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Yara investe R$ 190 milhões no Brasil, prepara 10 novos produtos e testa tecnologia para ajudar soja a enfrentar calor e estresse
Escrito por Ana Alice
Publicado em 23/10/2026 às 13:06
Atualizado em 23/10/2026 às 13:37
Agronegócio
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Multinacional amplia aposta em bioinsumos no Brasil, prepara dez lançamentos em cinco anos e desenvolve soluções com peptídeos para melhorar a resposta das plantas ao calor e a outros estresses ambientais.
A Yara, uma das maiores empresas de fertilizantes do mundo, investiu R$ 190 milhões no Brasil nos últimos três anos para ampliar sua atuação em bioinsumos e fertilizantes foliares.
A companhia também prepara uma nova rodada de lançamentos para o agronegócio brasileiro.
A meta é colocar 10 novos produtos no mercado nos próximos cinco anos e avançar no desenvolvimento de tecnologias voltadas a aumentar a eficiência das plantas diante de condições como calor, deficiência hídrica e outros tipos de estresse ambiental.
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Parte do investimento realizado no país foi direcionada à pesquisa, à estrutura industrial e à contratação de equipes de campo.
O movimento ocorre enquanto a multinacional tenta aumentar a participação de produtos de maior valor agregado em seus negócios, indo além do mercado tradicional de fertilizantes minerais.
Bioinsumos ganham espaço na estratégia da Yara
A área de bioinsumos e foliares da Yara no Brasil já responde por cerca de 14% do Ebitda da operação nacional.
A meta apresentada pela companhia é fazer com que esse segmento chegue a representar até 30% da margem gerada pela empresa no país até 2030.
O Brasil ocupa uma posição relevante nessa estratégia.
De acordo com a Yara, a operação brasileira responde atualmente por aproximadamente metade do negócio global da companhia em bioinsumos e foliares, refletindo a dimensão do mercado agrícola nacional e o ritmo de adoção de novas tecnologias pelos produtores.
A expansão ocorre em uma categoria que cresce mais rapidamente do que o mercado tradicional de fertilizantes.
Segundo a empresa, o segmento de bioinsumos e foliares vem avançando em ritmo de dois dígitos por ano e registrou crescimento de cerca de 30% em 2025 em determinadas linhas ligadas à fisiologia vegetal.
A própria Yara trata os biológicos como um dos pilares de sua estratégia de crescimento.
Globalmente, a empresa reúne nessa frente produtos de nutrição especializada, comercializados principalmente sob a marca YaraVita, e bioestimulantes da linha YaraAmplix.
Segundo a companhia, os bioestimulantes são desenvolvidos para melhorar a eficiência no uso dos nutrientes, favorecer a saúde das raízes e ajudar as culturas a enfrentar estresses ambientais.
Esses produtos, porém, não substituem os fertilizantes, mas são utilizados em conjunto com programas de nutrição vegetal.
Tecnologia com peptídeos mira resposta da soja ao calor
Entre as tecnologias que podem chegar ao Brasil está um produto desenvolvido a partir de peptídeos bioativos, com lançamento previsto para 2027.
Os peptídeos são pequenas cadeias formadas por aminoácidos e podem atuar em processos de sinalização dentro das plantas.
A pesquisa da Yara busca explorar esses mecanismos para alterar respostas fisiológicas diante de situações que normalmente reduzem o potencial produtivo das lavouras.
Um dos exemplos usados pela empresa envolve a soja submetida a temperaturas elevadas.
Sob calor intenso, a planta pode reduzir sua atividade fotossintética e direcionar menos energia para o crescimento e para a formação de grãos.
A tecnologia em estudo busca enviar sinais capazes de favorecer uma resposta fisiológica mais eficiente, permitindo melhor aproveitamento dos nutrientes, da água e da luminosidade disponíveis.
Isso não significa que a tecnologia elimine os efeitos do calor ou garanta aumento de produtividade em qualquer condição.
Os produtos ainda passam por desenvolvimento e testes, e o resultado no campo depende de fatores como cultivar, clima, manejo, disponibilidade hídrica e condições do solo.
A estratégia da Yara concentra-se em aumentar a tolerância aos chamados estresses abióticos, e não em tornar as plantas imunes a esses eventos.
