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Uma mina de ferro pode produzir cinco vezes mais em Minas Gerais: licença permite salto de 300 mil para 1,5 milhão de toneladas por ano

Uma mina de ferro pode produzir cinco vezes mais em Minas Gerais: licença permite salto de 300 mil para 1,5 milhão de toneladas por ano

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Uma mina de ferro pode produzir cinco vezes mais em Minas Gerais: licença permite salto de 300 mil para 1,5 milhão de toneladas por ano

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 27/10/2026 às 12:25

Mineração

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Mineração de ferro envolve escavação, carregamento e transporte do material. Em Guanhães, a MIG recebeu licença para ampliar a capacidade anual de sua operação.

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Uma mina de ferro em Guanhães recebeu licença ambiental para ampliar sua capacidade de 300 mil para 1,5 milhão de toneladas ao ano. Entenda o que foi aprovado, as condições até 2033 e o que ainda falta acontecer.

Uma mina de minério de ferro no interior de Minas Gerais recebeu autorização para crescer cinco vezes. Em Guanhães, no Vale do Rio Doce, o limite anual da MIG Mineração passou de 300 mil para 1,5 milhão de toneladas, depois de uma votação do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). A mudança abre espaço para ampliar a lavra, o tratamento e a movimentação do minério. O volume de 1,5 milhão é a nova capacidade autorizada: a data em que a empresa poderá operar nesse ritmo ainda não foi anunciada.

A aprovação ocorreu em 23 de outubro de 2026 e foi formalizada no Diário Oficial de Minas Gerais no dia seguinte. A MIG pertence ao grupo SM Metais, que identifica sua unidade na Fazenda Almas, em Guanhães. A licença reúne as etapas de planejamento ambiental, instalação e operação e foi concedida com condicionantes, com validade até 19 de dezembro de 2033. O processo envolve uma mineradora de porte menor do que as gigantes do setor, mas o salto de capacidade é expressivo para sua escala.

O salto de 300 mil para 1,5 milhão de toneladas começa no papel

A nova licença permite ampliar a capacidade anual em até 1,2 milhão de toneladas a mais do que a capacidade anterior. Na apresentação institucional consultada, o grupo SM Metais ainda informa capacidade instalada de 300 mil toneladas anuais na MIG e reserva estimada pela própria companhia de 20 milhões de toneladas. O primeiro número ajuda a medir o tamanho do crescimento autorizado; o segundo descreve uma estimativa divulgada pela companhia, não uma nova reserva comprovada pelo Copam.

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Uma mina pode receber autorização para ampliar a produção antes de ter toda a estrutura pronta para alcançar o novo limite. É preciso ajustar a retirada da rocha, as máquinas, a unidade de tratamento, a disposição de materiais e as vias de transporte. O ritmo que será adotado depende dessas operações e do cumprimento das obrigações ambientais previstas no licenciamento. Até a divulgação da decisão, as fontes consultadas não traziam um cronograma da MIG para chegar a 1,5 milhão de toneladas por ano.

O contraste com as maiores operações de Minas Gerais dá uma ideia da dimensão da notícia. O complexo de Vargem Grande, da Vale, produziu cerca de 36 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, segundo comparação publicada pelo jornal O Fator. Mesmo no novo limite autorizado, Guanhães ficaria muito abaixo desse volume. O crescimento é grande para a MIG, sem transformá-la automaticamente em uma das maiores mineradoras brasileiras.

Não é só a cava: a licença alcança tratamento, estradas e rejeitos

Quem observa uma mina a céu aberto costuma perceber primeiro os caminhões e as escavadeiras. A retirada do minério, porém, é apenas o começo. Depois de sair da cava, o material precisa passar por etapas de separação e tratamento para atender às necessidades da indústria. A autorização concedida à MIG contempla a unidade de tratamento de minerais a úmido, além da extração de ferro a céu aberto.

O texto publicado pelo Copam também inclui estrada externa destinada ao transporte de minério e estéril, pilhas de materiais e disposição de estéril ou rejeito em cava, sem necessidade de construir barramento para a contenção. Na mineração, estéril é o material removido para alcançar o minério aproveitável; rejeito é o que sobra do processamento nas condições adotadas. São elementos que precisam de espaços próprios e acompanhamento durante a atividade.

O beneficiamento a úmido usa água na separação e classificação do minério. O processo pode gerar uma mistura de água e partículas que exige sistemas de controle e destinação. O aumento autorizado coloca também essas estruturas na agenda da empresa. A licença descreve o tipo de operação que recebeu aval, mas o registro resumido da reunião não apresenta a capacidade individual de cada equipamento nem o estágio de instalação das mudanças.

Instalações de beneficiamento de minério da MIG em Guanhães. A licença de ampliação abrange também o tratamento do minério. Crédito: Grupo SM Metais.

