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18,5 mil toneladas, mesmo projeto e destinos opostos: o Brasil comprou o HMS Bulwark e o Reino Unido deixa o irmão HMS Albion à espera do descarte, a R$ 14,5 milhões por ano parado no cais

18,5 mil toneladas, mesmo projeto e destinos opostos: o Brasil comprou o HMS Bulwark e o Reino Unido deixa o irmão HMS Albion à espera do descarte, a R$ 14,5 milhões por ano parado no cais

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18,5 mil toneladas, mesmo projeto e destinos opostos: o Brasil comprou o HMS Bulwark e o Reino Unido deixa o irmão HMS Albion à espera do descarte, a R$ 14,5 milhões por ano parado no cais

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 03/11/2026 às 16:38

Atualizado em 03/11/2026 às 16:39

Indústria Naval

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O HMS Albion (L14), irmão do navio que a Marinha do Brasil comprou, com uma lancha de desembarque ao lado. Foto: UK MOD/Crown copyright

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O navio gêmeo do NDM Oiapoque segue amarrado em Devonport sem destino anunciado, e o governo britânico já baixou do balanço cerca de 195,3 milhões de libras pelo HMS Albion, perto de R$ 1,42 bilhão.

Enquanto o HMS Bulwark troca a bandeira britânica pela brasileira e vira o NDM Oiapoque, o irmão dele, o HMS Albion, continua parado em Devonport à espera do descarte. A situação está escrita no comunicado do governo britânico de 28 de agosto de 2026 sobre a passagem do Bulwark para a Marinha do Brasil.

O texto oficial diz que o Albion “permanece atracado” na base naval de Devonport, no sul da Inglaterra, “aguardando descarte”. Descarte, no vocabulário da Royal Navy, é a saída definitiva do navio da frota, seja por venda, reciclagem ou outro destino.

Os dois navios são da mesma classe Albion, feitos para levar tropas, veículos e lanchas de desembarque até a praia. Saíram do mesmo projeto e cumpriram o mesmo papel por duas décadas.

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O Albion entrou em serviço em 2003, e o Bulwark, em 2005, segundo o UK Defence Journal. Agora, um vai navegar com a Marinha do Brasil e o outro espera a decisão final no cais.

O que o Reino Unido vai fazer com o HMS Albion?

O destino ainda não foi anunciado. Em resposta escrita ao Parlamento, publicada em 11 de setembro de 2026, o Ministério da Defesa britânico disse que continua avaliando as opções de descarte do HMS Albion.

O HMS Albion no mar, antes de ser retirado de serviço e deixado à espera do descarte. Foto: NATO/UK Defence Journal

Segundo a mesma resposta, a meta é obter o melhor retorno pelo dinheiro público e cumprir as exigências de segurança, meio ambiente e sigilo militar. O ministério prometeu novos anúncios “em breve”.

A resposta não diz se o navio vai para o desmanche, para a venda a outro país ou para outro fim. Por isso, desmanche ainda não é palavra oficial no caso do HMS Albion: a expressão usada pelo governo é descarte.

Em fevereiro, a Defesa britânica tinha explicado ao Parlamento que o Albion era mantido para ajudar a preparar o Bulwark antes da venda ao Brasil. Na época, nenhum plano de descarte estava confirmado.

Na prática, o navio mais velho ficou no cais como apoio ao mais novo, até o Bulwark ficar pronto para a nova bandeira.

Quanto custa manter o HMS Albion parado no cais?

Pela resposta da Defesa britânica de 18 de fevereiro de 2026, manter o Albion seguro em Devonport, numa amarração sujeita à maré, custa cerca de 2 milhões de libras por ano. O gasto segue até o descarte terminar.

Pela PTAX de venda do Banco Central de 30/10, a libra esterlina valia R$ 7,2633. Foi a última cotação antes do fim de semana e do feriado de Finados.

Com esse câmbio, o HMS Albion parado consome perto de R$ 14,5 milhões por ano (conta nossa: 2 milhões vezes 7,2633).

O valor paga cerca de 8,96 mil salários mínimos de R$ 1.621 (conta nossa: 14.526.600 dividido por 1.621). É dinheiro gasto só para o navio continuar flutuando e vigiado, sem sair para o mar.

Quando o governo britânico anunciou a retirada dos dois navios, em novembro de 2024, a economia prometida era de 9 milhões de libras por ano em manutenção, segundo o Portsmouth News. Em reais, são R$ 65,4 milhões por ano (conta nossa: 9 milhões vezes 7,2633).

