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Usiminas investe R$ 1,7 bilhão para reconstruir unidade desativada e prevê 800 empregos em MG
Escrito por Carla Teles
Publicado em 30/10/2026 às 18:39
Atualizado em 30/10/2026 às 18:40
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Obra na Coqueria 2, em Ipatinga, vai substituir estrutura fora de operação e permitir que a siderúrgica volte a produzir parte dos insumos usados nos altos-fornos.
A Usiminas iniciou em outubro de 2026 a reconstrução de uma unidade industrial desativada em Ipatinga, no Vale do Aço, em Minas Gerais, com investimento previsto de R$ 1,7 bilhão até 2029. O projeto envolve a substituição da Bateria 4 da Coqueria 2 e deve gerar cerca de 800 empregos durante as obras. A estrutura permitirá ampliar a fabricação própria de coque, insumo utilizado na produção de ferro-gusa, etapa essencial da fabricação de aço.
Segundo informações publicadas pelo Indústria News em 5 de outubro e confirmadas pela Usiminas em comunicado oficial de 1º de outubro, a nova bateria deverá entrar em operação em 2029. Até lá, a empresa continuará executando intervenções em sua infraestrutura siderúrgica para reduzir a dependência de matérias-primas adquiridas de fornecedores externos.
Usiminas vai reconstruir Bateria 4 para recuperar produção própria de coque
O investimento será aplicado na reconstrução da Bateria 4, equipamento pertencente à Coqueria 2 do Centro Industrial de Ipatinga. O projeto prevê a substituição da estrutura existente por uma nova instalação com tecnologias atualizadas.
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A bateria funciona como um conjunto de fornos industriais utilizados na transformação do carvão mineral em coque. Durante esse processo, o material é aquecido a temperaturas elevadas na ausência de oxigênio, liberando gases e outros componentes.
O coque produzido é utilizado nos altos-fornos, onde atua como combustível e agente redutor na transformação do minério de ferro em ferro-gusa.
A produção própria desse insumo permite à siderúrgica controlar parte do abastecimento de suas instalações. Quando a capacidade interna é insuficiente, a empresa precisa adquirir volumes adicionais no mercado.
O projeto de R$ 1,7 bilhão busca reduzir essa necessidade. A Usiminas, porém, não divulgou no comunicado de outubro quantas toneladas de coque a nova bateria poderá produzir anualmente.
A companhia também não apresentou uma estimativa monetária de economia após a conclusão da obra. Portanto, o impacto financeiro dependerá do desempenho da instalação e dos custos de operação e aquisição do insumo.
Nova estrutura deve entrar em operação em 2029 e gerar cerca de 800 empregos
A reconstrução começou com a mobilização dos trabalhos industriais e deverá ser concluída até 2029, prazo previsto para a entrada em operação.
Segundo a Usiminas, aproximadamente 800 postos de trabalho serão gerados durante a execução do empreendimento.
Esse número corresponde à fase de obras e não representa necessariamente 800 contratações permanentes após a conclusão do projeto.
A implantação envolve serviços de construção e montagem industrial, além da instalação de equipamentos necessários ao funcionamento da nova bateria.
Em reportagem publicada em 13 de outubro, o Portal Siderurgia Brasil confirmou que a intervenção inclui a demolição da estrutura desativada e a construção de uma nova unidade.
A obra será realizada dentro do complexo industrial de Ipatinga, onde a Usiminas mantém suas principais operações de produção siderúrgica.
O investimento também amplia a movimentação de serviços associados à construção industrial no Vale do Aço, embora a companhia ainda não tenha detalhado a distribuição das contratações entre empresas e especialidades profissionais.
Em outubro, o CPG mostrou que a indústria de fundição em Minas Gerais enfrenta queda de demanda e pressão das importações, cenário que também afeta decisões de investimento no setor metalúrgico.
Coqueria 2 já recebeu outro investimento de R$ 950 milhões para recuperar capacidade
A reconstrução da Bateria 4 faz parte de um conjunto maior de intervenções industriais realizadas pela Usiminas em Ipatinga.
Em abril de 2024, a empresa anunciou um investimento de R$ 950 milhões para o reparo a quente da Bateria 3 da mesma Coqueria 2.
