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Ademar Rangel da Silva, presidente do sindicato da construção de Limeira, diz que os 265 demitidos da cerâmica Incefra em Cordeirópolis (SP) vão ter FGTS e seguro-desemprego, mas a rescisão terá de ser cobrada na Justiça

Ademar Rangel da Silva, presidente do sindicato da construção de Limeira, diz que os 265 demitidos da cerâmica Incefra em Cordeirópolis (SP) vão ter FGTS e seguro-desemprego, mas a rescisão terá de ser cobrada na Justiça

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Ademar Rangel da Silva, presidente do sindicato da construção de Limeira, diz que os 265 demitidos da cerâmica Incefra em Cordeirópolis (SP) vão ter FGTS e seguro-desemprego, mas a rescisão terá de ser cobrada na Justiça

Escrito por Douglas Avila

Publicado em 05/11/2026 às 12:25

Atualizado em 05/11/2026 às 12:26

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Cerca de 265 trabalhadores da Cerâmica Incefra, em Cordeirópolis, no interior de São Paulo, foram dispensados de uma vez nesta quarta-feira (4), e o sindicato diz que a fábrica, em recuperação judicial, não tem dinheiro para pagar as rescisões agora.

A empresa paralisou a produção na unidade de Cordeirópolis e comunicou as demissões ao Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Limeira e Região (Siticecom), que acompanha o caso.

A informação foi confirmada ao Jornal Cidade, de Rio Claro, pelo presidente do sindicato, Ademar Rangel da Silva. A Incefra pertence ao grupo Fragnani e foi fundada há 55 anos.

Imagem ilustrativa: estrada rural entre Araras e Cordeirópolis (SP). Foto: Tatiane Aparecida Domingues da Silva/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

A fábrica avisou o sindicato na véspera.

Segundo Ademar, a direção da Incefra chamou o sindicato para uma reunião na terça-feira (3) e informou que não havia condições de manter a produção na unidade de Cordeirópolis.

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Na mesma conversa, a empresa disse que pretendia formalizar as demissões, para que o fim dos contratos não dependesse de uma iniciativa na Justiça. A paralisação começou no dia seguinte.

Os cerca de 265 funcionários já foram comunicados. A empresa vai manter só algumas pessoas nas áreas administrativa e de segurança, sem prazo definido para retomar a produção.

A rescisão sai no papel, mas não no bolso.

O ponto mais duro para os ceramistas é o dinheiro. Segundo o presidente do sindicato, a empresa não dispõe de recursos para pagar as verbas rescisórias neste momento.

“Eles vão rescindir os contratos e fazer os termos de rescisão, mas não têm dinheiro para pagar. Essas pessoas que não estiverem de acordo não terão outra iniciativa a não ser entrar com ação trabalhista”, explicou Ademar.

Com o termo de rescisão em mãos, os trabalhadores devem ter acesso ao FGTS depositado e ao seguro-desemprego, conforme os procedimentos legais para demissão sem justa causa.

Quem não concordar com os valores ou com as condições apresentadas pela empresa poderá recorrer à Justiça do Trabalho, segundo o sindicato.

O FGTS já tinha pendências.

O sindicato aponta atrasos no pagamento de salários e pendências nos depósitos do Fundo de Garantia, o que pode reduzir o valor que cada trabalhador encontra na conta na hora do saque.

Segundo Ademar, o Siticecom entrou há cerca de quatro anos com uma ação coletiva para garantir os direitos dos trabalhadores ligados ao fundo. Esse processo segue em andamento.

Se você trabalhava na Incefra, vale conferir o extrato no aplicativo do FGTS antes de assinar a rescisão, para saber quanto foi de fato depositado.

A crise vinha de pelo menos três anos.

O sindicato atribui a situação a problemas administrativos e financeiros da própria empresa. Para Ademar, a crise se agravou nos últimos três anos, com dívidas também com fornecedores.

A Incefra está em recuperação judicial há mais de dois anos. Nesse período, segundo o dirigente, a fábrica já tinha feito cortes de pessoal e parado a produção mais de uma vez.

“É uma empresa que já vem há mais de um ano se arrastando. Já fez cortes, está em recuperação judicial há mais de dois anos. Está em dificuldades, deixou funcionários em casa porque parou a produção, depois voltou e parou novamente”, afirmou.

Ele resumiu o quadro dizendo que a situação foi se agravando ao longo dos últimos três anos, até a decisão desta semana.

A rescisão não paga vira dívida trabalhista.

Sem o pagamento, o valor da rescisão continua devido ao trabalhador e pode ser cobrado na Justiça do Trabalho, que define quanto a empresa deve a cada um antes de qualquer cobrança.

Como a Incefra está em recuperação judicial, a forma de receber depende também do processo que corre na Justiça comum, onde o plano da empresa organiza o pagamento das dívidas.

O sindicato não informou quanto a empresa deve aos 265 trabalhadores em verbas rescisórias. A Incefra emitiu um comunicado ao mercado, citado pelo jornal, sem detalhar esse valor.

A unidade da Bahia não foi atingida.

A paralisação atinge, por enquanto, apenas a fábrica de Cordeirópolis. Segundo o sindicato, a unidade da empresa na Bahia não entrou na decisão desta semana.

O sindicalista disse que a direção ainda pretende tentar recuperar a operação paulista e, eventualmente, voltar a produzir nos próximos meses. Não há data nem plano divulgado para isso.

Cordeirópolis vive do polo cerâmico.

Cordeirópolis fica na região de Limeira e Santa Gertrudes, conhecida pela concentração de fábricas de revestimentos cerâmicos, como pisos e azulejos, um dos maiores polos do setor no país.

Uma dispensa de 265 pessoas de uma só vez numa cidade desse porte pesa no comércio, no aluguel e nas famílias que dependiam do salário da cerâmica para fechar o mês.

O que o trabalhador pode fazer agora.

O primeiro passo é guardar o termo de rescisão e os holerites. Eles servem tanto para sacar o FGTS e pedir o seguro-desemprego quanto para uma eventual ação na Justiça.

O Siticecom acompanha o caso e é o canal indicado para os trabalhadores tirarem dúvidas sobre valores, prazos e a ação coletiva do FGTS que já está em andamento.

Você aceitaria assinar uma rescisão sabendo que a empresa já avisou que não tem dinheiro para pagar?

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Cerâmica Incefra paralisa produção em Cordeirópolis e anuncia demissão de 265 funcionários


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Douglas Avila.

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