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5 pedágios eletrônicos em 170 km e nenhuma cancela: a BR-280 em Santa Catarina vai cobrar pela placa entre Mafra e São Francisco do Sul, com tarifa de referência de R$ 0,186 por quilômetro e leilão marcado para novembro de 2027

5 pedágios eletrônicos em 170 km e nenhuma cancela: a BR-280 em Santa Catarina vai cobrar pela placa entre Mafra e São Francisco do Sul, com tarifa de referência de R$ 0,186 por quilômetro e leilão marcado para novembro de 2027

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5 pedágios eletrônicos em 170 km e nenhuma cancela: a BR-280 em Santa Catarina vai cobrar pela placa entre Mafra e São Francisco do Sul, com tarifa de referência de R$ 0,186 por quilômetro e leilão marcado para novembro de 2027

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 03/11/2026 às 16:36

Construção

Grupo

Viaduto de acesso ao túnel duplo do Morro do Vieira, na duplicação da BR-280 em Jaraguá do Sul; a rodovia vai a leilão com cinco pórticos de pedágio eletrônico. Foto: Divulgação/DNIT

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A BR-280, que hoje não tem pedágio, entra na lista de concessões do governo federal com cinco pórticos de free flow em Santa Catarina. A conta com a tarifa de referência do ministério mostra quanto isso pode pesar para quem roda todo dia no Norte catarinense.

A BR-280 vai ganhar cinco pórticos de pedágio eletrônico ao longo de 170,5 quilômetros, de Mafra, no Planalto Norte, a São Francisco do Sul, no litoral. O número está na ficha técnica do Ministério dos Transportes para a Rota Norte Catarinense. O documento, publicado em 15 de outubro, trata do Lote 2 das concessões federais em Santa Catarina.

O portal Estradas detalhou nesta terça-feira, 3 de novembro, como o pedágio eletrônico deve funcionar: sem praça, sem cancela e sem parar o carro. É o sistema conhecido como free flow.

A mesma ficha registra que a rodovia não tem nenhuma praça de pedágio hoje e que nenhuma praça física será construída. Toda a cobrança fica nos cinco pórticos.

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Quanto vai custar o pedágio eletrônico da BR-280?

O valor final do pedágio eletrônico depende do edital e do leilão da concessão, que vão fixar a tarifa de cada pórtico, explica o Estradas.

O estudo do governo, porém, já traz uma régua. A ficha do Ministério dos Transportes usa uma tarifa quilométrica de referência de R$ 0,186 por quilômetro em pista simples, em valores de julho de 2024.

Com essa régua, dá para fazer a conta do bolso. Para rodar os 170,5 km da BR-280 inteira, a tarifa de referência daria R$ 31,71 (conta nossa: 170,5 vezes 0,186).

Ida e volta no trecho completo, R$ 63,43. A cada 100 quilômetros, R$ 18,60 (conta nossa).

Simulação com a tarifa de referênciaDistânciaValorTrecho inteiro, só ida170,5 kmR$ 31,71Trecho inteiro, ida e volta341 kmR$ 63,43Um trecho médio entre pórticos34,1 kmR$ 6,34Ida e volta nesse trecho médio, 22 dias úteis1.500,4 kmR$ 279,07
A tarifa vem do Ministério dos Transportes (TKM de pista simples, data-base julho de 2024), e as contas da tabela são nossas.

A tarifa vem do Ministério dos Transportes (TKM de pista simples, data-base julho de 2024), e as contas da tabela são nossas.

O último número é o que mais pesa para quem usa a BR-280 para trabalhar. Quem cruzar um trecho médio de ida e volta todos os dias úteis gastaria R$ 279,07 por mês. Isso equivale a 17,2% do salário mínimo de 2026, de R$ 1.621 (conta nossa: 279,07 dividido por 1.621).

Esses números servem de simulação. O valor de julho de 2024 ainda vai ser corrigido até a cobrança começar, e o leilão da concessão pode mudar a tarifa.

Onde ficam os 5 pórticos da BR-280?

A posição definitiva de cada pórtico de pedágio eletrônico e o valor cobrado em cada um ficam para as próximas etapas, informa o Estradas.

Na média, cinco pórticos em 170,5 km dão um ponto de cobrança a cada 34,1 quilômetros (conta nossa: 170,5 dividido por 5).

Isso não quer dizer que todo motorista vai pagar cinco vezes. Quem só vai de Jaraguá do Sul a Guaramirim, por exemplo, pode cruzar um pórtico ou nenhum, conforme o lugar onde os equipamentos forem instalados.

