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Uma fábrica brasileira de papel vai receber R$ 514 milhões, ganhar nova caldeira e aumentar sua capacidade em 60% até 2028
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 08/10/2026 às 14:28
Atualizado em 08/10/2026 às 14:30
Indústria
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Irani investirá R$ 514 milhões em fábrica mineira para ampliar produção em 60%, modernizar equipamentos e substituir gás por biomassa.
Uma máquina de papel que começou a operar em 1980 será praticamente reconstruída dentro de uma fábrica de Minas Gerais para elevar a produção em cerca de 60%. Segundo a Exame, em reportagem publicada em 8 de outubro de 2026, a Irani Papel e Embalagem mantém um investimento bruto de R$ 514 milhões para modernizar sua unidade de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, em um projeto que inclui novos equipamentos, automação, geração de energia e substituição de uma caldeira a gás natural por biomassa.
A expansão, batizada de Gaia XII, deverá acrescentar aproximadamente 36 mil toneladas anuais à capacidade da unidade quando a nova estrutura entrar em operação.
A fábrica poderá passar de 60 mil para 96 mil toneladas por ano
A unidade de Santa Luzia produziu aproximadamente 60 mil toneladas de papel em 2025, segundo informações divulgadas pela própria Irani.
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Depois da modernização, a companhia projeta capacidade próxima de 96 mil toneladas por ano, o que representa um crescimento de aproximadamente 60%.
Na prática, serão cerca de 36 mil toneladas adicionais de papel produzidas anualmente dentro da mesma operação industrial mineira. Parte relevante desse material seguirá abastecendo a fabricação de embalagens de papelão ondulado da companhia, conectando diretamente a expansão em Minas Gerais à cadeia produtiva de embalagens.
Uma máquina instalada há mais de quatro décadas será reconstruída
O coração do projeto é a Máquina de Papel 7, conhecida internamente como MP7, que entrou em operação em 1980. A Irani assumiu a unidade de Santa Luzia décadas depois e agora prepara uma das intervenções mais profundas já realizadas na estrutura.
A reforma não consiste apenas na troca de componentes desgastados ou em uma manutenção de grande porte.
O plano prevê reconstrução da máquina, novos sistemas auxiliares, preparação de massa modernizada e automação capaz de aumentar produtividade, eficiência e controle do processo industrial.
O investimento bruto chega a R$ 514 milhões
O Gaia XII prevê R$ 514 milhões em investimentos brutos, valor que inclui máquinas, obras, equipamentos e tributos associados à implantação.
A companhia estima um investimento líquido próximo de R$ 453 milhões depois de considerar aproximadamente R$ 61 milhões em impostos recuperáveis.
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A maior parcela do desembolso ainda está associada às etapas futuras do projeto, já que a execução ocorre ao longo de vários anos. O cronograma divulgado pela Irani trabalha com aproximadamente 43 meses para implantação do conjunto de melhorias industriais.
A reforma envolve muito mais do que produzir mais papel
Além da reconstrução da MP7, o projeto prevê um novo sistema de preparação da massa utilizada na fabricação do papel.
A fábrica também receberá melhorias em tratamento de água, tratamento de efluentes, sistemas de controle e infraestrutura necessária para suportar o crescimento da produção.
Outro componente importante será a modernização da geração de energia dentro da própria unidade. A empresa quer aumentar a eficiência do processo e reduzir a dependência de soluções energéticas mais intensivas em carbono enquanto amplia a quantidade de papel produzida.
A atual caldeira a gás natural dará lugar à biomassa
Uma das mudanças mais relevantes acontecerá na geração de vapor, elemento essencial para várias etapas da fabricação de papel.
A atual caldeira movida a gás natural deverá ser substituída por uma caldeira alimentada por biomassa, alterando a fonte energética utilizada pela fábrica.
A biomassa permite substituir parte do combustível fóssil por uma fonte renovável, desde que a matéria-prima utilizada seja manejada dentro dos critérios ambientais previstos. Para uma fábrica que precisa gerar calor continuamente, essa mudança pode afetar tanto as emissões quanto a estrutura de custos energéticos da operação.
Emissões da caldeira podem cair cerca de 85%
Os números apresentados pela Irani indicam uma redução expressiva nas emissões associadas à geração de vapor.
