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Venda de US$ 500 milhões trava na Europa, e Anglo diz que pode fechar operações de níquel no Brasil se negócio com chinesa for barrado
Escrito por Ana Alice
Publicado em 07/10/2026 às 23:34
Mineração
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Venda das operações brasileiras de níquel da Anglo American entra em fase decisiva na União Europeia, enquanto a companhia afirma que um eventual veto pode levar ativos em Goiás à preservação e, depois, ao fechamento.
A venda das operações brasileiras de níquel da Anglo American para a MMG, negócio avaliado em até US$ 500 milhões, entrou em uma etapa decisiva na Europa.
A mineradora afirma que, caso a Comissão Europeia impeça a transação, poderá colocar os ativos de Barro Alto e Codemin, em Goiás, em regime de preservação e manutenção, movimento que pode abrir caminho para um eventual fechamento das operações.
O alerta aparece em declarações preparadas pelo diretor de operações da Anglo American no Brasil, Ruben Fernandes, para uma audiência com autoridades europeias marcada para 8 de outubro de 2026.
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A transação envolve as duas operações produtoras de ferroníquel em Goiás e ainda os projetos Jacaré, no Pará, e Morro Sem Boné, em Mato Grosso.
A compradora é a MMG Limited, mineradora listada em Hong Kong e controlada pela China Minmetals Corporation, grupo estatal chinês.
A Comissão Europeia analisa se a aquisição poderia reduzir a quantidade de ferroníquel disponível para fabricantes europeus de aço inoxidável. A preocupação é que parte da produção brasileira passe a ser direcionada para empresas ligadas ao mesmo controlador estatal da MMG.
A investigação, porém, ainda não representa uma proibição definitiva do negócio.
Anglo diz que veto deixaria poucas alternativas para ativos brasileiros
Segundo as declarações preparadas para a audiência, a Anglo pretende argumentar que a longa análise regulatória já cria incerteza sobre o futuro de suas operações brasileiras de níquel.
A companhia afirma que a MMG foi o único comprador considerado viável após o processo conduzido para retirar o negócio de níquel de seu portfólio.
A venda faz parte de uma reorganização global anunciada pela Anglo American em maio de 2024. A companhia decidiu concentrar sua estratégia em áreas consideradas prioritárias, como cobre, minério de ferro premium e nutrientes agrícolas.
O níquel brasileiro, dessa forma, passou a integrar a lista de ativos destinados à venda.
Caso a Comissão Europeia proíba a transação, a alternativa mencionada pela Anglo é colocar as unidades em um regime conhecido como care and maintenance.
Nesse modelo, a produção é interrompida, mas a estrutura permanece sob manutenção, monitoramento, segurança e conservação.
A medida não significaria o fechamento imediato das minas. Nas declarações preparadas pela companhia, porém, esse estágio aparece como um possível caminho para o encerramento das atividades caso não exista outra solução comercial.
A diretora financeira da Anglo American no Brasil, Cristina Morgan, também participa das discussões e deve defender a capacidade operacional e financeira da MMG.
A companhia sustenta ainda que seria possível construir uma solução capaz de atender às preocupações europeias sem impedir completamente a venda.
Barro Alto e Codemin produzem cerca de 40 mil toneladas por ano
Os ativos envolvidos na negociação têm peso relevante na produção brasileira de níquel.
A unidade Codemin, localizada em Niquelândia, opera desde 1982. Já Barro Alto começou a produzir ferroníquel em 2011.
As duas operações utilizam minério de níquel laterítico e fornecem material principalmente para a cadeia de fabricação de aço inoxidável.
Em 2024, Barro Alto e Codemin produziram juntas 39,4 mil toneladas de níquel contido em ferroníquel, volume próximo de 40 mil toneladas no ano.
No primeiro semestre de 2026, a produção conjunta alcançou 18,2 mil toneladas, contra 19,3 mil toneladas no mesmo período do ano anterior.
A Anglo atribuiu a redução principalmente a manutenções corretivas e à antecipação de paradas programadas.