A ficha do ministério calcula um movimento de 23.695 veículos equivalentes por dia em cada ponto de cobrança. É a medida que o setor usa para somar carros, caminhões e ônibus na mesma conta.

Como funciona o free flow para quem não tem tag?

O carro passa por baixo do pórtico em velocidade normal. Câmeras e sensores leem a tag ou a placa e registram a passagem, explica a página da ANTT sobre o free flow.

Com tag, o débito cai sozinho na fatura da operadora. Sem tag, o pagamento é obrigatório do mesmo jeito, pelo site, aplicativo ou totens da concessionária, segundo a orientação da ANTT em Não tenho TAG, e agora?.

O prazo para pagar é curto. Nas rodovias federais, a multa é lavrada quando o pagamento não aparece em 15 dias da passagem pelo pórtico, com base no artigo 209-A do Código de Trânsito, informa a área de multas do free flow da ANTT.

Pelas regras nacionais, a falta de pagamento pode render multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH, segundo o Estradas.

Santa Catarina ainda não tem pedágio eletrônico em rodovia federal. O cadastro da ANTT lista 52 pórticos de free flow em 9 trechos de 6 estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rondônia, Paraná e Goiás.

O que a concessão promete de obra na BR-280?

O pacote soma R$ 3,26 bilhões em investimentos em 30 anos de contrato, de acordo com a ficha do Ministério dos Transportes. Outros R$ 3,38 bilhões vão para operar e manter a rodovia.

Túnel duplo do Morro do Vieira, obra de R$ 228 milhões do DNIT na BR-280, em Jaraguá do Sul. Foto: Divulgação/DNIT

A lista de obras inclui 48,72 km de duplicação, 75,31 km de faixas adicionais, 12,73 km de contorno e 11,15 km de vias marginais. Entram ainda 36 interseções, 20 passarelas e um ponto de parada e descanso para caminhoneiros.

Uma das duplicações previstas fica entre Jaraguá do Sul e Corupá, segundo o Riomafra Mix.

O governo estima 47.223 empregos, somando diretos, indiretos e efeito-renda. A receita bruta prevista em 30 anos é de R$ 16,19 bilhões, perto de R$ 540 milhões por ano (conta nossa: 16,19 bilhões divididos por 30).

O investimento por quilômetro, pela ficha, é de R$ 19,11 milhões. As obras pesadas ficam concentradas do quarto ao oitavo ano do contrato.

E a duplicação que o DNIT já está fazendo?

A obra continua: o DNIT informou que os trabalhos já contratados seguem independentemente da concessão e podem ser incorporados ao contrato depois de prontos, segundo o Estradas.

Equipes trabalham no acesso ao túnel duplo da BR-280; obras já contratadas pelo DNIT seguem fora da concessão. Foto: Divulgação/DNIT

A obra mais vistosa da BR-280 em Santa Catarina é o túnel duplo do Morro do Vieira, em Jaraguá do Sul. São cerca de um quilômetro em cada sentido e R$ 228 milhões de investimento. O conjunto da duplicação federal soma R$ 1,7 bilhão, de acordo com o ND Mais.

O túnel faz parte do lote 2.2, de 23,9 km entre Guaramirim e Jaraguá do Sul. Em outubro, o DNIT informou ao ND Mais que a execução financeira desse lote estava em 82%.

A versão original do projeto juntava a BR-280 com rodovias estaduais, como a SC-418, na Serra Dona Francisca, e a SC-108. Sem acordo com o governo do Estado, o desenho ficou só com a rodovia federal, conta o Riomafra Mix.

Quando começa a cobrança na BR-280?

Não há data para o primeiro débito. O calendário divulgado pelo Ministério dos Transportes em 15 de outubro prevê o edital em agosto de 2027 e o leilão em novembro de 2027. A disputa será na B3, em São Paulo, segundo o SCC10.

A ficha técnica do ministério, atualizada em março, ainda mostra o edital em agosto de 2026. O leilão em novembro de 2027 é o mesmo nas duas versões.

Depois do leilão vêm a assinatura do contrato de concessão e a instalação dos pórticos. A fiscalização fica com a ANTT.

A BR-280 não está sozinha. A lista de Concessões Rodoviárias 2026 do ministério traz outros dois lotes catarinenses: o Lote 1, com BR-153, BR-282 e BR-470, e o Lote 3, com BR-153, BR-282 e BR-480.

Tags

BR-280, pedágio eletrônico, free flow, Santa Catarina, concessão rodoviária, Jaraguá do Sul, Joinville, Mafra, São Francisco do Sul, ANTT


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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