YaraAmplix já leva bioestimulantes ao campo
A empresa já trabalha comercialmente com esse conceito por meio da YaraAmplix, marca global de bioestimulantes lançada em 2023 e introduzida inicialmente em mercados que incluíram Brasil, China e França.
Ao apresentar a plataforma, a Yara informou que os produtos utilizam formulações destinadas a estimular processos metabólicos das culturas, com foco em eficiência nutricional, qualidade e tolerância a situações como seca e temperaturas extremas.
A companhia também mantém pesquisas no Centro de Hanninghof, em Dülmen, na Alemanha, onde estuda nutrição de plantas, bioestimulantes, biomoléculas e microrganismos.
A unidade reúne laboratórios, estufas e áreas experimentais usadas para submeter plantas a diferentes condições de manejo e ambiente.
Em 2026, a Yara anunciou a expansão de sua capacidade de pesquisa em soluções biológicas nesse centro.
É nesse ambiente que parte das próximas tecnologias agrícolas da multinacional está sendo desenvolvida.
Microrganismos vivos podem chegar depois dos peptídeos
Além dos peptídeos, a empresa realiza testes com microrganismos vivos, uma categoria na qual ainda não possui produtos comerciais dentro de seu portfólio global de bioinsumos nos moldes utilizados pela legislação brasileira.
A expectativa informada pela companhia é que os primeiros produtos baseados em microrganismos vivos possam chegar ao mercado por volta de 2028 ou 2029, dependendo do avanço dos testes e dos processos regulatórios.
Entre os desafios técnicos estão a vida útil dos microrganismos até o uso na propriedade rural, a estabilidade das formulações e a possibilidade de combinar diferentes organismos em um mesmo produto.
Outra linha estudada envolve metabólitos, substâncias produzidas por organismos vivos que podem exercer funções específicas sobre o desenvolvimento vegetal.
Enquanto essas soluções permanecem em pesquisa, a Yara amplia no Brasil produtos que já fazem parte de seu portfólio, incluindo fertilizantes foliares, bioestimulantes e tecnologias de revestimento de grânulos.
Uma das plataformas utilizadas é a PROCOTE, desenvolvida para aplicar micronutrientes e, mais recentemente, bioestimulantes sobre fertilizantes granulados.
Segundo a multinacional, a tecnologia permite distribuir os componentes de maneira uniforme nos grânulos sem comprometer características de armazenamento e aplicação do fertilizante.
Empresa pretende lançar 10 novos produtos em cinco anos
No mercado brasileiro, a estratégia inclui ainda produtos como o YaraBasa Full e a expansão da linha YaraAmplix, direcionada a funções relacionadas ao desenvolvimento vegetal e ao aproveitamento de nutrientes.
Assista o vídeo
A companhia não pretende, pelo menos na estratégia apresentada atualmente, concentrar seus investimentos no controle biológico de pragas e doenças, segmento que já reúne grande quantidade de empresas no país.
O foco declarado está em promoção de crescimento, eficiência no uso dos nutrientes e disponibilização de elementos presentes no solo, áreas diretamente relacionadas à atividade tradicional da Yara em nutrição vegetal.
Essa especialização também ajuda a explicar o tamanho do investimento realizado no Brasil.
Além da pesquisa e da estrutura produtiva, parte dos R$ 190 milhões foi destinada à chamada geração de demanda, que envolve equipes responsáveis por demonstrações, acompanhamento técnico e apresentação dos produtos aos agricultores.
Segundo a Yara, existem mais de 870 empresas comercializando produtos nessa categoria no mercado brasileiro, o que aumenta a disputa por espaço nas lavouras e exige comprovação de desempenho em diferentes regiões e culturas.
A empresa pretende usar os próximos cinco anos para ampliar esse portfólio com os 10 lançamentos planejados, combinando tecnologias de nutrição vegetal, bioestimulantes e novas soluções fisiológicas.
O primeiro passo mais próximo é o produto à base de peptídeos previsto para 2027.
Em uma etapa posterior, entre 2028 e 2029, podem chegar as primeiras soluções da Yara baseadas em microrganismos vivos, desde que os testes e registros regulatórios avancem conforme o cronograma atualmente projetado.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

