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Caverna turística na Espanha escondeu por décadas 280 gravuras rupestres com mais de 19 mil anos, incluindo 55 desenhos de animais

Caverna turística na Espanha escondeu por décadas 280 gravuras rupestres com mais de 19 mil anos, incluindo 55 desenhos de animais

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Caverna turística na Espanha escondeu por décadas 280 gravuras rupestres com mais de 19 mil anos, incluindo 55 desenhos de animais

Escrito por Romário Pereira de Carvalho

Publicado em 07/11/2026 às 21:18

Atualizado em 07/11/2026 às 21:29

Ciência e Tecnologia

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Inscrições no sistema de cavernas Cova de la Font Major, na Catalunha, nordeste da Espanha, levam a uma revisão das tendências populacionais e culturais pré-históricas. Crédito: Vergès Bosch, JM, Salas-Altès, M./ Antiquity

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Descoberta por acaso em uma caverna turística na Catalunha, coleção de 280 gravuras antigas inclui cavalos, ursos, veados e símbolos desconhecidos, revelando um dos maiores conjuntos de arte paleolítica do litoral mediterrâneo espanhol

Uma caverna turística na Catalunha, na Espanha, escondia 280 gravuras pré-históricas nas paredes, incluindo 55 representações de animais. Os desenhos podem ter mais de 19 mil anos e formam o maior conjunto desse tipo já encontrado na região.

Arqueólogo encontrou gravuras pré-históricas por acaso durante visita à caverna

A descoberta aconteceu na Cova de la Font Major, uma caverna frequentada há décadas por turistas, espeleólogos e exploradores. Mesmo com tanta gente passando pelo local, as figuras antigas continuavam praticamente invisíveis nas paredes.

O responsável pelo achado foi o arqueólogo Josep Maria Vergès, do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES).

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Tudo começou quando ele percebeu um grupo de visitantes saindo de uma abertura que levava a uma galeria lateral, até então desconhecida por ele.

Ao entrar, encontrou inscrições modernas, com nomes e datas registrados desde 1957. Foi quando decidiu examinar as paredes com mais atenção.

Usando a lanterna do capacete, direcionou a luz lateralmente para a rocha. A iluminação criou sombras nos pequenos sulcos e revelou marcas que não eram facilmente percebidas.

Primeiro apareceram linhas verticais aparentemente antigas. Depois, ao iluminar outra parede, Vergès identificou a figura de um cavalo.

O desenho tinha características da arte paleolítica. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado na revista científica Antiquity, na quinta-feira (5).

A gruta contém o terceiro maior conjunto de gravuras paleolíticas da Península Ibérica mediterrânica. Crédito da imagem: Vergès Bosch et al., Antiquity (2026)

Desenhos mostram cavalos, ursos e uma possível cena de animal bebendo água

Os pesquisadores identificaram 280 gravuras, sendo 55 representações de animais. Entre elas aparecem cavalos, ursos e veados.

Uma das imagens chamou atenção por mostrar uma corça, fêmea adulta do veado, com a cabeça inclinada em direção a uma fissura natural da parede.

A pesquisadora Míriam Salas-Altès, doutoranda do IPHES, considera a possibilidade de que a abertura tenha sido aproveitada pelos artistas para representar água.

Se essa interpretação estiver correta, a figura poderá estar entre as representações mais antigas conhecidas de água na arte humana.

Mas os animais não são os únicos elementos encontrados.

As paredes também apresentam linhas paralelas organizadas em grupos de até 40 traços, além de círculos, semicírculos e símbolos parecidos com a letra Y.

O significado desses sinais ainda é desconhecido. Os arqueólogos não conseguiram identificar um sistema que permita interpretar as mensagens.

Gravuras podem ter mais de 19 mil anos, mas idade exata continua desconhecida

A equipe ainda enfrenta uma dificuldade importante: não foi possível datar diretamente os desenhos feitos na rocha.

Por isso, a estimativa de mais de 19 mil anos considera principalmente as características e o estilo das figuras.

Os pesquisadores também encontraram evidências de presença humana na caverna entre 26 mil e 41 mil anos atrás.

Entretanto, esse intervalo corresponde à ocupação do local e não comprova quando as gravuras foram produzidas.

Descoberta amplia registros da arte paleolítica no Mediterrâneo

O conjunto encontrado é considerado o maior da Catalunha e o terceiro maior do litoral mediterrâneo da Península Ibérica.

Antes desse achado, apenas duas representações paleolíticas eram conhecidas na Catalunha, segundo os pesquisadores.

A maior concentração de arte paleolítica conhecida na região europeia está tradicionalmente associada à área franco-cantábrica, entre França e Espanha.

As novas gravuras apresentam diferenças em relação aos registros dessa área.

Para os pesquisadores, essas características levantam a possibilidade de uma tradição artística mediterrânea própria, ainda pouco documentada.

A identificação dos símbolos e a determinação mais precisa da idade das figuras permanecem entre as questões abertas pela descoberta.

Matéria elaborada com base em dados e informações de Revista Galileu.

Fonte

https://revistagalileu.gl


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

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