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11 mil toneladas, 4 navios e 19 viagens à Antártica: Chile leva o material de um cais de 47 metros para a ilha onde o Brasil mantém a Estação Comandante Ferraz

11 mil toneladas, 4 navios e 19 viagens à Antártica: Chile leva o material de um cais de 47 metros para a ilha onde o Brasil mantém a Estação Comandante Ferraz

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11 mil toneladas, 4 navios e 19 viagens à Antártica: Chile leva o material de um cais de 47 metros para a ilha onde o Brasil mantém a Estação Comandante Ferraz

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 03/11/2026 às 16:44

Atualizado em 03/11/2026 às 16:45

Indústria Naval

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Barcaça com guindastes, máquinas e canteiro da obra do cais da Baía Fildes, ao lado do rebocador Lenga, na primeira temporada da obra. Foto: Divulgação/Dirección de Obras Portuarias (MOP Chile)

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A Armada de Chile anunciou em 30 de outubro de 2026 a nova temporada de transporte para o cais da Baía Fildes, na Ilha Rei George, na Antártica. Mostramos o salto sobre o verão passado, quanto custa a obra em reais e o que o Brasil tem na mesma ilha.

O Chile vai levar mais de 11 mil toneladas de carga à Antártica neste verão. A Armada de Chile anunciou o plano na sexta-feira, 30 de outubro de 2026, em Punta Arenas, no lançamento da 63ª Expedição Científica Antártica.

Quem detalhou a operação foi o contra-almirante Juan Soto, comandante em chefe da Terceira Zona Naval da Armada de Chile. Segundo ele, quatro navios farão 19 viagens à Antártica para levar material de construção.

O destino é a Baía Fildes, na Ilha Rei George. Ali o Chile constrói um cais novo. É a mesma ilha onde fica a Estação Antártica Comandante Ferraz, a base científica do Brasil.

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A revista espanhola de defesa Infodefensa também registrou o anúncio, com os mesmos números da Armada.

Quais navios o Chile manda para a Antártica e quanto cada um carrega?

O carro-chefe é o Sargento Aldea, de casco LSDH-91, um navio multipropósito da Armada de Chile. Ao lado dele vão três rebocadores de apoio: o Janequeo (ATF-65), o Galvarino (ATF-66) e o Lientur (ATF-60).

A tarefa faz parte da segunda fase da operação Base Soberanía. Na apresentação registrada pela Armada de Chile, Soto disse que o Sargento Aldea já estava carregando no cais Santos Mardones, em Punta Arenas.

Na média, 11 mil toneladas em 19 viagens dão cerca de 579 toneladas por viagem (conta nossa: 11.000 dividido por 19). As viagens não têm o mesmo tamanho: o Sargento Aldea é o navio multipropósito, e os outros três são rebocadores.

O Lientur acumula funções: além do transporte, ele faz patrulha antártica e apoio às bases chilenas na Comissão Antártica da Armada, que vai de novembro até o fim de março.

Nessa mesma comissão entram mais dois navios: o quebra-gelo Viel, que abre e fecha bases e faz quatro cruzeiros científicos, e o navio-patrulha Fuentealba, que cuida da sinalização marítima e da fiscalização de pesca no Oceano Austral.

Quanto as 11 mil toneladas superam o verão passado?

Na temporada anterior, os navios chilenos levaram 7.250 toneladas, segundo o contra-almirante Soto. Agora são mais de 11 mil. São pelo menos 3.750 toneladas a mais (conta nossa: 11.000 menos 7.250).

Em porcentagem, o salto é de cerca de 52% (conta nossa: 11.000 dividido por 7.250 dá 1,517). Como a Armada fala em “mais de” 11 mil, o aumento pode ser maior.

O número do ano passado varia conforme o órgão. A Armada fala em 7.250 toneladas. A Dirección de Obras Portuarias do Ministério de Obras Públicas do Chile, dona da obra, fala em cerca de 7 mil toneladas levadas de Punta Arenas até a Baía Fildes.

TemporadaCarga para a AntárticaNavios no transporteViagens2025/20267.250 t (Armada) ou cerca de 7 mil t (DOP)Sargento Aldea, Janequeo, Galvarino e Lienturnão divulgado2026/2027mais de 11 mil tSargento Aldea, Janequeo, Galvarino e Lientur19

O que é o cais que o Chile constrói na Baía Fildes?

É uma obra do Ministério de Obras Públicas chileno, executada pela Dirección de Obras Portuarias (DOP). O investimento anunciado é de 27,806 bilhões de pesos chilenos, em três etapas.

