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Torre eólica de 365 metros na Alemanha, mais alta que a Eiffel, põe turbina de 3,8 MW a 300 m do chão e promete o dobro da energia, mas a prova só vem em novembro

Torre eólica de 365 metros na Alemanha, mais alta que a Eiffel, põe turbina de 3,8 MW a 300 m do chão e promete o dobro da energia, mas a prova só vem em novembro

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Torre eólica de 365 metros na Alemanha, mais alta que a Eiffel, põe turbina de 3,8 MW a 300 m do chão e promete o dobro da energia, mas a prova só vem em novembro

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 11/10/2026 às 14:18

Atualizado em 11/10/2026 às 14:19

Energia Renovável

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A torre de treliça de Schipkau com a turbina no topo, rodeada de aerogeradores convencionais, que parecem pequenos ao lado dela. Foto: Divulgação/Cortesia de GICON

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A torre eólica da GICON, em Schipkau, chegou à altura final em 28 de setembro e tem altura de cubo de 300 metros. A matéria mostra a conta de energia que não fecha entre as metas divulgadas, compara com as torres brasileiras de 80 a 120 metros e com o projeto cearense de 257 metros.

A torre eólica de Schipkau, na Alemanha, atingiu a altura final de 365 metros em 28 de setembro de 2026, informou a engenharia GICON no comunicado oficial. A empresa de Dresden diz que, com altura de cubo de 300 metros, é a mais alta do mundo e a segunda maior estrutura da Alemanha.

A agência Associated Press informa que a inauguração está marcada para 19 de novembro. Até lá, a turbina da torre eólica não gira, e toda a promessa de energia ainda é projeção.

Quão alta é uma torre eólica de 365 metros?

Mais alta que a Torre Eiffel, de 330 metros, por 35 metros de diferença. A Torre de TV de Berlim, o prédio mais alto do país, tem 368 metros e fica só 3 metros acima, conforme a AP.

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Existem duas medidas, e a confusão é comum. A altura de cubo vai do chão até o centro do rotor e, em Schipkau, é de 300 metros. A altura total, até a ponta da pá no ponto mais alto, chega a 365.

É a altura de cubo que decide quanto vento a turbina pega. As torres convencionais da Alemanha ficam bem abaixo de 200 metros nessa medida, lembra a AP, e é aí que o protótipo se separa delas.

O que a GICON fez de diferente para erguer a torre?

Não é um tubo de aço ou de concreto. Essa torre eólica é uma torre de treliça que a GICON chama de teleskopierbar, ou seja, que sobe em duas partes. Pelo comunicado de julho de 2025, a estrutura usa mais de 2 mil toneladas de aço e 22 mil peças individuais. A turbina, de 3,8 MW, é da fabricante Vensys.

A estrutura de aço pronta, com cerca de 167 metros, antes do mastro interno subir. Foto: Divulgação/GICON

O truque está no fim da obra. A turbina foi montada numa altura em que os guindastes alcançam e, depois, o mastro interno foi puxado para cima com um sistema de cabos de içamento. Foi esse movimento que levou a torre aos 365 metros em 28 de setembro. Não houve guindaste capaz de levantar uma turbina a 300 metros.

Entre o início e o fim, a obra passou por marcos que a própria empresa publicou:

DataMarcoFonte16/07/2025Começa a estrutura de aço, com operação prevista para o verão de 2026GICONFim de 2025Obra parada por problema em peças de açoEuronews25/06/2026Torre chega a 143 metros, com segmento de 185 toneladas içado a 120 metrosGICON16/07/2026Estrutura de aço pronta, com cerca de 167 metrosGICON28/09/2026Mastro interno sobe e a torre chega a 365 metrosGICON19/11/2026Inauguração previstaAP

A parada de fim de 2025 aparece no relato da Euronews. O fundador da GICON, Jochen Großmann, disse na época que segurança e qualidade têm prioridade absoluta. O resultado é uma entrega quase cinco meses depois da janela original de verão.

Quanta energia a torre eólica de Schipkau deve gerar?

