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Brasil prepara uma nova onda de investimentos nos portos: 34 leilões podem atrair R$ 23 bilhões e 70 projetos privados miram mais R$ 33 bilhões

Brasil prepara uma nova onda de investimentos nos portos: 34 leilões podem atrair R$ 23 bilhões e 70 projetos privados miram mais R$ 33 bilhões

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Brasil prepara uma nova onda de investimentos nos portos: 34 leilões podem atrair R$ 23 bilhões e 70 projetos privados miram mais R$ 33 bilhões

Escrito por Ana Alice

Publicado em 01/11/2026 às 22:33

Atualizado em 01/11/2026 às 22:34

Logística e Transporte

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Brasil prepara 34 leilões portuários de até R$ 23 bilhões e analisa 70 projetos privados que podem atrair outros R$ 33 bilhões em terminais. – Imagem: Ilustrativa via I.A

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Com novos leilões previstos para dezembro e dezenas de terminais privados em análise, o Brasil prepara investimentos para ampliar a infraestrutura portuária, modernizar instalações e fortalecer os corredores de transporte de cargas em diferentes regiões.

O Brasil prepara uma nova rodada de investimentos na infraestrutura portuária, com 34 leilões que podem movimentar até R$ 23 bilhões nos próximos anos. Paralelamente, outros 70 projetos de terminais privados estão em análise, com potencial para atrair aproximadamente R$ 33 bilhões e ampliar a capacidade de transporte de cargas pelo país.

Os números foram apresentados pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, na terça-feira (27 de outubro de 2026), durante a abertura do XIII Encontro da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), em Brasília.

A carteira reúne empreendimentos em diferentes regiões brasileiras, incluindo novas áreas de movimentação de contêineres, terminais de granéis e instalações destinadas ao atendimento de cadeias produtivas ligadas ao comércio exterior.

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Segundo a Agência iNFRA, que acompanhou o anúncio, o governo também pretende realizar três leilões em dezembro, envolvendo estruturas nos portos de Fortaleza (CE), Itaqui (MA) e Salvador (BA).

A nova estimativa de até R$ 23 bilhões atualiza o planejamento apresentado pelo ministério em 8 de outubro, quando a previsão para os mesmos 34 leilões era de R$ 20,6 bilhões. Os empreendimentos fazem parte da carteira federal de infraestrutura projetada para o período de 2027 a 2030.

Três portos do Nordeste entram na agenda de leilões de dezembro

A próxima etapa da agenda portuária está prevista para 9 de dezembro de 2026, com disputas programadas na B3, em São Paulo.

No Ceará, o destaque é o terminal MUC04, localizado no Porto de Fortaleza. O empreendimento será dedicado à movimentação de contêineres e deverá receber aproximadamente R$ 429 milhões em investimentos ao longo de um contrato de arrendamento de 25 anos.

Vista aérea do Porto de Fortaleza, no Ceará, onde o terminal MUC04 está previsto para receber investimentos em infraestrutura de contêineres. – Crédito: Divulgação / Companhia Docas do Ceará.

O projeto prevê uma área de cerca de 148 mil metros quadrados e capacidade para movimentar aproximadamente 400 mil TEUs por ano. TEU é a unidade utilizada pelo setor para medir a capacidade de contêineres, equivalente a uma caixa de 20 pés.

A infraestrutura deverá atender diferentes tipos de mercadorias, com destaque para a exportação de frutas, atividade que depende de equipamentos de refrigeração e de operações portuárias integradas.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) publicou o edital do MUC04 em outubro. Segundo a agência, trata-se da primeira licitação de um terminal destinado exclusivamente a contêineres desde a entrada em vigor da Lei dos Portos de 2013.

No Maranhão, o leilão do terminal IQI16, no Porto do Itaqui, prevê R$ 147 milhões para ampliar a movimentação e o armazenamento de fertilizantes. A nova estrutura terá capacidade estática de 70 mil toneladas, atendendo à demanda de insumos utilizados pela produção agrícola.

Já no Porto de Salvador, na Bahia, o governo prevê o arrendamento do terminal SSD-A3, destinado a cargas gerais, produtos químicos, adubos e fertilizantes. O empreendimento possui investimentos estimados em R$ 6,4 milhões e prazo contratual de dez anos.

Santos, São Sebastião e Itajaí concentram projetos bilionários

Além dos terminais previstos para dezembro, a carteira federal inclui empreendimentos de maior porte que podem modificar a infraestrutura de importantes corredores de exportação.

Entre eles está o Tecon Santos 10, projeto de terminal de contêineres no Porto de Santos, em São Paulo, com investimento estimado em R$ 6,45 bilhões.

