é consolidar o modelo

Com as cinco máquinas operando sozinhas, a empresa diz que começa uma fase de consolidação. Os processos criados no Minas-Rio já são tratados como referência no Brasil e dentro do grupo global.

“Concluímos um ciclo importante de implantação. O próximo passo será consolidar esse modelo, continuar desenvolvendo as pessoas e capturar todo o potencial oferecido pela automação”, afirmou Roberto Moraes.

Para Ana Cláudia, que acompanhou a transição do campo para a tela, o dia a dia já é outro. A perfuração continua, mas quem a acompanha agora olha alarmes, parâmetros e dados em vez de ficar ao lado da máquina.

Você trocaria o comando de uma máquina na mina por uma cadeira diante de telas, acompanhando tudo a distância?

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Fontes

Anglo American conclui implantação de cinco perfuratrizes autônomas em MG

Conceição do Mato Dentro: Frota de perfuração autônoma muda rotina da mina da Anglo American

Anglo American instala frota de perfuratrizes autônomas no Minas-Rio

Anglo American e Ferroport atingem 200 milhões de toneladas exportadas no Porto do Açu

Anglo American divulga resultados de 2025

Anglo American abre mais de 70 vagas para operação de equipamentos no Sistema Minas-Rio


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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