A companhia projeta que elas caiam de aproximadamente 13.942 toneladas de CO₂ equivalente por ano para 2.075 toneladas, depois da substituição tecnológica.
A diferença corresponde a uma redução próxima de 85%, considerando a metodologia utilizada pela empresa para comparar os dois sistemas. São quase 12 mil toneladas de CO₂ equivalente evitadas por ano apenas nessa etapa da operação industrial.
Um novo turbogerador também fará parte da modernização
O projeto inclui ainda a instalação de um novo turbogerador, equipamento capaz de aproveitar o vapor produzido para participar da geração de eletricidade dentro da própria fábrica. Essa integração permite utilizar de maneira mais eficiente a energia térmica necessária ao processo de produção.
Em indústrias intensivas em calor, combinar geração de vapor e eletricidade pode reduzir perdas e aumentar a eficiência energética da unidade.
A modernização, portanto, não busca apenas colocar mais toneladas de papel no mercado, mas também alterar a forma como a fábrica utiliza energia.
A Irani também pretende ampliar o uso de material reciclado
A expansão inclui mudanças na utilização de aparas, como são conhecidos diferentes tipos de papel recuperado que retornam ao processo produtivo.
A empresa pretende aumentar o aproveitamento desse material ao mesmo tempo em que moderniza a preparação da massa utilizada pela MP7.
Esse modelo reduz a necessidade de matéria-prima virgem em determinadas aplicações e fortalece a cadeia de reciclagem associada às embalagens. Para a indústria de papel, a disponibilidade e qualidade das aparas são fatores importantes na produção de papéis destinados ao segmento de embalagens.
Consumo de água e geração de efluentes também entram na conta
A Irani pretende reduzir o consumo específico de água da unidade, isto é, a quantidade utilizada para produzir cada tonelada de papel.
O projeto também prevê melhorias na estação de tratamento de efluentes para acompanhar o aumento da produção sem simplesmente multiplicar na mesma proporção a utilização de recursos.
Esse ponto ganha importância porque fábricas de papel trabalham com volumes relevantes de água ao longo do processo industrial. Produzir mais toneladas com menor consumo proporcional melhora a eficiência operacional e reduz a pressão sobre a infraestrutura da unidade.
O papel produzido em Minas abastece outra etapa da indústria
A produção de Santa Luzia não termina necessariamente como produto final vendido diretamente ao consumidor.
Parte importante do papel fabricado na unidade segue para operações que o transformam em embalagens utilizadas por diferentes setores da economia.
Isso conecta a expansão mineira a mercados como alimentos, bebidas, comércio eletrônico, eletrodomésticos e bens de consumo, que dependem de caixas e embalagens de papelão ondulado. Quando essas cadeias crescem, aumenta também a necessidade de papel utilizado como matéria-prima para as embalagens.
A nova estrutura deve começar a operar em 2028
O cronograma divulgado pela companhia prevê que a máquina modernizada entre em operação no quarto trimestre de 2028. Até lá, será necessário executar obras, instalar equipamentos, integrar os novos sistemas e realizar testes antes de levar a estrutura à capacidade projetada.
Da mesma forma, os R$ 514 milhões correspondem ao investimento previsto para a modernização completa, cuja execução ocorre em etapas.
O projeto concentra expansão industrial e transição energética na mesma fábrica
Quando estiver concluída, a transformação de Santa Luzia deverá atingir praticamente todos os pontos centrais da operação.
A fábrica produzirá mais papel, contará com equipamentos atualizados, utilizará novos sistemas de automação e deverá substituir parte relevante de sua dependência de combustível fóssil pela biomassa.
A combinação transforma uma máquina instalada há mais de quatro décadas em peça central de um novo ciclo industrial. Em vez de construir uma fábrica totalmente nova em outro terreno, a Irani decidiu colocar centenas de milhões de reais dentro de uma unidade existente para aumentar capacidade e modernizar sua base produtiva.
O resultado esperado é uma planta capaz de produzir aproximadamente 36 mil toneladas adicionais por ano, com mudanças importantes na geração de energia e na eficiência operacional.
Se o cronograma for cumprido, a velha MP7 chegará ao fim de 2028 produzindo em uma escala muito diferente daquela para a qual foi originalmente instalada em 1980.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

