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Brasil lança plataforma de IA com 5 milhões de dados geológicos reunidos em mais de 57 anos para pesquisas sobre minerais críticos e potencial mineral
Escrito por Ana Alice
Publicado em 02/11/2026 às 23:07
Mineração
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Nova ferramenta do Serviço Geológico do Brasil reúne décadas de informações técnicas e permite consultas em linguagem natural. Sistema chega em versão de testes com aplicações para estudos do subsolo e pesquisa mineral.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) lançou uma plataforma de inteligência artificial que permite consultar aproximadamente 5 milhões de dados geocientíficos, reunidos ao longo de mais de 57 anos de pesquisas.
Batizada de GeoBusca, a ferramenta foi desenvolvida para facilitar a localização de estudos sobre minerais críticos, potencial mineral, características do subsolo e outras informações técnicas do território brasileiro.
A novidade foi apresentada durante o 52º Congresso Brasileiro de Geologia, realizado em Fortaleza, no Ceará, com início no domingo (01).
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O lançamento foi detalhado pelo SGB em comunicado publicado nesta segunda-feira (02), que também confirmou a disponibilização da plataforma em versão beta.
Na prática, o sistema permite que pesquisadores, profissionais da mineração, estudantes e outros interessados encontrem documentos utilizando perguntas escritas em linguagem natural, sem depender exclusivamente de palavras-chave específicas ou de consultas individuais a diferentes bancos de dados.
A inteligência artificial não substitui o trabalho de investigação geológica nem identifica automaticamente novas jazidas.
Sua função é facilitar o acesso às informações já produzidas pelo SGB, permitindo que os usuários localizem pesquisas que possam contribuir para estudos posteriores.
Como funciona a plataforma de inteligência artificial GeoBusca
Desenvolvido pela Assessoria de Comunicação do SGB, o GeoBusca utiliza inteligência artificial generativa aplicada à localização de informações institucionais.
O funcionamento é baseado em consultas feitas com palavras comuns, permitindo que o usuário descreva o assunto que deseja pesquisar.
A ferramenta procura conteúdos relacionados à solicitação e apresenta indicações de materiais disponíveis nas bases geocientíficas da instituição.
Em uma pesquisa sobre minerais críticos, por exemplo, o interessado pode formular uma pergunta relacionada ao potencial mineral de determinada região.
O sistema foi concebido para localizar estudos pertinentes ao tema, acompanhados de resumos que ajudam a identificar os documentos mais relevantes.
Esse recurso representa uma alternativa à navegação convencional, na qual o usuário precisa conhecer previamente os nomes das publicações, os termos técnicos utilizados ou a organização das plataformas consultadas.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o GeoBusca também apresenta as fontes associadas aos resultados, permitindo que o pesquisador avance para os documentos originais.
O diretor-presidente do SGB, Vilmar Simões, destacou que ampliar o acesso ao conhecimento produzido pela instituição é uma das finalidades da iniciativa.
Em declaração publicada pelo órgão, Simões afirmou que a ferramenta permite encontrar de maneira mais rápida estudos desenvolvidos durante décadas, facilitando sua utilização em diferentes atividades profissionais e científicas.
Minerais críticos e potencial mineral estão entre os assuntos disponíveis
Para o setor de mineração, uma das principais aplicações previstas para o GeoBusca é a consulta a estudos sobre recursos minerais, minerais críticos e estratégicos e áreas com potencial para pesquisas minerais.
O acervo inclui informações de geologia básica, mapeamento geológico, levantamentos geofísicos e análises geoquímicas.
Esses materiais são utilizados para compreender a composição, a distribuição e as características das formações geológicas brasileiras.
Dados geofísicos, por exemplo, permitem estudar determinadas propriedades físicas das rochas, enquanto informações geoquímicas ajudam a identificar a presença e a concentração de elementos químicos em amostras coletadas durante levantamentos.
Na pesquisa mineral, o cruzamento dessas informações pode contribuir para selecionar áreas que merecem investigações mais detalhadas.
