Faça um comentário
5 min de leitura
Trabalhadores da fábrica da Mitsubishi em Catalão (GO) enfrentam demissões, mas HPE promete readmitir até 90% quando a GAC começar a produzir na unidade em abril de 2027
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 19/10/2026 às 02:30
Atualizado em 19/10/2026 às 02:31
Economia
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Os metalúrgicos da fábrica da Mitsubishi em Catalão, no interior de Goiás, fecharam o acordo coletivo sabendo que parte dos colegas vai perder o emprego nos próximos dias, e a promessa que ficou na mesa é a volta de até 90% dos demitidos quando a chinesa GAC começar a produzir na unidade, em abril de 2027
A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Catalão, o Simecat, na quinta-feira, 15 de outubro, ao encerrar a negociação salarial de 2026/2027 com a HPE, empresa que produz os veículos da Mitsubishi no Brasil.
Segundo o Portal 6, que publicou o comunicado do sindicato em 16 de outubro, as demissões devem atingir “dezenas” de trabalhadores. O número exato não foi divulgado.
A reportagem do ND Mais, publicada em 18 de outubro, também não trouxe as datas dos desligamentos. A empresa está reduzindo a produção de veículos na planta goiana.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Sindicato fala em campanha difícil com redução de produção
O presidente do Simecat, Carlos Albino, resumiu o clima da negociação. “Foi uma campanha muito difícil, porque a empresa está em meio à redução da produção de veículos e demitirá trabalhadores”, afirmou.
Mesmo com os cortes, o sindicato fechou o acordo e listou o que conseguiu garantir. “Mesmo assim, conseguimos algumas conquistas para quem fica e também para quem está saindo”, disse Albino ao ND Mais.
A fala mostra o tamanho do impasse. De um lado, a fábrica produz menos carros da Mitsubishi. Do outro, a mesma estrutura já tem nova montadora prevista.
Readmissão de até 90% depende do início da produção da GAC
O ponto que mais pesa para quem sai é o compromisso de volta. De acordo com o Simecat, a HPE se comprometeu a readmitir até 90% dos trabalhadores desligados quando começar a produção da GAC em Catalão.
A previsão para essa nova linha é abril de 2027. Ou seja, quem for demitido agora tem pela frente cerca de seis meses até a data indicada para a retomada.
Até lá, a fábrica segue produzindo os modelos da Mitsubishi em ritmo menor.
A promessa é de até 90%, e não de todos. O sindicato não informou como será feita a escolha de quem volta nem se haverá ordem de prioridade.
GAC vai usar a estrutura da Mitsubishi para fazer até 50 mil carros por ano
A GAC é uma montadora chinesa e vai aproveitar a estrutura industrial que hoje produz os modelos da Mitsubishi em Catalão. Assim, a nova operação não parte de um terreno vazio.
Segundo o CEO da HPE, Mauro Luis Correia, citado pelo Portal 6, a linha da GAC terá capacidade para até 50 mil automóveis por ano.
Nem o investimento nem os modelos que serão produzidos foram divulgados nas reportagens. Por isso, a dimensão real da nova linha ainda depende de anúncio oficial da montadora.
O movimento de marcas chinesas ocupando fábricas já existentes no país não é isolado: os trabalhadores da fábrica no Paraná vivem um ciclo parecido com a Geely.
Quem sai leva cesta básica extra e apoio para recolocação
Até a retomada, os demitidos terão alguns apoios negociados. Segundo o ND Mais, eles vão receber uma cesta básica adicional e ajuda para recolocação no mercado de trabalho por meio da Integrar.
O valor da cesta e o período de duração desse apoio não foram informados. Também não há detalhe sobre quantas vagas a recolocação pretende alcançar.
Quem fica terá reajuste de 4,29% a partir de janeiro
Para os trabalhadores que permanecem na fábrica, o acordo coletivo 2026/2027 prevê reajuste salarial de 4,29%, aplicado a partir de 1º de janeiro de 2027.
Além disso, o acordo garante um abono de R$ 1.200, que deve ser pago até 30 de outubro, conforme a reportagem do ND Mais.
O banco de horas foi mantido de novembro de 2026 a outubro de 2027. Na prática, a empresa segue com margem para ajustar a jornada ao ritmo menor da produção.
Vale-alimentação sobe para R$ 1.100 e dobra em dezembro
O vale-alimentação passa a ser de R$ 1.100 por mês a partir de novembro. Em dezembro, os trabalhadores recebem mais R$ 1.100, o que leva o benefício daquele mês a R$ 2.200.
Para uma família de metalúrgico no interior de Goiás, esse reforço chega exatamente no fim do ano, quando as despesas costumam pesar mais.
Fábrica funciona desde 1998, e a operação já fez mais de 800 mil veículos
A unidade de Catalão opera desde 1998, por isso a reportagem fala em uma fábrica com quase 30 anos de história. A Mitsubishi está no Brasil desde 1991, segundo o site da empresa.
De acordo com a companhia, a operação brasileira já produziu mais de 800 mil veículos, tem capital 100% nacional e conta com uma rede de 130 concessionárias.
É essa estrutura industrial que a GAC vai aproveitar para começar a produzir no país.
O que os trabalhadores de Catalão ainda não sabem
Faltam respostas importantes. Não se sabe quantas pessoas serão demitidas, em que dias os desligamentos vão acontecer, nem quanto a GAC vai investir na adaptação da linha.
As reportagens também não dizem se quem for readmitido voltará na mesma função e com o mesmo salário, nem se o tempo fora da fábrica contará de alguma forma no novo contrato.
Também não está claro se o prazo de abril de 2027 será mantido. Enquanto o cronograma não for confirmado pela montadora, a readmissão segue como compromisso, e não como data marcada.
A gente vê aqui um retrato comum da indústria: a mesma fábrica que demite hoje pode ser a que contrata amanhã, desde que o novo produto realmente entre na linha.
Você aceitaria esperar seis meses pela readmissão prometida ou buscaria outro emprego assim que fosse desligado?
Tags
Fontes
Montadora asiática prepara demissões em fábrica com quase 30 anos no Brasil, mas negocia retorno de funcionários em 2027
Prestes a receber nova montadora, fábrica de Catalão anuncia demissões em massa
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

