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Trinta anos depois do fim da produção, o Fusca desafia o tempo: Brasil ainda tem 1.939.314 registros do clássico, quase o dobro de Kombis, mas o número esconde uma surpresa

Trinta anos depois do fim da produção, o Fusca desafia o tempo: Brasil ainda tem 1.939.314 registros do clássico, quase o dobro de Kombis, mas o número esconde uma surpresa

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Trinta anos depois do fim da produção, o Fusca desafia o tempo: Brasil ainda tem 1.939.314 registros do clássico, quase o dobro de Kombis, mas o número esconde uma surpresa

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 19/10/2026 às 12:51

Atualizado em 19/10/2026 às 12:52

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O Fusca deixou de ser produzido em 1996, mas continua com 1.939.314 registros no Brasil, segundo dados da Senatran. Veja quais outros carros antigos resistem e por que estar no cadastro não é o mesmo que rodar nas ruas.

O Fusca saiu definitivamente das linhas de montagem brasileiras em 1996. Trinta anos depois, seu nome ainda aparece 1.939.314 vezes nos registros oficiais de veículos do país. O número é tão alto que supera, sozinho, o total cadastrado de Kombis e quase dobra o de Ford Escorts, dois outros carros que marcaram gerações.

O levantamento publicado pela colunista Paula Gama, do UOL, usa a base da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) de julho de 2026. Ele revela algo maior que uma história de colecionador: milhões de brasileiros ainda mantêm no cadastro modelos que desapareceram das concessionárias há décadas. E há uma diferença surpreendente entre um carro registrado e um carro efetivamente rodando.

O Fusca desapareceu das fábricas, mas não dos registros brasileiros

O carro começou a ser produzido nacionalmente em 1959. Saiu de linha em 1986, voltou em 1993 numa iniciativa associada ao então presidente Itamar Franco e teve a fabricação encerrada de vez em 1996. A Volkswagen informa que mais de 3 milhões de Fuscas foram produzidos no Brasil ao longo dessa história.

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Fusca fabricado em 1995 fotografado na estrada Cunha–Paraty, em 2006. Imagem histórica de um exemplar real, não contagem de veículos circulantes em 2026. Foto: Diego Torres Silvestre/Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

O levantamento de 2026 encontrou quase 1,94 milhão de registros ativos na base por família de modelo. É uma quantidade enorme para um automóvel de concepção antiga, produzido ao longo de diferentes gerações e que depende de manutenção, peças e oficinas especializadas para continuar funcionando.

O número também ajuda a explicar por que tantos brasileiros reconhecem o ronco do motor refrigerado a ar, o formato arredondado dos para-lamas e a cabine simples. Para alguns, é o carro de infância; para outros, uma ferramenta de deslocamento que resistiu ao tempo.

Kombi e Escort ficaram para trás; Chevette e Monza também resistem

O segundo lugar pertence à Volkswagen Kombi, com 976.893 registros. Logo atrás aparece o Ford Escort, com 974.248. Chevrolet Chevette, com 936.813, e Monza, com 839.418, completam os cinco primeiros colocados.

Kombi brasileira Total Flex, um dos modelos que aparecem no ranking de registros antigos. Imagem de arquivo de 2008: Mario Roberto Duran Ortiz/Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Outros veteranos permanecem aos milhares: Parati, Brasília, Corcel, Santana, Passat, Kadett e até o Opala, com 346.367 registros. São modelos que atravessaram mudanças na economia, no preço da gasolina, nas exigências de segurança e no jeito de comprar um carro.

A comparação não é um ranking de vendas atuais. Os dados reúnem todos os registros ainda associados a cada família de veículo, mesmo que parte tenha saído de uso. É um retrato do que permanece nos cadastros brasileiros após décadas de produção e circulação.

Por que tanta gente continua com carros que já viraram clássicos?

Em muitos casos, comprar um zero-quilômetro custa mais do que manter o automóvel conhecido da família. Um carro antigo de mecânica simples pode ser consertado por oficinas independentes e ter peças encontradas no comércio especializado, embora a situação varie muito conforme modelo, estado e conservação.

Há também quem preserve um Fusca por afeto ou como item de coleção. Alguns foram restaurados nos mínimos detalhes; outros continuam trabalhando ou servindo de transporte cotidiano em diferentes regiões. Os registros, porém, não identificam qual dessas histórias pertence a cada exemplar.

A frota nacional ajuda a dimensionar o fenômeno. Segundo o mesmo levantamento da Senatran, entre os veículos com ano de fabricação conhecido, 32% têm mais de 20 anos. São cerca de 42,15 milhões produzidos até 2005, dentro de um universo de 131,74 milhões com ano informado.

Quase 2 milhões nas ruas? O detalhe que muda a leitura do número

Os 1.939.314 Fuscas constam nos registros, mas a base consultada não permite afirmar que todos tenham licenciamento em dia ou que circulem. Um veículo abandonado, destruído ou desmontado pode continuar no sistema até que a baixa definitiva seja realizada.

Por isso, a contagem não deve ser apresentada como 1,94 milhão de Fuscas andando nas ruas. A própria Volkswagen já divulgou estimativa menor de unidades em circulação. Os números se referem a medições e critérios distintos.

Com quase dois milhões de cadastros em 2026, o Fusca continua ocupando um espaço que nenhum lançamento consegue recuperar: o da memória de famílias inteiras, mesmo que apenas uma parte desses carros esteja apta a rodar.

Quem conviveu com um Fusca sabe que cada exemplar costuma ter uma história própria. Você aprendeu a dirigir em um deles, teve um na família ou ainda guarda o seu? Conte qual lembrança esse carro deixou e compartilhe a reportagem com quem reconheceria o barulho do motor de longe.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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