Aqui os números da empresa não fecham entre si. No comunicado de julho de 2025, a GICON previa pelo menos 18 milhões de kWh por ano, o bastante para cerca de 6 mil casas. A Euronews, em 30 de setembro de 2026, cita meta de 30 a 33 gigawatts-hora anuais e custo abaixo de 5 centavos de euro por kWh.

A torre aos 143 metros, em junho, com o guindaste que levantou o segmento de 185 toneladas. Foto: Divulgação/GICON

A conta é simples. A turbina tem 3,8 MW. Rodando o ano inteiro na potência máxima, são 3,8 MW multiplicados por 8.760 horas, ou 33,3 GWh. Os 18 milhões de kWh pedem uma turbina a cerca de 54% da potência máxima o ano todo. Já 30 a 33 GWh exigiriam algo entre 90% e 99%, o que nenhuma máquina de vento entrega.

Não achei no comunicado de 28 de setembro nenhuma explicação para essa diferença. Por isso, este texto trata os 18 milhões de kWh como o piso declarado e os 30 a 33 GWh como meta citada pela imprensa, sem confirmação da empresa.

A promessa principal é outra: que essa torre eólica gere o dobro da energia de uma torre convencional com o mesmo rotor. É projeção da GICON, baseada em medições de vento a 300 metros num mastro em Klettwitz, segundo a Euronews. A turbina de Schipkau ainda não operou.

O Brasil está longe de uma torre eólica assim?

Está, e bastante. Segundo o G1, com dados do Ministério de Minas e Energia, as torres em operação no país têm entre 80 e 120 metros. Comparando só a altura de cubo, a torre alemã de 300 metros tem 2,5 vezes os 120 metros e 3,75 vezes os 80 metros.

O maior projeto brasileiro está no Ceará. A Casa dos Ventos, a chinesa Goldwind e a Cortez Engenharia planejam, em São Gonçalo do Amarante, uma torre de concreto de 166 metros, que com a pá chega a 257. O investimento é de R$ 94,4 milhões, segundo o G1. O CPG já mostrou o projeto de 257 metros no Ceará em janeiro.

Fazendo a conta contra a alemã: 365 menos 257 dá 108 metros de diferença na altura total, e 300 menos 166 dá 134 metros na altura de cubo.

Não confirmei se a torre cearense já está de pé. O G1 apontava obras de instalação a partir do segundo semestre de 2027, e o Movimento Econômico relatou em 2 de junho que o governo do Ceará anunciou obras de preparação e fundação no pátio da ArcelorMittal Pecém.

Na hora de erguer uma torre eólica alta, os dois países esbarram no mesmo problema. Os guindastes disponíveis no Brasil não levantam turbina acima de 135 metros, segundo as duas reportagens. A Alemanha resolveu com mastro que sobe, e o Ceará aposta em torre de concreto que se iça sozinha.

O que a GICON quer fazer depois da torre eólica?

A GICON quer levar a torre eólica à produção em série o quanto antes, segundo o comunicado. A conta que ela apresenta: pelas estimativas atuais, a Alemanha poderia receber até 4 mil torres como “segundo andar” de parques eólicos já existentes, sem ocupar terra nova. Para as próximas unidades, a GICON fala em turbinas de mais de 7 MW, o dobro da de Schipkau.

A AP acrescenta que a empresa pretende usar os dados do protótipo para montar um parque com três a cinco torres extra-altas. O ministro federal do Meio Ambiente, Carsten Schneider, afirmou à Euronews que o projeto ajuda a deixar a Alemanha independente do petróleo e do gás de outras regiões.

Quem financia é o governo alemão. O projeto foi encomendado pela agência federal de inovações de ruptura SPRIND, que o descreve como a primeira inovação de ruptura aprovada por seu conselho.

Na obra, a GICON publicou no canal oficial do YouTube o momento em que a torre chegou a 143 metros:

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O que ainda falta provar na torre eólica de Schipkau?

A turbina precisa ligar. Só depois da inauguração, em 19 de novembro, dá para medir quanto a máquina produz de verdade e se a promessa do dobro de energia se confirma. Até lá, 365 metros é altura, e não resultado.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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