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Trabalhador de mina de minerais críticos com diploma universitário tem salário mediano de R$ 11.856, 3,7 vezes o de quem só tem o fundamental, num setor que já emprega 129 mil pessoas no Brasil
Escrito por Douglas Avila
Publicado em 16/10/2026 às 22:37
Atualizado em 16/10/2026 às 22:40
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Nos minerais críticos, o diploma universitário muda a faixa de salário: segundo dados da ANM, a remuneração mediana de quem tem curso superior chegou a R$ 11.856 em 2025, contra R$ 3.218 de quem parou no fundamental, num ramo que já soma 129 mil empregos.
ANM abre portal com emprego e renda de quem trabalha nos minerais críticos
A Agência Nacional de Mineração lançou em 14 de outubro o Portal de Minerais Críticos e Estratégicos. A ferramenta reúne dados de produção, pesquisa e mercado de trabalho do setor mineral.
Os números de emprego e renda são de 2025. Conforme a agência, eles permitem ver quantas pessoas trabalham nessas cadeias, quanto ganham e qual é o perfil delas.
Inara Barbosa, superintendente de Economia Mineral da ANM, disse que o portal permite consultar dados sobre empregos, remuneração e perfil dos trabalhadores.
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Setor responde por 129.423 vagas, mais da metade da indústria extrativa
Segundo a ANM, os minerais críticos e estratégicos responderam por 129.423 empregos em 2025. A indústria extrativa mineral inteira somou 226.634 postos no mesmo ano.
Ou seja, de cada dez trabalhadores da extração mineral, quase seis estão em cadeias classificadas como críticas ou estratégicas. A fatia, pela conta da agência, é de 57%.
E o número cresceu. Entre 2023 e 2025, o emprego nesse grupo subiu 8,6%, de acordo com a ANM.
Ferro e ouro entram na conta por causa de uma resolução de 2021
O tamanho do número tem explicação. A lista brasileira de minerais críticos e estratégicos foi definida pela Resolução 02/2021 do Ministério de Minas e Energia.
Essa lista não se limita a lítio, níquel ou terras raras. Ela inclui também o minério de ferro e o ouro, que estão entre as maiores operações de mineração do país.
Por isso, os 129 mil empregos não descrevem só as minas de minerais ligados à transição energética, como lítio e terras raras. Descrevem também as grandes minas de ferro e de ouro, que estão entre as maiores operações do país e entram no mesmo recorte da agência.
A ANM não informa, na nota de lançamento, qual base de dados usou para o levantamento de emprego e renda.
Diploma universitário multiplica por 3,68 a renda de quem tem só o fundamental
O dado mais forte do portal está na renda por escolaridade. Segundo a ANM, a remuneração mediana em 2025 foi de R$ 3.218,08 para quem tem ensino fundamental.
Com ensino médio, a mediana sobe para R$ 4.142,24. Com curso superior, salta para R$ 11.856,16.
A conta desta reportagem, feita com os números da agência, mostra que o salário mediano de quem tem diploma é 3,68 vezes o de quem tem só o fundamental. A diferença é de R$ 8.638,08 por mês.
Entre o fundamental e o médio, porém, o avanço é bem menor. O ensino médio acrescenta R$ 924,16 à mediana, cerca de 29% a mais, também pela conta da reportagem.
O grande salto de salário acontece entre o ensino médio e a faculdade
A escada salarial, portanto, não sobe em degraus iguais.
Do médio para o superior, a mediana quase triplica: R$ 11.856,16 é 2,86 vezes R$ 4.142,24. Em reais, são R$ 7.713,92 a mais por mês.
O dado indica que, nesse setor, terminar o ensino médio melhora pouco a renda de quem está na operação. Já o curso superior muda de faixa.
A nota da ANM não detalha quais cargos estão em cada faixa. Não é possível dizer, só com o portal, quanto da diferença vem de engenharia, gestão ou funções técnicas.
Parauapebas e Nova Lima empatam na liderança, separadas por 16 vagas
O mapa do emprego também aparece no portal. Segundo a ANM, Parauapebas, no Pará, lidera com 8.234 empregos em minerais críticos e estratégicos.
Nova Lima, em Minas Gerais, vem logo atrás, com 8.218. A diferença entre as duas cidades é de apenas 16 vagas.
Na escala de mais de 8 mil postos, é praticamente um empate.
Congonhas, também em Minas, fecha o pódio com 7.114 postos. As três cidades somam 23.566 empregos, cerca de 18% do total nacional do setor, pela conta da reportagem.
Pará e Minas Gerais dividem o topo do mapa do emprego mineral
O ranking reflete os dois grandes polos de minério de ferro do país. Parauapebas fica em Carajás, enquanto Nova Lima e Congonhas estão no Quadrilátero Ferrífero.
Assim, a presença do ferro na lista de 2021 ajuda a explicar por que essas cidades aparecem no alto. Sem ele, o mapa do setor seria bem diferente.
Para quem procura vaga, o dado aponta onde está a concentração de postos. Dois estados, três municípios e quase um quinto do emprego nacional dessas cadeias.
Mulheres ocupam 22% dos postos nas minas de minerais críticos
O perfil por sexo ainda é concentrado. De acordo com a ANM, o setor tinha 100.765 homens e 28.658 mulheres em 2025.
Em proporção, são 78% de homens e 22% de mulheres. Em números redondos, há pouco mais de uma mulher para cada quatro trabalhadores homens.
O portal permite cruzar esse recorte com escolaridade e remuneração, segundo a superintendente. A nota de lançamento, contudo, não traz a mediana salarial separada por sexo.
Terras raras e ouro também ganham números no mesmo portal
O emprego é só uma das frentes da ferramenta. Em outra nota de 14 de outubro, a ANM informou que as autorizações de pesquisa para terras raras subiram 485,4% entre 2021 e 2025.
No ouro, a agência registrou produção de 71,1 toneladas em 2025, avaliadas em R$ 41,7 bilhões. O ouro, como o ferro, faz parte da lista oficial.
Os dados de emprego e renda estão na nota da ANM sobre os 129 mil empregos em minerais críticos, publicada no lançamento do portal.
Escolaridade decide a faixa de renda num setor que segue contratando
O retrato do portal combina duas informações. O setor cresceu 8,6% em dois anos e responde por mais da metade do emprego na extração mineral.
Ao mesmo tempo, a renda mediana depende muito do diploma. Quem tem curso superior ganha mais que o triplo de quem tem só o fundamental, segundo os números da agência.
Dessa forma, o portal da ANM entrega a quem trabalha ou quer trabalhar em mineração uma régua concreta. O próximo passo é saber se a base dos dados será divulgada junto com as próximas atualizações.
Para você, um salário mediano de R$ 11.856 justifica encarar a faculdade para trabalhar em mina, ou a experiência de campo ainda pesa mais?
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Fontes
ANM — 129 mil empregos
ANM — terras raras +485,4%
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