Além das duas operações já em atividade, o pacote vendido à MMG inclui dois projetos minerais ainda em desenvolvimento.
O Projeto Jacaré, no Pará, possui aproximadamente 300 milhões de toneladas de recursos minerais, segundo os dados apresentados pela Anglo quando a operação foi anunciada.
Morro Sem Boné, em Mato Grosso, apresenta potencial de mineralização estimado em aproximadamente 65 milhões de toneladas.
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Negócio pode chegar a US$ 500 milhões
Anglo American e MMG anunciaram o acordo em 18 de fevereiro de 2025.
O valor máximo de US$ 500 milhões não será necessariamente pago integralmente no fechamento da transação.
A estrutura prevê US$ 350 milhões em dinheiro na conclusão do negócio, além de até US$ 100 milhões vinculados ao preço realizado do níquel.
Outros US$ 50 milhões estão condicionados a futuras decisões de investimento relacionadas aos projetos minerais incluídos no pacote.
Para a MMG, a aquisição representaria a entrada no Brasil e acrescentaria o níquel a um portfólio concentrado principalmente em cobre e zinco.
A empresa informou, quando anunciou a compra, que os ativos brasileiros possuem capacidade de produção próxima de 40 mil toneladas de níquel em ferroníquel por ano.
Considerando todo o conjunto adquirido, a companhia também apresentou recursos equivalentes a aproximadamente 5,2 milhões de toneladas de níquel contido.
Europa teme desvio de ferroníquel produzido no Brasil
O principal obstáculo para a conclusão da venda está na análise concorrencial da Comissão Europeia.
A operação foi formalmente notificada ao órgão em setembro de 2025.
Em 4 de novembro de 2025, a Comissão abriu uma investigação aprofundada para analisar os possíveis efeitos da aquisição sobre o mercado de ferroníquel de baixo carbono utilizado por fabricantes europeus de aço inoxidável.
O processo avançou novamente em 16 de setembro de 2026, quando a Comissão enviou à MMG uma Declaração de Objeções.
O documento apresenta as preocupações preliminares encontradas durante a investigação, mas não determina antecipadamente qual será a decisão final.
A Comissão considera preliminarmente que o mercado europeu de ferroníquel de baixo carbono possui concentração elevada e número limitado de fornecedores capazes de atender determinados clientes.
A preocupação é que, após a compra, a MMG possa direcionar parte da produção brasileira para fabricantes de aço inoxidável associados à estrutura empresarial estatal chinesa.
Nesse cenário, segundo a avaliação preliminar do órgão europeu, poderia haver menos ferroníquel disponível para consumidores na Europa, com possíveis reflexos sobre os preços e os custos da indústria siderúrgica.
A MMG contesta essa interpretação.
A companhia afirma que atualmente não produz ferroníquel nem participa desse mercado e considera que as preocupações apresentadas pela Comissão Europeia não refletem adequadamente as características comerciais do setor.
Decisão europeia pode sair até o fim de novembro
A audiência marcada para 8 de outubro permitirá que Anglo American e MMG apresentem seus argumentos diretamente às autoridades responsáveis pela análise da transação.
A MMG também sinalizou disposição para discutir compromissos de fornecimento de longo prazo para clientes europeus, numa tentativa de responder às preocupações levantadas durante a investigação.
O prazo atual da Comissão Europeia para concluir a análise vai até 30 de novembro de 2026.
Entre os possíveis resultados estão a aprovação sem condições, uma autorização acompanhada de compromissos específicos ou a proibição da aquisição.
Até que exista uma decisão definitiva, Barro Alto e Codemin continuam pertencendo à Anglo American e permanecem em operação no Brasil.
A disputa regulatória, portanto, concentra-se principalmente sobre quem ficará com os ativos e como poderá ser distribuído no futuro o ferroníquel produzido em Goiás.
Para a Anglo, um veto europeu colocaria em dúvida a continuidade do negócio de níquel dentro de seu portfólio. Já a Comissão Europeia avalia se a transferência para a MMG poderia reduzir a oferta disponível para a indústria de aço inoxidável do continente.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

