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Usina Henry Borden completa um século com água despencando 720 metros na Serra do Mar a 400 km/h, mas hoje a hidrelétrica de 889 MW é a reserva do sistema

Usina Henry Borden completa um século com água despencando 720 metros na Serra do Mar a 400 km/h, mas hoje a hidrelétrica de 889 MW é a reserva do sistema

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Usina Henry Borden completa um século com água despencando 720 metros na Serra do Mar a 400 km/h, mas hoje a hidrelétrica de 889 MW é a reserva do sistema

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 11/10/2026 às 14:15

Atualizado em 11/10/2026 às 14:16

Energia Renovável

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Foto: Divulgação/Emae

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A Usina Henry Borden completou um século aproveitando a queda da Serra do Mar, mas hoje funciona como reserva do sistema elétrico e pode ser chamada a gerar em até 15 minutos.

A Usina Henry Borden, em Cubatão (SP), completou 100 anos no sábado (10) com a mesma ideia de 1926. A água da represa Billings despenca num desnível de 720 metros na Serra do Mar. Hoje são 14 unidades geradoras que somam 889 megawatts (MW), informa a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE), que opera a hidrelétrica.

Só que 889 MW é o teto, não a rotina. Desde 1992, a legislação ambiental paulista restringe o bombeamento das águas do Rio Pinheiros para a Billings a situações de emergência. Com isso, a usina deixou de rodar sempre a plena carga. Virou uma espécie de backup do sistema elétrico nacional, descreve a revista Galileu.

Como a água chega às turbinas a 400 km/h?

A água sai da Billings, cai no reservatório do Rio das Pedras e desce a serra por túneis e adutoras até a casa de força. Dentro das tubulações ela anda a 20 km/h. Na hora de bater nas turbinas, chega a 400 km/h. Um carro de Fórmula 1 faz 300 km/h de média, conta a Galileu.

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Uma turbina Pelton da usina: as conchas recebem o jato de água vindo da serra. Foto: Divulgação/Emae

A Prefeitura de Cubatão, depois de percorrer a área externa onde ficam as turbinas, cita uma faixa um pouco maior, entre 420 e 430 km/h.

Quem recebe esse jato são turbinas do tipo Pelton, uma roda cheia de conchas. Ela é indicada para grandes quedas e vazões menores, de acordo com o BS9. A unidade número 1 da casa de força externa ainda trabalha com o rotor original, instalado há um século.

Quanto a Usina Henry Borden gera de verdade e o que significam os 4,2 milhões de casas?

A EMAE afirma que a capacidade instalada seria suficiente para abastecer cerca de 4,2 milhões de residências. Dividindo 889 mil quilowatts por 4,2 milhões de casas, sobram aproximadamente 212 watts por residência. É a conta da hidrelétrica com todas as máquinas no máximo ao mesmo tempo.

A Usina Henry Borden não funciona assim. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) costuma programar a geração com um dia de antecedência. O plano muda conforme a demanda, afirma Fernando Luis Fernandes, diretor de Operações da EMAE, à Galileu. Quando é chamada, a usina leva a geração a 889 MW em até 15 minutos, segundo o BS9.

As fontes lidas não informam quanto a Usina Henry Borden gerou em 2025 ou neste ano, em megawatts-hora. Esse número fica com a EMAE e com o ONS. Por enquanto, os 4,2 milhões de casas valem só como capacidade, não como entrega diária.

1926HojeUnidades geradoras114Potência44,3 MW (44.347 kW)889 MWCasas de força1 externa1 externa (8 unidades, 469 MW) e 1 subterrânea (6 unidades, 420 MW)

A conta é direta: 889 dividido por 44,347 dá cerca de 20 vezes a potência do primeiro grupo gerador. A divisão entre as duas casas de força vem do BS9 e da Prefeitura de Cubatão, e a potência de 1926, do site do centenário.

O que aconteceu em 100 anos de Henry Borden?

A obra mobilizou mais de seis mil trabalhadores, segundo a EMAE, e o primeiro grupo gerador entrou em operação em 10 de outubro de 1926. Foram 18 meses depois de o governo federal aprovar o projeto. O engenheiro americano Asa White Kenney Billings concebeu o “Projeto da Serra”. A execução ficou com a The São Paulo Tramway, Light and Power Company, conforme o BS9.

