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Terras raras na Bahia: recursos indicados de Monte Alto aumentam 41%
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 28/10/2026 às 11:34
Atualizado em 28/10/2026 às 11:35
Mineração
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Brazilian Rare Earths amplia em 41% os recursos indicados de terras raras na Bahia e estuda vender concentrado antes da refinaria em Camaçari.
A Brazilian Rare Earths passou a contabilizar 3,54 milhões de toneladas de recursos minerais indicados de alto teor no projeto Monte Alto, entre Jiquiriçá e Ubaíra, na Bahia. O volume representa um aumento de 41% em relação aos 2,51 milhões de toneladas estimados anteriormente. Divulgado pela mineradora australiana na segunda-feira (26 de outubro de 2026), o levantamento chega em um momento em que a companhia estuda antecipar a comercialização de concentrado mineral, sem esperar pela construção da refinaria planejada para Camaçari.
Venda de concentrado pode anteceder a refinaria
Uma das alternativas em avaliação é desenvolver a extração mineral antes de instalar toda a estrutura industrial prevista para o processamento das terras raras. Nesse modelo, Monte Alto começaria com atividades de mineração e beneficiamento, utilizando métodos convencionais e separação física para obter um concentrado de alto teor destinado ao mercado internacional.
A proposta permitiria reduzir os investimentos necessários na fase inicial do empreendimento. Na avaliação de Bernardo da Veiga, diretor-presidente da Brazilian Rare Earths, as receitas obtidas com essa comercialização poderiam contribuir para financiar as etapas seguintes, diminuindo a necessidade de recorrer a capital externo.
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A operação, entretanto, ainda não está definida. Sua implantação dependerá de avaliações técnicas e econômicas, além das autorizações necessárias para que a produção e a comercialização possam ocorrer.
Descobertas no sul de Monte Alto impulsionam nova estimativa
A aproximadamente 270 quilômetros a sudoeste de Salvador, Monte Alto faz parte do complexo Rocha da Rocha, que também abriga o depósito Sulista. Entre os empreendimentos da Brazilian Rare Earths no Brasil, é o que se encontra em estágio mais avançado de desenvolvimento.
A principal contribuição para a revisão veio da porção sul do depósito, onde novas zonas de mineralização foram identificadas. Somente nessa região, os recursos indicados chegaram a 1,9 milhão de toneladas, aproximadamente três vezes o volume calculado anteriormente.
Para atualizar os números, a empresa incorporou informações de 33 furos, responsáveis por acrescentar 8,1 mil metros de perfurações ao levantamento. Com esses dados, o histórico de investigação geológica utilizado pela mineradora ultrapassa 43 mil metros de sondagens diamantadas, distribuídos por 255 furos.
Estimativa de 4,4 milhões de toneladas inclui recursos inferidos
A atualização também modificou o cálculo que reúne os recursos indicados e inferidos de altíssimo teor. Juntas, essas categorias passaram a representar 4,4 milhões de toneladas, contra 3,4 milhões na avaliação anterior, uma diferença de 29%.
Embora a quantidade estimada tenha aumentado, a concentração média de óxidos de terras raras nesse conjunto passou de 11,26% para 9,87%. Considerando apenas os recursos indicados, o teor médio informado pela Brazilian Rare Earths é de 10,71%.
Há uma distinção importante entre essas classificações. Os recursos indicados apresentam maior nível de conhecimento geológico do que os inferidos, mas nenhum desses volumes deve ser confundido com reservas minerais cuja exploração econômica já tenha sido demonstrada.
Essa definição dependerá de novas análises sobre as condições técnicas e econômicas necessárias para desenvolver a atividade minerária.
Além das terras raras leves, depósito contém minerais estratégicos
Entre os elementos identificados em Monte Alto estão o praseodímio e o neodímio, empregados principalmente na produção de ímãs permanentes. O depósito também apresenta disprósio e térbio, integrantes do grupo das terras raras pesadas.
Esses materiais têm aplicações em tecnologias que precisam manter o desempenho dos ímãs mesmo sob temperaturas elevadas. Estão presentes em soluções utilizadas por diferentes setores, incluindo a indústria de equipamentos, a fabricação de turbinas eólicas, os veículos elétricos e os sistemas de defesa.
As pesquisas geológicas também apontaram a presença de escândio, tântalo, nióbio e urânio. Isso, porém, não significa que esses minerais já possam ser explorados comercialmente, uma possibilidade que continuará sujeita a avaliações específicas.
Camaçari integra a próxima etapa do planejamento industrial
Mesmo com a possibilidade de comercializar concentrado antes, a Brazilian Rare Earths mantém a intenção de construir uma refinaria no Polo Industrial de Camaçari. A instalação está prevista para receber material mineral e realizar processos hidrometalúrgicos e de separação, permitindo a obtenção de produtos de maior valor agregado.
O desenvolvimento em fases é uma alternativa à implantação simultânea de toda a cadeia produtiva. Dessa maneira, a companhia pretende avaliar primeiro uma estrutura de menor complexidade, deixando o processamento industrial mais avançado para um momento posterior.
Por enquanto, não existe uma data definitiva divulgada para o início da construção da refinaria. O mesmo vale para as possíveis exportações de concentrado, que permanecem condicionadas aos resultados dos estudos em andamento.
Estudo previsto para dezembro avaliará primeira fase de Monte Alto
A próxima etapa deverá avançar até dezembro de 2026, prazo estabelecido pela Brazilian Rare Earths para concluir o estudo de viabilidade da operação inicial. A análise utilizará os dados geológicos atualizados para examinar os investimentos exigidos, as condições de exploração e a viabilidade da comercialização do concentrado mineral.
Enquanto essa avaliação é desenvolvida, novas investigações do subsolo também estão previstas. A programação contempla mais de 5 mil metros de sondagens, direcionadas a regiões de Monte Alto onde ainda existe potencial para identificar mineralização adicional.
Fonte
CNN Brasil
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

