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Balsa para 60 carros alugada por R$ 880 mil começa a cruzar o Rio Grande entre Delfinópolis e Cássia e carrega quase o dobro da maior embarcação da frota antiga

Balsa para 60 carros alugada por R$ 880 mil começa a cruzar o Rio Grande entre Delfinópolis e Cássia e carrega quase o dobro da maior embarcação da frota antiga

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Balsa para 60 carros alugada por R$ 880 mil começa a cruzar o Rio Grande entre Delfinópolis e Cássia e carrega quase o dobro da maior embarcação da frota antiga

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 01/11/2026 às 20:48

Atualizado em 01/11/2026 às 20:49

Logística e Transporte

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A prancha CRB XV, alugada pela Prefeitura de Delfinópolis por R$ 880 mil, leva até 60 veículos na travessia do Rio Grande até Cássia. Foto: Prefeitura de Delfinópolis

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A Prefeitura de Delfinópolis (MG) contratou em caráter emergencial, por até 120 dias, uma balsa para 60 carros na travessia até Cássia enquanto duas embarcações da linha passam por reforma e manutenção; veja a conta do contrato e o que muda na fila

Quem precisa atravessar o Rio Grande entre Delfinópolis e Cássia, no Sudoeste de Minas, ganhou neste feriado de Finados uma balsa para 60 carros. Segundo o g1 Sul de Minas, a Prefeitura de Delfinópolis fechou em 30 de outubro um contrato emergencial de R$ 880 mil por até 120 dias com a empresa Navegação Confiança Ltda.

O contrato é de afretamento a casco nu, o aluguel da embarcação inteira por um período. O conjunto é formado pela prancha CRB XV, onde os carros sobem, e pelo empurrador Comte Pietro, que move a prancha. A travessia fica no reservatório da Usina Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes e funciona todos os dias, inclusive em fins de semana e feriados.

O anúncio saiu na sexta-feira (30), no GCN/Sampi, com a fala do prefeito Pedro Paulo Pinto: “Locamos uma balsa com capacidade para 60 veículos que vai atender melhor a população, os turistas e os produtores que utilizam a travessia”.

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Por que Delfinópolis precisou alugar uma balsa para 60 carros?

Porque duas das três embarcações antigas vão para a oficina ao mesmo tempo. A São João Batista do Glória, que leva 12 veículos, para totalmente durante a reforma. A Rio Grande IV, de 18 veículos, entra em manutenção, mas segue rodando.

Sobra a Canastra, que transporta até 33 carros e era a maior da frota. Sem reforço, a travessia do Rio Grande ficaria apoiada em uma balsa e meia num feriado prolongado.

A balsa para 60 carros carrega 1,8 vez o que a Canastra leva (60 dividido por 33). Perto da São João Batista do Glória, a diferença é de cinco vezes (60 dividido por 12).

BalsaCapacidadeSituação a partir do feriadoAlugada (prancha CRB XV)60 veículosEm operação, por até 120 diasCanastra33 veículosEm operaçãoRio Grande IV18 veículosEm operação, com manutençãoSão João Batista do Glória12 veículosFora, em reforma

Quanto custa por dia e quanto cabe a mais em cada viagem

A conta do contrato fecha redonda. O aluguel da balsa para 60 carros sai por R$ 220 mil por mês, valor informado pela prefeitura ao g1: quatro meses de R$ 220 mil dão os R$ 880 mil.

Com a balsa alugada no lugar da São João Batista do Glória, a travessia passa de 63 para 111 vagas somadas por rodada. Foto: Divulgação

Dividindo R$ 880 mil por 120 dias, a balsa custa cerca de R$ 7,3 mil por dia (R$ 880.000 ÷ 120 = R$ 7.333). Por mês, o valor equivale a quase 136 salários mínimos de 2026 (R$ 220.000 ÷ R$ 1.621 = 135,7).

Na capacidade, a diferença aparece em cada rodada. Com as três balsas antigas rodando ao mesmo tempo, a travessia oferecia 63 vagas por rodada (12 + 18 + 33). Com a alugada no lugar da São João Batista do Glória, passam a ser 111 vagas (60 + 18 + 33).

São 48 vagas a mais por rodada, um salto de 76% (48 ÷ 63). A conta vale para carros: caminhão ocupa mais espaço e a distribuição na balsa leva em conta o peso de cada veículo, por isso a capacidade real cai quando a fila tem muito caminhão.

Se contados a partir da assinatura, em 30 de outubro, os 120 dias vão até 27 de fevereiro de 2027.

A fila da balsa já chegou a 7 horas em 2026

O reforço chega depois de um ano difícil na travessia. Em 19 de março, motoristas esperaram cerca de 7 horas na fila da balsa, segundo a prefeitura informou à Folha Regional.

Naquela semana, a Canastra saiu de operação para manutenção emergencial porque as rampas de acesso tinham risco de ruptura, e voltou limitada a carros, motos e pedestres. A Rio Grande 2005, a balsa amarela, estava parada com o eixo quebrado. E a São João Batista do Glória estava impedida de operar por pendências de documentação com a Marinha do Brasil.

Em junho, o g1 Sul de Minas contou cerca de 500 veículos por dia usando a travessia. Um caminhoneiro ouvido pela emissora resumiu a rotina: “Normal aqui é 10 horas esperando para atravessar”.

Na conta cheia, só com carros, a balsa para 60 carros levaria esse movimento diário inteiro em pouco mais de 8 viagens (500 ÷ 60 = 8,3). Para o produtor rural que escoa banana e para quem depende de Cássia para saúde e comércio, cada viagem a mais encurta a espera.

Delfinópolis já tinha perdido outra saída neste ano: em setembro, a ponte do Ribeirão Forquilha, na BR-464, foi interditada, como o CPG mostrou na reportagem sobre a ponte entre Delfinópolis e Sacramento.

E a ponte de 1.280 metros sobre o reservatório?

A balsa alugada é remendo para alguns meses. A solução definitiva prometida pelo governo de Minas é uma ponte de 1.280 metros sobre o reservatório de Mascarenhas de Moraes, na LMG-856, com edital publicado em 20 de dezembro de 2025, segundo a Agência Minas.

Rampa de embarque no reservatório de Mascarenhas de Moraes, onde a ponte de 1.280 metros deve substituir a travessia por balsa. Foto: Seinfra/Divulgação

O leilão de abril teve como vencedor o Consórcio Ponte Delfinópolis, formado pela Trena Terraplanagem e Construções e pela Vereda Engenharia. A concessão dura 30 anos, com investimento estimado em R$ 221,4 milhões, e o despacho foi assinado em 10 de junho, durante a Feira da Banana, de acordo com a Agência Minas.

O governo promete reduzir de cerca de 30 minutos para dois minutos o tempo entre as margens do Rio Grande. A ponte terá pedágio: em junho, o g1 informou tarifa prevista de cerca de R$ 15 nos dois sentidos.

O prazo, porém, é longo. Na assinatura, o governador Mateus Simões falou em até 24 meses para aprovação e licenciamento ambiental e mais 24 meses de obra. Até lá, quem vai e volta de Cássia depende das balsas, e o contrato da balsa para 60 carros cobre só os próximos quatro meses.

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balsa Delfinópolis Cássia


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

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