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557 empresas de transporte e logística estão em recuperação judicial no Brasil, e transportadora com 3,5 mil veículos tenta renegociar R$ 250 milhões

557 empresas de transporte e logística estão em recuperação judicial no Brasil, e transportadora com 3,5 mil veículos tenta renegociar R$ 250 milhões

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557 empresas de transporte e logística estão em recuperação judicial no Brasil, e transportadora com 3,5 mil veículos tenta renegociar R$ 250 milhões

Escrito por Ana Alice

Publicado em 01/11/2026 às 23:03

Atualizado em 01/11/2026 às 23:04

Logística e Transporte

Grupo

Brasil tem 557 empresas de transporte e logística em recuperação judicial; Grupo Murici, com 3,5 mil veículos, busca renegociar R$ 250 milhões. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Levantamento revela a dimensão das recuperações judiciais no transporte brasileiro, enquanto o Grupo Murici, com cerca de 3,5 mil veículos, apresenta um plano para renegociar obrigações que somam R$ 250,5 milhões.

O setor de transporte e logística chegou ao fim do segundo trimestre de 2026 com 557 empresas em recuperação judicial no Brasil, segundo levantamento do Monitor RGF-BIZDOC. Entre os casos está o do Grupo Murici, que declarou operar cerca de 3,5 mil veículos e apresentou à Justiça uma relação de credores de aproximadamente R$ 250,5 milhões.

A situação da transportadora ganhou um novo capítulo no fim de outubro. Após ter o processamento da recuperação judicial autorizado em agosto, o grupo apresentou um plano para reorganizar seus pagamentos, com propostas de descontos sobre dívidas e prazos que chegam a dez anos.

Os números do setor foram divulgados em reportagem da Transporte Moderno, reproduzida em 29 de outubro pela Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas (ANATC).

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De acordo com o levantamento publicado pela ANATC, o transporte aparece entre as atividades econômicas com maior proporção de empresas nessa situação. Os dados mostram o cenário de 30 de junho, enquanto o processo do Grupo Murici reúne acontecimentos posteriores.

Transporte e logística têm 557 empresas em recuperação judicial

O levantamento considerou 89.372 empresas ativas de transporte e logística. Desse universo, 557 estavam em recuperação judicial no encerramento de junho, o equivalente a 6,2 companhias para cada mil empresas em atividade.

Com esse resultado, o setor ocupava a terceira posição em incidência proporcional de recuperação judicial entre as atividades analisadas, atrás da agropecuária e da indústria de transformação.

Em quantidade absoluta de empresas, o transporte aparecia na quinta posição. O comércio, por exemplo, tinha 1.333 empresas em recuperação judicial, mas registrava uma proporção de aproximadamente dois casos por mil companhias ativas.

Os dados integram o Monitor RGF-BIZDOC do segundo trimestre de 2026, elaborado a partir de informações cadastrais da Receita Federal e registros dos tribunais brasileiros.

Na prática, a recuperação judicial permite que empresas com dificuldades financeiras negociem suas obrigações com os credores enquanto buscam preservar suas atividades.

No transporte de cargas, essa reorganização envolve uma operação que depende diariamente de combustível, manutenção de veículos, motoristas, contratos comerciais e capital de giro para manter as entregas.

Grupo Murici tenta reorganizar dívida de R$ 250,5 milhões

Um dos casos que ilustram esse cenário é o do Grupo Murici, formado pelas empresas Murici Transportes e Logística, Transportes Murici e Grigora Logística e Transportes, sediadas em São Paulo.

O grupo apresentou o pedido de recuperação judicial em 14 de agosto de 2026. Onze dias depois, em 25 de agosto, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo autorizou o processamento do caso.

A relação de credores apresentada pelas transportadoras soma R$ 250.464.985,73. Desse total, aproximadamente R$ 211,3 milhões correspondem a créditos quirografários, categoria que reúne obrigações sem garantia real específica.

Outros R$ 37,5 milhões estão relacionados a créditos trabalhistas, enquanto cerca de R$ 1,6 milhão envolve microempresas e empresas de pequeno porte.

Segundo os documentos disponibilizados pela administradora judicial Wald, o grupo declarou manter uma frota operacional de aproximadamente 3.500 veículos.