Em 1926, a tubulação da usina externa foi montada sobre trilhos, serra acima. Foto: Divulgação/Emae
AnoO que marcou a usina1925A Light contrata o médico sanitarista Arthur Neiva para controlar a malária que afastava os operários da serra1926Entra em operação o primeiro grupo gerador, de 44.347 kW1932Dois hidroaviões lançam duas bombas na usina durante a Revolução Constitucionalista1950Entra a última das oito unidades externas, que somam 469 MW1956Começa a operar a usina subterrânea, de 420 MW, escavada na rocha da Serra do Mar1964A Usina de Cubatão passa a se chamar Henry Borden1992A lei paulista limita o bombeamento do Rio Pinheiros para a Billings2026Disponibilidade de 92% na média de 60 meses, em junho

Sobre 1932: em 28 de julho, a Usina Henry Borden foi bombardeada por ordem do governo de Getúlio Vargas. Das duas bombas, só uma atingiu o prédio e nenhuma explodiu. Perfurou o teto, danificou equipamentos e feriu de leve alguns funcionários, mas a operação não parou, relata Fernandes à Galileu.

A usina subterrânea de Cubatão tem uma caverna de cerca de 120 metros de comprimento e 39 metros de altura, escavada dentro da Serra do Mar. O nome atual vem de Henry Borden, o executivo canadense que presidiu o grupo Light entre 1946 e 1965.

Por que a usina é uma das primeiras a ser chamadas num apagão geral?

A Usina Henry Borden tem capacidade de *black start*: consegue reiniciar as máquinas sem depender de energia de fora. A EMAE a coloca entre as poucas usinas do país capazes de fazer a partida autônoma do Sistema Interligado Nacional (SIN). Num blecaute geral, está entre as primeiras convocadas para religar a rede, diz Wilson Alves Pereira, coordenador de operações da EMAE.

Todo ano a usina faz um teste desse arranque, exigência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Em junho, a hidrelétrica chegou a 92% de disponibilidade média móvel em 60 meses, o melhor resultado de sua história. O mínimo regulatório é 89,87%, de acordo com a Galileu.

Quanto a EMAE investe e o que muda na usina até 2027?

Desde 2019, a EMAE destinou R$ 338 milhões à Usina Henry Borden, diz o diretor-presidente Rafael Strauch ao BS9. O dinheiro vai principalmente para atualizar as unidades da usina subterrânea. O site do centenário fala em mais de R$ 280 milhões “nos últimos anos”. As obras na seção subterrânea já começaram, e as da unidade externa estão previstas para 2027.

Há também um lado de energia limpa. A dona da hidrelétrica participa da usina solar flutuante Araucária, na própria Billings, apresentada como a primeira e maior do país no gênero. Em janeiro de 2026, a Sabesp assumiu o controle acionário da EMAE, a empresa que opera a hidrelétrica de Cubatão.

Dá para descer a serra no trolley da usina?

Não. O trolley, de bancos inclinados, leva as equipes de manutenção pela Serra do Mar. São 720 metros de desnível ao lado das adutoras, em cerca de 15 minutos. Em dois trechos a inclinação chega a quase 45 graus. O equipamento não é aberto ao público, segundo a Galileu.

O trolley de manutenção só carrega equipes da EMAE, não visitantes. Foto: Divulgação/Emae

O novo Espaço Cultural Henry Borden, de 227 metros quadrados, tenta compensar. Ele reproduz o percurso numa simulação em realidade virtual, tem mapas táteis e audiodescrição por QR Code, e foi viabilizado pela Lei Rouanet, de acordo com o BS9.

O projeto Usina de Memórias e Futuros reúne depoimentos de dezenas de trabalhadores e aposentados da usina. O vídeo abaixo é um deles, publicado no canal do Museu da Energia, o mesmo que o site do centenário da EMAE exibe:

Assista o vídeo

Quem aparece de surpresa por lá é uma onça-parda. Funcionários a viram nas dependências da usina e a apelidaram de “onça cotoco”, por causa da cauda cortada. Ela é monitorada por protetores ambientais, e cobras e capivaras também circulam pelos arredores, conta a Galileu.

A próxima etapa visível chega em 2027, com as obras na unidade externa da hidrelétrica, a mesma onde o rotor de 1926 ainda gira.

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Hidrelétricas


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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