Contudo, a existência de dados geológicos favoráveis não significa que uma jazida economicamente viável tenha sido confirmada.
O SGB já produz documentos específicos sobre o potencial mineral brasileiro. Entre eles está o Panorama do potencial de minerais críticos e estratégicos do Brasil: edição 2026, relatório técnico elaborado por pesquisadores da instituição e disponibilizado no Repositório Institucional de Geociências.
A publicação reúne conhecimentos técnicos sobre o tema e integra o conjunto de estudos que podem servir de referência para profissionais interessados em compreender as oportunidades e características dos recursos minerais do país.
O lançamento do GeoBusca não modifica os resultados dessas pesquisas.
A mudança está na maneira como as pessoas podem encontrar os materiais, reduzindo a necessidade de procurar manualmente documentos distribuídos entre diferentes sistemas.
GeoBusca reúne informações de plataformas já utilizadas pelo SGB
A nova ferramenta funciona como uma porta de entrada para conteúdos mantidos em diferentes bases oficiais do Serviço Geológico do Brasil.
Entre os sistemas mencionados pela instituição estão o Repositório Institucional de Geociências (RiGeo), o GeoSGB e o Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).
O RiGeo reúne publicações científicas e técnicas, incluindo relatórios, mapas e estudos produzidos pelos pesquisadores da instituição.
Já o GeoSGB concentra informações geológicas organizadas em bases temáticas e ferramentas de consulta espacial.
De acordo com a página institucional do GeoSGB, o sistema disponibiliza recursos para visualização de informações em mapas, consultas a bancos de dados e exportação de arquivos para programas de geoprocessamento.
Essas funcionalidades permitem que profissionais trabalhem diretamente com informações georreferenciadas, incluindo registros associados a rochas, análises geoquímicas e outras características do território.
O GeoBusca não substitui esses sistemas especializados.
A proposta é ajudar o usuário a encontrar os documentos e registros relacionados à sua pesquisa, indicando onde o conteúdo completo pode ser consultado.
Além da mineração, o mecanismo contempla informações sobre águas superficiais e subterrâneas, monitoramento de rios, riscos geológicos e estudos utilizados no planejamento territorial.
Essa abrangência está relacionada às atribuições do SGB, que desenvolve pesquisas em diferentes áreas das geociências e disponibiliza informações para instituições públicas, pesquisadores, empresas e a sociedade.
Plataforma está disponível em versão beta e exige consulta às fontes originais
O GeoBusca foi disponibilizado inicialmente em versão beta, etapa na qual a ferramenta passa por avaliação e aprimoramento de seu funcionamento.
O acesso foi anunciado pelo SGB por meio de seu endereço oficial. A instituição não informou uma data específica para o encerramento da fase de testes nem divulgou indicadores públicos de desempenho do sistema.
Embora utilize inteligência artificial generativa, o mecanismo não deve ser tratado como substituto da documentação científica.
O próprio SGB orienta que os usuários consultem os materiais originais para verificar os dados e aprofundar as informações apresentadas nos resultados.
Essa distinção é particularmente importante para atividades relacionadas à pesquisa mineral, nas quais a interpretação de mapas, dados geofísicos e análises geoquímicas exige conhecimento técnico e avaliação das condições geológicas de cada região.
A plataforma também não foi apresentada como um sistema capaz de estimar automaticamente reservas minerais, definir a viabilidade econômica de depósitos ou realizar procedimentos de exploração em campo.
O acervo disponibilizado está relacionado ao trabalho desenvolvido pela instituição desde sua origem como Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), cuja criação foi autorizada em 15 de agosto de 1969.
Em agosto de 2026, o SGB completou 57 anos de atuação na produção e disseminação de conhecimentos geocientíficos, reunindo levantamentos sobre recursos minerais, hídricos, riscos geológicos e características do território nacional.
Com o GeoBusca, esse conjunto de informações passa a contar com uma ferramenta adicional de pesquisa.
Os estudos, mapas e registros técnicos continuam disponíveis nas bases oficiais, que permanecem como referência para a verificação dos resultados apresentados pela inteligência artificial.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

