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Bateria até 20 vezes maior que a de um carro elétrico: caminhão gigante Cat 793 XE recebe recarga acima de 1 megawatt em teste que desafia o diesel na mineração

Bateria até 20 vezes maior que a de um carro elétrico: caminhão gigante Cat 793 XE recebe recarga acima de 1 megawatt em teste que desafia o diesel na mineração

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Bateria até 20 vezes maior que a de um carro elétrico: caminhão gigante Cat 793 XE recebe recarga acima de 1 megawatt em teste que desafia o diesel na mineração

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 04/11/2026 às 13:10

Mineração

Grupo

Caminhão elétrico Cat 793 XE usado nos testes da BHP e da Rio Tinto na mina Jimblebar, na Austrália. O programa atingiu recarga acima de 1 megawatt em outubro de 2026. Foto: Caterpillar/Divulgação.

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BHP e Rio Tinto testaram recarga superior a 1 megawatt em caminhão elétrico de mineração na Austrália. Sua bateria pode ser até 20 vezes maior que a de um carro elétrico; entenda os desafios para substituir o diesel.

Uma bateria tão grande que equivale à capacidade de 15 a 20 baterias de carros elétricos de passeio recebeu energia por um sistema de recarga superior a 1 megawatt em uma mina de ferro da Austrália. O equipamento é um caminhão gigante Caterpillar 793 XE movido a eletricidade, testado pela BHP e pela Rio Tinto em Jimblebar, na região mineradora de Pilbara. O ensaio, anunciado em 28 de outubro, colocou à prova uma das maiores dificuldades para substituir o diesel no transporte de minério: abastecer máquinas enormes sem paralisar o trabalho da mina.

O caminhão faz parte de um grupo de dois protótipos elétricos colocados em campo em uma parceria com a Caterpillar. A nova estação utiliza conectores MCS, sigla para Megawatt Charging System. As empresas confirmaram uma recarga acima de 1 MW, mas continuam medindo consumo, tempo de parada, temperatura das baterias e produtividade antes de decidir se a tecnologia poderá operar em escala.

Um único caminhão de mina precisa armazenar a energia de até 20 carros elétricos

Um automóvel elétrico comum pesa poucas toneladas e transporta passageiros. O Cat 793 XE foi concebido para trabalhar no transporte de minério em condições severas, enfrentando estradas de terra, rampas, poeira e ciclos repetidos de carregamento e descarga. Para movimentar essa massa durante uma jornada industrial, precisa armazenar muito mais eletricidade que um veículo urbano.

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O balanço divulgado em outubro pela International Mining coloca a bateria do caminhão elétrico em uma faixa entre 15 e 20 vezes a de um carro elétrico de passeio típico. A publicação não detalha a capacidade exata em quilowatts-hora do protótipo nem o tempo necessário para completar uma carga. Por isso, a comparação mostra a escala do sistema, mas não permite calcular uma autonomia ou uma duração de recarga.

O veículo integra a série Cat 793 XE Early Learner, desenvolvida para demonstrar baterias aplicadas a caminhões fora de estrada. O projeto tem como prioridade descobrir quanta energia o caminhão consome em cada ciclo, como ele reage às exigências do terreno e o que precisará mudar na rotina de uma mina que hoje depende de motores a diesel.

A recarga passou de 1 megawatt e exigiu infraestrutura própria na mina

A nova marca foi alcançada em uma estação de carregamento estática instalada no complexo de Jimblebar. O sistema emprega o padrão MCS, criado para conectar equipamentos que demandam níveis de potência superiores aos encontrados em muitos pontos de recarga de veículos leves.

Estações de recarga de alta potência em Jimblebar, na Austrália, usadas nos testes do caminhão elétrico Cat 793 XE em outubro de 2026. Foto: BHP/Rio Tinto, via International Mining.

Um megawatt corresponde a 1.000 quilowatts de potência. Potência é a velocidade com que a energia pode ser transferida; capacidade da bateria é a quantidade de energia que ela armazena. Uma tomada mais potente pode reduzir o tempo parado, desde que o sistema elétrico, o carregador e a bateria suportem a operação com segurança.

As mineradoras informaram que o teste superou 1 MW, sem apresentar uma medição pública de quantos minutos foram necessários para abastecer completamente o caminhão. O resultado comprova o funcionamento de uma etapa fundamental da infraestrutura, enquanto o custo, a repetição dos ciclos e as condições de trabalho seguem em avaliação.

A instalação de carregadores desse porte também exige planejamento da rede elétrica, cabos, proteção, comunicação entre equipamento e estação e controle térmico. Numa mina com vários caminhões, o desafio cresce: diferentes veículos podem precisar de energia durante o mesmo turno.

Dois protótipos chegaram a Jimblebar depois de testes de segurança nos Estados Unidos

A BHP, a Rio Tinto e a Caterpillar anunciaram oficialmente o programa em 23 de junho de 2026, após três meses de testes no local. Antes de viajar para a Austrália, os equipamentos passaram por validações de segurança e avaliações controladas no campo de provas da Caterpillar em Tucson, no Arizona.