O Sargento Aldea em Punta Arenas, em janeiro de 2026, na carga de material para o cais da Baía Fildes. Foto: Divulgação/Dirección de Obras Portuarias (MOP Chile)

Em reais, isso dá cerca de R$ 152 milhões (conta nossa: 27.806.000.000 pesos vezes R$ 0,005465). A base é a cotação PTAX de venda do Banco Central do Brasil para o peso chileno em 30 de outubro de 2026, a sexta-feira do anúncio.

A primeira etapa é um cais de 47 metros de comprimento por 22,5 metros de largura. Junto dele vem uma área de apoio de 1.600 metros quadrados, segundo a Dirección de Obras Portuarias do Chile.

Só o piso do cais soma 1.057,5 metros quadrados (conta nossa: 47 vezes 22,5). Com a área de apoio, são 2.657,5 metros quadrados.

O que vai nos porões é pesado: muros pré-fabricados de concreto, estacas-prancha de aço, que formam o contorno do cais, e aterro granular. Tudo sai de Punta Arenas rumo à Baía Fildes.

A obra só anda no verão. As janelas de trabalho vão de novembro a março, e a DOP prevê obras até março de 2028.

Na primeira temporada, entre novembro de 2025 e março de 2026, a DOP diz ter chegado a cerca de 30% de avanço. Foram montados acampamento, canteiro e sistemas de apoio, e começaram os muros de contenção da área de apoio.

O diretor regional de Obras Portuárias de Magallanes, Jorge Valdebenito, contou que a equipe deixou estocados 2.387 metros cúbicos de aterro e mais de 100 toneladas de estacas-prancha.

No começo de abril, os 25 trabalhadores saíram da ilha por mar e por avião, segundo o secretário regional do MOP, Alejandro Marusic.

Onde fica a estação brasileira nessa mesma ilha?

A Estação Antártica Comandante Ferraz fica na Ilha Rei George, na Baía do Almirantado, segundo a Agência Marinha de Notícias. Foi inaugurada em 6 de fevereiro de 1984.

O navio polar Almirante Maximiano no Rio de Janeiro, na partida da OPERANTAR XLV, em outubro de 2026. Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

O cais da Baía Fildes foi pensado para a Armada, a Força Aérea, o Instituto Antártico Chileno e as bases permanentes do Chile, segundo a DOP. Os dois países dividem a ilha, cada um com a sua estrutura.

O Brasil também está em plena temporada. Em 4 de outubro de 2026, o navio polar Almirante Maximiano e o navio de apoio oceanográfico Ary Rongel saíram do Rio de Janeiro para a 45ª Operação Antártica, a OPERANTAR XLV, segundo a Agência Marinha de Notícias.

São mais de 200 pessoas a bordo, entre militares e pesquisadores. A volta está prevista para abril de 2027. O Ary Rongel faz a sua 33ª temporada seguida no apoio à Comandante Ferraz.

O peso da conta muda de lado. O Chile manda quatro navios só para carregar a obra, e mais dois ficam na comissão antártica da Armada. A Marinha do Brasil leva dois navios para a temporada inteira.

ItemChile (temporada 2026/2027)Brasil (OPERANTAR XLV)Navios citados6 (4 no transporte da obra, mais Viel e Fuentealba)2 (Almirante Maximiano e Ary Rongel)Projetos de pesquisa50 (expedição do INACH e da chancelaria)29 (eram 26 na anterior)Períodonovembro de 2026 a março de 2027outubro de 2026 a abril de 2027Base lembrada na temporadaCapitán Arturo Prat, de fevereiro de 1947Comandante Ferraz, de fevereiro de 1984

Do lado chileno, a chancelaria e o Instituto Antártico Chileno (INACH) preveem 50 projetos de pesquisa, segundo a Armada de Chile, com centro na base Professor Julio Escudero, também na Ilha Rei George. Do lado brasileiro, a OPERANTAR XLV apoia 29 projetos.

A temporada chilena ainda marca os 80 anos da base naval Capitán Arturo Prat, fundada em fevereiro de 1947. A Armada de Chile diz que ela foi a primeira instalação chilena de ocupação permanente na Antártica.

O próximo passo é a retomada da obra em novembro. Pelo calendário da DOP, a segunda temporada é a do avanço grande no cais e na estrutura marítima ligada a ele.

Tags

Antártica, Chile, Armada de Chile, Sargento Aldea, Baía Fildes, Ilha Rei George, Comandante Ferraz, OPERANTAR XLV, Marinha do Brasil


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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