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Barragem Boacica, com 55 milhões de metros cúbicos, segue em alerta em Alagoas, e a Justiça dá 15 dias para a Codevasf provar que começou uma obra de R$ 129,2 mil, enquanto sirenes e rotas de fuga ficaram fora do contrato de R$ 5,52 milhões
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/11/2026 às 02:12
Atualizado em 08/11/2026 às 02:13
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A 8ª Vara Federal mandou a Codevasf comprovar o início da recuperação da barragem Boacica, em Igreja Nova (AL), e apresentar cronograma de sirenes. Mostramos o tamanho da represa, a conta entre os dois contratos e a linha do tempo desde 2019.
Quinze dias. Esse é o prazo que a Justiça Federal deu à Codevasf para provar que começou, de fato, a obra de recuperação da barragem Boacica, em Igreja Nova, no Baixo São Francisco alagoano. A decisão é do juiz Diego de Amorim Vitório, da 8ª Vara Federal, e foi divulgada na sexta-feira (6), segundo o O Alagoano.
O pedido partiu do Ministério Público Federal. Além da prova de que a obra saiu do papel, o juiz quer um cronograma para instalar sirenes de alerta e a definição de rotas de fuga para quem mora perto da barragem Boacica, como detalhou a Rádio Sampaio.
Qual o tamanho da barragem Boacica e por que ela está em alerta?
A represa guarda cerca de 55 milhões de metros cúbicos de água, informou o MPF ao entrar com a ação, em abril. Dá para encher umas 22 mil piscinas olímpicas (conta nossa, com 2.500 metros cúbicos por piscina).
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A classificação oficial da barragem Boacica é curiosa. O risco estrutural foi considerado baixo, mas o dano potencial associado é alto, e o resultado global ficou em “Alerta”. A chance de problema não é a maior, mas o estrago, se acontecer, seria grande para Igreja Nova e para quem vive rio abaixo.
Segundo a Rádio Sampaio, a barragem Boacica continua nesse nível mesmo depois da troca das comportas. Ainda há áreas tomadas pela vegetação, falta equipamento de monitoramento e a recuperação da estrutura segue pendente.
R$ 5,52 milhões de um lado, R$ 129,2 mil do outro: o que cada contrato cobre?
Aqui está o detalhe que pesou na decisão da Justiça Federal. A Codevasf tem um contrato de R$ 5,52 milhões para projetos de segurança da barragem. Só que esse contrato não inclui sirenes nem rotas de fuga.
A obra física de recuperação da barragem Boacica, aquela que o juiz quer ver começar, está orçada em R$ 129,2 mil, com prazo previsto de 60 dias. Em agosto, a companhia informou que essa contratação ainda estava em preparação.
A obra de recuperação equivale a cerca de 2,3% do contrato de projetos (conta nossa). É um serviço pequeno perto do tamanho da represa, e mesmo assim virou caso de Justiça Federal.
O que a Codevasf precisa entregar ao juiz
A lista da 8ª Vara da Justiça Federal é objetiva:
- documentos que provem o andamento da obra;
- relatório atualizado sobre as condições de segurança da barragem;
- cronograma com prazos concretos para as sirenes e os equipamentos de alerta;
- rotas de fuga definidas para os moradores das áreas próximas, em Igreja Nova.
A ação civil pública tramita sob o número 0008416-23.2026.4.05.8001. O MPF, pelo procurador da República Lucas Horta de Almeida, pediu desde abril a correção imediata das falhas, equipamentos de controle de vazão e a execução do plano de ação de emergência, de acordo com o MPF em Alagoas. Se a Codevasf não conseguir fazer o serviço, o pedido prevê a contratação de empresa especializada.
Como o caso chegou até aqui
A história é longa. O MPF abriu inquérito civil sobre a barragem Boacica em 2019. Em agosto de 2025, a Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco (FPI) esteve no local e apontou falhas estruturais e falta de plano de segurança, segundo o TNH1.
Na época, a Codevasf contestou. Disse ao TNH1 que entregou o plano de segurança ao órgão ambiental do estado em 2024 e que investiu cerca de R$ 3,96 milhões na barragem desde 2018.
A segunda está na prova. Daqui a 15 dias, o que vai contar no processo da Justiça Federal é papel: ordem de serviço, medição, relatório. Para os moradores de Igreja Nova, o que conta é ouvir uma sirene funcionando, se um dia ela precisar tocar.
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Barragem
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