Quanto o Reino Unido perdeu com o HMS Albion e o HMS Bulwark?

Em 19 de outubro de 2026, o ministro de Estado da Defesa, Luke Pollard, respondeu a uma pergunta do deputado Ben Obese-Jecty sobre o valor que sumiu do balanço. A resposta escrita 33414 traz os números navio por navio.

O valor econômico restante baixado foi de cerca de 195,3 milhões de libras no Albion. No Bulwark, a baixa chegou a 233,2 milhões.

Pollard ressalvou que se trata de baixa contábil, e não de um custo ou pagamento feito com o orçamento da Defesa.

A baixa do HMS Albion equivale a R$ 1,42 bilhão (conta nossa: 195,3 milhões vezes 7,2633). A do Bulwark chega a R$ 1,69 bilhão (conta nossa: 233,2 milhões vezes 7,2633).

Em linguagem simples, é quanto os navios ainda “valiam” nos livros do governo pelos anos de serviço que tinham pela frente. Os dois estavam planejados para servir até 2033 e 2034, segundo o UK Defence Journal.

Em novembro de 2025, outra resposta ao Parlamento somou a perda contábil dos dois navios em 428,459 milhões de libras. Em reais, são cerca de R$ 3,11 bilhões (conta nossa: 428,459 milhões vezes 7,2633).

A mesma resposta registra que o Bulwark passou por uma reforma de 72,1 milhões de libras, concluída em 2024. A obra custou perto de R$ 523,7 milhões (conta nossa: 72,1 milhões vezes 7,2633).

Como o HMS Bulwark virou o NDM Oiapoque da Marinha do Brasil?

A compra foi oficializada em setembro de 2025, na feira DSEI, em Londres, a bordo do navio britânico HMS Mersey, segundo a Agência Marinha de Notícias. O contrato veio depois de um protocolo de intenções assinado na LAAD, no Rio, em abril daquele ano.

O HMS Bulwark, comprado pela Marinha do Brasil e rebatizado NDM Oiapoque. Foto: Marinha do Brasil/Flickr

Pela Marinha do Brasil, o navio tem 176 metros de comprimento, 18.500 toneladas de deslocamento e espaço para até 710 militares.

A velocidade chega a 18 nós, cerca de 34 km/h. O NDM Oiapoque tem ainda oito embarcações auxiliares e convés para dois helicópteros de grande porte.

O preço pago pelo Brasil é tratado como segredo comercial. Em setembro, a Defesa britânica disse ao Parlamento que a venda dará retorno financeiro, mas que os detalhes do preço são comercialmente sensíveis.

Em fevereiro, o ministro da Defesa, José Mucio, visitou o futuro NDM Oiapoque em Plymouth, segundo a Agência Marinha de Notícias. A previsão divulgada na época era incorporar o navio em 30 de junho de 2026 e trazê-lo ao Brasil em outubro de 2026.

Com o Oiapoque, a Marinha do Brasil ganha o segundo maior navio de guerra do país, pela conta da própria Força.

Na Royal Navy, o Bulwark foi capitânia da frota entre 2011 e 2015. Também atuou na retirada de civis do Líbano em 2006, segundo o comunicado britânico.

O jornal Portsmouth News, que acompanha a base naval britânica, relatou que o Albion foi considerado em condição ruim demais. A Marinha do Brasil ficou com o irmão que tinha passado pela reforma mais recente.

O que vem depois do HMS Albion e do Bulwark na Royal Navy?

O Reino Unido aposta em uma nova geração de navios de desembarque, feita em parceria com a Holanda. O acordo de 2,4 bilhões de libras foi assinado em julho de 2026, segundo o comunicado do governo britânico.

Em reais, o programa soma cerca de R$ 17,43 bilhões (conta nossa: 2,4 bilhões vezes 7,2633). Cada país vai operar quatro navios.

Os novos navios terão 160 metros e 15 mil toneladas. São 16 metros mais curtos que o NDM Oiapoque (conta nossa: 176 menos 160).

Em peso, são 3,5 mil toneladas a menos que o navio comprado pela Marinha do Brasil (conta nossa: 18.500 menos 15.000).

O lorde Coaker, ministro da Defesa britânico, disse no comunicado oficial estar satisfeito porque o Bulwark vai continuar sua história a serviço do Brasil. Para o HMS Albion, a história segue em suspenso em Devonport, a cerca de 2 milhões de libras por ano.

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HMS Albion, HMS Bulwark, NDM Oiapoque, Marinha do Brasil, Royal Navy, Devonport, navio de desembarque, Reino Unido, Ministério da Defesa britânico


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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