No pedido apresentado à Justiça, as companhias apontaram pressões sobre os custos de operação, aumento do endividamento e mudanças em contratos comerciais como fatores que contribuíram para suas dificuldades financeiras.

A empresa também buscou proteção judicial para veículos considerados necessários à continuidade dos serviços. Na decisão de agosto, a Justiça concedeu parcialmente essa proteção, incluindo a suspensão temporária de determinadas medidas de retirada de veículos identificados no processo.

Veículos Ford Transit utilizados pela Murici Logística em operações de distribuição de mercadorias. O Grupo Murici declarou operar cerca de 3,5 mil veículos e apresentou uma relação de credores de aproximadamente R$ 250,5 milhões. Crédito: Divulgação / Ford

Plano prevê descontos de até 85% e pagamentos em dez anos

O desenvolvimento mais recente ocorreu em outubro, quando o Grupo Murici apresentou uma proposta de reorganização financeira.

O documento, datado de 27 de outubro e disponibilizado pela administradora judicial no dia 29, estabelece condições diferentes de pagamento conforme a categoria dos credores.

Para os créditos quirografários, a proposta prevê desconto de 85% sobre os valores reconhecidos, carência de 24 meses após a homologação do plano e pagamento do saldo em até 120 parcelas mensais.

Já para os créditos trabalhistas abrangidos pelas condições gerais, o grupo propõe desconto de 40% e pagamento em até 12 meses, observadas as regras previstas no documento.

As microempresas e empresas de pequeno porte teriam, pela proposta geral, desconto de 70%, carência de um ano e quitação em até 12 meses após esse período.

O plano também apresenta alternativas específicas para determinadas categorias de credores, incluindo condições diferenciadas para obrigações de menor valor.

Conforme o plano de recuperação judicial do Grupo Murici, as condições ainda dependem dos procedimentos de aprovação e homologação previstos na legislação.

A proposta acompanha medidas de reorganização operacional e comercial, destinadas a ajustar despesas, contratos e capacidade de transporte ao volume de serviços que o grupo pretende manter.

Dependência de grandes contratos aparece no processo

Um dos principais pontos apresentados pelas transportadoras à Justiça é a concentração histórica de receitas em um único cliente.

De acordo com os documentos do Grupo Murici, o Mercado Livre respondeu, em média, por 58,1% de seu faturamento entre janeiro de 2025 e abril de 2026.

As empresas atribuíram parte de suas dificuldades a mudanças nessa relação comercial. Trata-se da avaliação apresentada pelo próprio grupo no processo, que também menciona a pressão dos preços do diesel e das despesas com pessoal e veículos.

No plano de outubro, a companhia informou que a relação com o Mercado Livre estava em fase de encerramento e apontou a intenção de concentrar seus esforços em outros clientes, incluindo Shopee, Coca-Cola e Petlove.

O documento também prevê a adequação da frota, das bases operacionais e do quadro de pessoal ao novo volume de contratos. Na ocasião, o grupo declarou manter 1.228 colaboradores diretos e operações em andamento.

A reorganização pretende reduzir despesas fixas e priorizar contratos com margens suficientes para sustentar os custos das operações.

Recuperação judicial permite manter operações durante a negociação

A recuperação judicial é regulamentada pela Lei nº 11.101/2005, que estabelece os procedimentos para empresas em dificuldades financeiras negociarem suas dívidas e apresentarem um plano de continuidade das atividades.

Durante o processo, a empresa permanece sujeita à fiscalização judicial e ao acompanhamento de uma administradora nomeada pelo juízo.

A negociação envolve interesses diferentes, desde instituições financeiras e fornecedores até trabalhadores e pequenas empresas que possuem valores a receber.

No caso do Grupo Murici, a administradora judicial Wald foi nomeada em agosto para acompanhar o processo, receber informações dos credores e disponibilizar documentos relacionados à recuperação.

A apresentação do plano de outubro abre uma nova etapa dessa negociação. Os credores poderão examinar as condições propostas e participar dos procedimentos previstos na legislação antes de uma eventual homologação judicial.

O processo tramita sob o número 4117482-81.2026.8.26.0100, na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo, com os documentos de acompanhamento disponibilizados pela administração judicial.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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