Segundo o comunicado oficial publicado naquele ano, o trabalho teria duração prevista de 33 meses e seria realizado sem interromper completamente a operação, com alternância entre os fornos em manutenção e os que continuariam produzindo.
A intervenção foi planejada para recuperar a capacidade nominal do equipamento, com expectativa de ampliar a produção de coque em 12% após a conclusão dos trabalhos.
Na ocasião, a companhia informou que a Coqueria 2 operava somente com a Bateria 3. Também relatou a paralisação da Coqueria 1 em 2012 e a interrupção da produção da Coqueria 3 em dezembro de 2023, após preocupações relacionadas ao desempenho ambiental.
A nova Bateria 4 representa, portanto, outro projeto dentro do programa de recuperação da infraestrutura de coque.
O complexo de Ipatinga também possui iniciativas relacionadas à moagem e injeção de carvão pulverizado, conhecido pela sigla PCI, e à instalação de um novo gasômetro.
Esses equipamentos fazem parte de diferentes etapas do processo siderúrgico e não devem ser confundidos com a reconstrução da Bateria 4.
Compra de coque continua pressionando os custos da siderúrgica
A decisão de reconstruir a bateria ocorre enquanto a Usiminas enfrenta custos elevados para manter sua produção de aço.
No balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado em 30 de outubro, a companhia informou lucro líquido de R$ 243,4 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 3,5 bilhões registrado no mesmo período de 2025.
Apesar da recuperação contábil, a receita líquida recuou 6,1% na comparação anual, para R$ 6,2 bilhões.
Segundo os resultados divulgados pela companhia e detalhados pelo UOL, o custo por tonelada de aço vendida na divisão de siderurgia subiu 2,4% em relação ao segundo trimestre, alcançando R$ 4.849.
Entre os fatores apontados estavam o encarecimento das placas de aço e do coque, além dos efeitos cambiais sobre as operações.
Os números ajudam a explicar a importância econômica do investimento em Ipatinga. Ao ampliar a fabricação interna de coque, a Usiminas pretende reduzir sua exposição às compras externas desse insumo.
A medida, entretanto, não elimina outros componentes dos custos siderúrgicos, como energia, transporte, minério, manutenção e mão de obra.
O preço da energia também integra as discussões sobre competitividade industrial. Em outubro, uma reportagem do CPG abordou o custo do gás natural para a indústria, com declarações do presidente da Usiminas sobre diferenças de preços entre o Brasil e países vizinhos.
Presidente da Usiminas relaciona investimento à concorrência com aço importado
O presidente da Usiminas, Marcelo Chara, afirmou no anúncio de outubro que o projeto busca melhorar a competitividade da companhia e substituir uma operação anteriormente desativada.
O executivo também voltou a defender medidas de proteção à indústria nacional contra importações que considera subsidiadas.
A discussão ocorre em um mercado no qual produtos siderúrgicos brasileiros competem com aço importado utilizado por fabricantes de veículos, equipamentos e estruturas industriais.
A Usiminas atua principalmente na produção de aços planos, comercializados em chapas e bobinas para diferentes setores da economia.
Em outubro, o CPG mostrou que as montadoras chinesas ampliaram suas vendas, em meio ao crescimento das importações de veículos no mercado brasileiro.
A siderúrgica sustenta que a modernização de seus processos é necessária para enfrentar a concorrência e melhorar sua estrutura de custos.
A Ternium, acionista controladora da Usiminas, também destacou em comunicado de 9 de outubro sua atuação no mercado brasileiro e os investimentos realizados no setor siderúrgico.
Produção de coque só será retomada após a conclusão da nova bateria
O cronograma divulgado pela Usiminas estabelece 2029 como prazo previsto para o início das operações da Bateria 4 reconstruída.
Até essa data, a companhia deverá concluir a substituição da estrutura, instalar os novos equipamentos e executar as etapas necessárias para colocar a unidade em funcionamento.
A empresa ainda não divulgou a capacidade anual definitiva da nova instalação nem uma previsão de contratações permanentes para sua operação.
O avanço das obras e os resultados das demais intervenções na Coqueria 2 serão os próximos indicadores do programa de modernização de Ipatinga.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