O que uma ampliação desse tamanho pode mudar em Guanhães?

O empreendimento fica em Guanhães, município do Vale do Rio Doce que convive com atividades rurais, comércio e circulação de cargas. A perspectiva de uma mina operar em escala maior coloca questões concretas para moradores e trabalhadores: por quais estradas passará o minério, qual será o movimento de veículos perto da operação e como serão acompanhados a poeira, o ruído e a água?

As informações divulgadas com a decisão não trazem quantidade de novos caminhões, projeção de contratações nem calendário para atingir o limite ampliado. Esses efeitos dependerão do volume de produção efetivo e das estruturas que forem implantadas. O aumento permitido pelo conselho torna o acompanhamento mais importante, especialmente nas rotas externas e na área próxima à unidade de beneficiamento.

Vista aérea da MIG em Guanhães mostra as instalações e as vias internas existentes antes da ampliação autorizada em outubro. Crédito: Grupo SM Metais.

Em sua apresentação institucional, a MIG descreve um programa de automonitoramento que abrange efluentes líquidos, qualidade da água superficial, ar, ruído e fauna. O grupo também informa áreas de compensação ambiental onde realiza plantio e manutenção de árvores nativas. São compromissos e estruturas apresentados pela empresa, que devem ser confrontados com os registros oficiais de fiscalização e com as exigências específicas da ampliação.

A autorização vai até 2033 e veio acompanhada de condicionantes

A decisão consta da 141ª reunião ordinária da Câmara de Atividades Minerárias, realizada em 23 de outubro. O ato, publicado no dia 24, identifica a MIG no processo ambiental 12684/2025, classifica o empreendimento como classe 5 e registra a concessão com condicionantes válida até 19 de dezembro de 2033. Estão contempladas as licenças prévia, de instalação e de operação de forma concomitante.

Essa modalidade é conhecida como LAC1: o órgão ambiental analisa em uma fase a viabilidade, a instalação e a operação. A legislação mineira prevê que as condições da licença possam exigir medidas para evitar, reduzir ou compensar impactos. A fiscalização do cumprimento dessas exigências cabe ao órgão ambiental competente. A lista individual das condicionantes da MIG não aparece na publicação resumida da decisão e precisa ser consultada nos documentos técnicos do processo.

Os 12 conselheiros presentes à reunião votaram a favor da ampliação, segundo a cobertura do jornal O Fator. Na mesma sessão foi aprovada uma licença da Vale, mas para outro empreendimento, em Itabirito, relacionado à destinação e ao reaproveitamento de rejeitos. As decisões são independentes: a autorização de Guanhães diz respeito à MIG e ao aumento de sua capacidade de ferro, e não às estruturas do complexo de Vargem Grande.

Por trás da MIG está um grupo brasileiro de mineração e siderurgia

A MIG integra o grupo SM Metais, que também mantém atividades ligadas à extração e à siderurgia em outros municípios mineiros. O Fator identifica a família Salazar como proprietária do grupo. No histórico divulgado pela companhia, a criação da MIG aparece em 2020, seguida pela ativação e pelo início das atividades de mineração nos anos posteriores. A unidade de Guanhães é uma das operações de uma cadeia que fornece matéria-prima à indústria.

O minério de ferro é usado principalmente para produzir aço, presente em construções, veículos, máquinas e equipamentos. Antes de chegar à usina siderúrgica, ele precisa ser extraído, preparado e transportado. A escala aprovada pelo Copam pode alterar a capacidade de fornecimento da MIG, mas os resultados econômicos vão depender do mercado, dos custos, das obras e da produção efetiva.

O jornal O Fator chamou a atenção para a mudança de tamanho de uma mineradora que continua relativamente pequena no setor. Essa diferença explica por que o aumento autorizado tem peso especial em Guanhães: para a empresa, é a possibilidade de multiplicar sua operação; para a cidade, será uma atividade a acompanhar nas estradas, na gestão de materiais e nos indicadores de monitoramento.

A licença já existe; a próxima resposta virá dos números da operação

A MIG agora tem uma autorização ambiental que amplia sua capacidade anual para 1,5 milhão de toneladas. A decisão consta do Diário Oficial mineiro, com condicionantes e prazo definido. O que ainda falta conhecer é o calendário de implantação e o volume que a mineradora efetivamente produzirá depois dessa mudança.

Para quem mora em Guanhães, a evolução do empreendimento poderá ser observada não apenas na quantidade de ferro extraída, mas no transporte do minério e no cumprimento das medidas ambientais. O número cinco vezes maior já saiu do papel na forma de licença. O crescimento da operação, propriamente dito, terá de aparecer nos dados de produção e de fiscalização.

Você mora em uma cidade com atividade mineradora? Compartilhe esta reportagem com quem quer entender a diferença entre uma mina autorizada a crescer e uma mina que já está produzindo mais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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