Os dois caminhões chegaram a Jimblebar no fim de 2025. Em junho, a parceria informou que eles já haviam acumulado mais de 100 horas de operação e completado mais de 200 voltas de teste. São dois dos sete equipamentos da família Early Learner que a Caterpillar avaliava em diferentes locais ao redor do mundo.

Na região de Pilbara, o clima quente e seco, as estradas de mina e o trabalho contínuo de transporte de minério oferecem condições exigentes para os ensaios. Cada volta pode revelar informações sobre aceleração, frenagem, consumo de eletricidade e recuperação de energia em descidas.

O próximo obstáculo é a produtividade: quanto tempo o caminhão ficará parado?

Carregar uma bateria gigantesca com potência elevada resolve parte do problema, mas a mineração exige um fluxo constante de veículos entre a frente de lavra e as áreas de descarga. Se vários caminhões deixam suas rotas para recarregar, os operadores precisam reorganizar ciclos, turnos e pontos de abastecimento.

Em setembro, a International Mining relatou que a BHP avaliava o efeito do carregamento estático sobre a produtividade. A pesquisa também inclui soluções de recarga dinâmica, desenvolvidas para transferir energia com o equipamento em movimento ou durante etapas específicas de sua operação.

A mineradora explicou em agosto que a avaliação mede alcance operacional, consumo, aquecimento das baterias, desempenho de carregamento, disponibilidade mecânica e segurança. O levantamento contínuo busca descobrir como essa tecnologia deverá se comportar quando submetida ao ritmo de uma mina comercial.

As duas companhias decidirão separadamente quais serão os próximos passos depois da fase conjunta. Os caminhões continuam integrados a um projeto de demonstração, e a conclusão do teste de recarga de outubro ainda não corresponde à substituição de toda uma frota a diesel.

Sem escapamento, o caminhão elétrico muda a conta do diesel nas minas

O transporte fora de estrada consome grandes volumes de combustível nas grandes minas de ferro. Trocar a combustão por tração a bateria elimina as emissões de escapamento do veículo durante a operação e pode reduzir ruído e certas demandas de manutenção. O efeito total sobre gases de efeito estufa depende também da origem da eletricidade, da fabricação dos equipamentos e da forma como a frota será utilizada.

A redução do diesel é uma meta industrial, mas os testes ainda precisam demonstrar autonomia suficiente, capacidade de atender ao transporte de minério e disponibilidade compatível com os caminhões atuais. Equipamentos com sistemas elétricos potentes também impõem novas exigências de segurança e capacitação das equipes.

A própria Caterpillar avalia tecnologia de carregamento para combinar máquinas, rede elétrica e controle de operação. A escala do projeto vai além de instalar um conector: cada mina precisa dimensionar onde os veículos vão parar e como distribuir a energia ao longo dos turnos.

No Brasil, a Vale já colocou caminhões elétricos menores em testes em Minas Gerais

A discussão também chegou às minas brasileiras. A Vale anunciou em 2022 o recebimento de dois caminhões fora de estrada totalmente elétricos, com capacidade de 72 toneladas, para avaliações em Água Limpa, em Minas Gerais, e Sorowako, na Indonésia.

Caminhão elétrico de 72 toneladas apresentado pela Vale para testes em Minas Gerais em 2022. Registro de arquivo de iniciativa brasileira anterior ao ensaio australiano. Foto: Vale/Divulgação.

Os veículos representaram uma primeira etapa da empresa na substituição de máquinas movidas a diesel. A escala é diferente da dos grandes caminhões utilizados no transporte pesado de minério de ferro australiano, mas o desafio industrial é semelhante: adequar baterias, infraestrutura de carregamento e rotas ao serviço realizado dentro da mina.

Enquanto as gigantes do setor pesquisam baterias e carregamento de alta potência, outras iniciativas investigam combustíveis de menor intensidade de carbono e máquinas híbridas. A escolha final dependerá das condições das minas e do equilíbrio entre custo, disponibilidade e redução efetiva de emissões.

Depois do recorde de recarga, falta provar o desempenho durante anos de trabalho

O marco anunciado em 28 de outubro mostrou que um dos protótipos Cat 793 XE pode receber mais de 1 MW em um ponto estático de carregamento. Agora, os resultados de operação, temperatura, disponibilidade e logística de energia determinarão os próximos testes das mineradoras.

O transporte de minério exige máquinas capazes de repetir milhares de ciclos de trabalho. A bateria até 20 vezes maior que a de um automóvel e o carregador de alta potência são peças dessa transformação; a decisão de levar a tecnologia a frotas maiores dependerá do que os ensaios mostrarem. Você acredita que os caminhões elétricos poderão substituir os gigantes a diesel nas minas brasileiras? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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