Terminal de contêineres em operação no Porto de Santos, em São Paulo. O projeto Tecon Santos 10 integra a carteira federal de leilões portuários, com investimento previsto de R$ 6,45 bilhões. Crédito: Vosmar Rosa / Ministério de Portos e Aeroportos.

O planejamento também contempla o terminal SSB01, no Porto de São Sebastião, com previsão de R$ 3,84 bilhões, e o ITJ01, no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, que reúne investimentos projetados de R$ 2,66 bilhões.

No Norte do país, o terminal VDC10, no Porto de Vila do Conde, no Pará, aparece na carteira com R$ 1,93 bilhão. Outro empreendimento previsto é o IQI15, no Porto do Itaqui, no Maranhão, com R$ 1,22 bilhão.

Esses valores foram detalhados pelo Ministério de Portos e Aeroportos na apresentação da carteira de investimentos para 2027 a 2030, divulgada em 8 de outubro.

A expansão dessas estruturas é planejada para acompanhar a demanda por transporte marítimo de mercadorias. Entre as necessidades do setor estão novas áreas de armazenagem, equipamentos de movimentação de cargas e melhores conexões entre portos, rodovias e ferrovias.

Setor privado tem 70 projetos portuários em análise

Fora da carteira de leilões, o governo acompanha 70 projetos de instalações portuárias privadas, com investimentos potenciais estimados em R$ 33 bilhões.

A programação inclui autorizações para estruturas como Terminais de Uso Privado (TUPs), estações de transbordo de cargas e outras instalações portuárias, conforme o planejamento apresentado pelo ministério.

Diferentemente dos arrendamentos de áreas situadas em portos organizados, os TUPs são instalações autorizadas a operar sob regime privado, com características próprias de implantação e exploração comercial.

Esses empreendimentos podem atender à movimentação de grãos, minérios, combustíveis, contêineres e outros produtos, de acordo com a finalidade e a localização de cada instalação.

Na distribuição regional apresentada pelo governo em outubro, o Sudeste concentra aproximadamente R$ 14,64 bilhões em investimentos privados previstos. O Sul aparece com R$ 7,33 bilhões, seguido pelo Norte, com R$ 6,78 bilhões, e pelo Nordeste, com R$ 4,3 bilhões.

A participação de diferentes regiões nessa carteira acompanha a necessidade de ampliar rotas de escoamento da produção brasileira, especialmente em áreas próximas aos polos agrícolas, industriais e de mineração.

Para empresas exportadoras e operadores logísticos, a disponibilidade de novos terminais pode ampliar as alternativas de embarque, armazenagem e transferência de mercadorias entre diferentes modais de transporte.

Governo projeta ampliar capacidade dos portos até 2030

A carteira apresentada em outubro dá continuidade à agenda de arrendamentos e autorizações conduzida pelo Ministério de Portos e Aeroportos.

De acordo com os dados divulgados durante o encontro da ATP, 29 leilões portuários foram realizados desde 2023, associados a mais de R$ 15 bilhões em investimentos previstos.

Na apresentação de 8 de outubro, o ministério também estimou que a movimentação de cargas nos portos brasileiros poderia alcançar 1,45 bilhão de toneladas em 2026.

O planejamento para os próximos anos inclui medidas voltadas à expansão da infraestrutura, ao monitoramento da capacidade dos terminais e à integração das instalações portuárias com os demais sistemas de transporte.

Navios cargueiros atracados no Porto do Itaqui, em São Luís, no Maranhão. O complexo tem novo arrendamento previsto para ampliar a capacidade de movimentação e armazenagem de fertilizantes. Crédito: Divulgação / Porto do Itaqui

Durante o encontro em Brasília, o ministro Tomé Franca destacou a necessidade de combinar investimentos privados com contratos equilibrados, concorrência e previsibilidade regulatória.

O diretor-presidente da ATP, Murillo Barbosa, também defendeu maior estabilidade para o setor, com planejamento integrado e processos públicos eficientes. A associação representa empresas que operam terminais portuários privados no país.

Entre os instrumentos citados pelo ministério estão o Plano Nacional de Logística 2050, o novo Plano Setorial de Portos e o Monitoramento da Saturação Portuária, utilizados para orientar decisões relacionadas à capacidade e à demanda do sistema.

A próxima etapa concreta dessa agenda será a rodada de dezembro, com os terminais de Fortaleza e Itaqui já contemplados por editais da Antaq e o projeto de Salvador incluído na programação anunciada pelo governo. Os resultados dessas disputas definirão os futuros operadores e as obrigações de investimento previstas nos respectivos contratos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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