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Construtora desiste de residencial de R$ 120 milhões no Rio mesmo após vender apartamentos e cancela projeto com 76 unidades por alta dos custos, juros elevados e aumento dos distratos

Construtora desiste de residencial de R$ 120 milhões no Rio mesmo após vender apartamentos e cancela projeto com 76 unidades por alta dos custos, juros elevados e aumento dos distratos

RJ

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Construtora desiste de residencial de R$ 120 milhões no Rio mesmo após vender apartamentos e cancela projeto com 76 unidades por alta dos custos, juros elevados e aumento dos distratos

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 06/11/2026 às 22:31

Atualizado em 06/11/2026 às 22:35

Construção

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Perspectiva ilustrativa da fachada do Ibiúna Vista Botafogo, projeto residencial com 76 apartamentos cancelado em novembro de 2026. Imagem: Material de divulgação do empreendimento/Dimensional Engenharia.

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Dimensional Engenharia cancela o Ibiúna Vista Botafogo, residencial de 76 apartamentos no Rio de Janeiro, mesmo após vender unidades. A construtora cita juros altos, custos da construção e endividamento das famílias.

Um empreendimento com 76 apartamentos e valor de vendas estimado em R$ 120 milhões foi cancelado no Rio de Janeiro depois de já ter iniciado a comercialização de unidades. A Dimensional Engenharia desistiu do Ibiúna Vista Botafogo, residencial que seria construído em um terreno da Zona Sul da capital fluminense.

A decisão foi noticiada nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, após uma manifestação da SPE Ibiúna, sociedade responsável pelo empreendimento. A empresa relacionou a desistência ao aumento dos custos da construção, aos juros elevados, ao endividamento das famílias e à quantidade de distratos no mercado imobiliário.

O lançamento havia ocorrido em outubro de 2025, e parte dos apartamentos já estava vendida. Segundo o Diário do Rio, o ritmo comercial vinha atendendo às expectativas. A obra ainda não havia saído do papel, mas o plano de vendas e o projeto arquitetônico já haviam sido apresentados ao público.

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Prédio de 76 apartamentos ocuparia terreno de antigo galpão de Furnas na Zona Sul

O residencial seria erguido na Rua Real Grandeza, 274, em Botafogo, onde funcionava um antigo galpão de Furnas. O terreno foi leiloado pela Eletrobras anos antes do lançamento imobiliário. A proposta da Dimensional era transformar o endereço em um condomínio de alto padrão, próximo a serviços, comércio e importantes vias do bairro.

O material de apresentação do empreendimento descrevia um terreno com 1.560,64 metros quadrados, um edifício de 12 pavimentos, quatro elevadores e garagem com 80 vagas. A distribuição prevista incluía nove apartamentos garden elevados, 63 unidades convencionais e quatro coberturas lineares.

As plantas residenciais variavam de aproximadamente 73 a 152 metros quadrados, conforme a tipologia, com suítes, varandas e áreas de convivência. A Cité Arquitetura assinava a concepção arquitetônica, enquanto Paola Ribeiro era responsável pelo projeto de interiores das áreas comuns e dos apartamentos decorados.

A divulgação reproduzida pela ADEMI-RJ em 2025 ressaltava os espaços de lazer e o acesso compartilhado a coberturas. Meses depois do lançamento, a incorporadora abandonou a implantação do condomínio, apesar de já ter clientes interessados e vendas realizadas.

Projeção de uma das coberturas com piscina e espaço de convivência que integravam o projeto do Ibiúna Vista Botafogo. Imagem ilustrativa do material de divulgação, reproduzida via Lançamentos RJ.

SPE Ibiúna aponta quatro fatores para abandonar o empreendimento

A desistência foi comunicada pela SPE Ibiúna, empresa constituída para conduzir o empreendimento. A Dimensional explicou que a nota partiu da sociedade porque o projeto envolvia outros investidores além da própria construtora.

Na manifestação divulgada pela imprensa, a responsável citou custos de construção mais altos desde o início de 2026 e a manutenção de taxas de juros elevadas. Esses fatores podem pressionar o orçamento de uma obra antes mesmo de começar a execução e encarecer o crédito utilizado tanto pelas empresas quanto pelos compradores.

Os outros fatores mencionados foram o endividamento elevado das famílias e o crescimento dos distratos no país. Distrato é o desfazimento de um contrato de compra de imóvel; a empresa citou essa tendência geral de mercado, enquanto a decisão de abandonar o Ibiúna foi tomada pelos responsáveis pelo empreendimento.

O comunicado divulgado em reportagem do Tempo Real RJ informa que o residencial não terá continuidade no momento. O projeto foi interrompido antes da construção, e a declaração da SPE não anunciou uma nova data para retomada das obras.

Projeto prometia piscina no terraço e três coberturas compartilhadas pelos moradores

O Ibiúna Vista Botafogo apostava em uma solução pouco comum no mercado residencial: três coberturas de uso privativo mediante agendamento, destinadas aos moradores do condomínio. Em vez de reservar todas as áreas superiores a poucos proprietários, parte desses ambientes poderia ser utilizada por diferentes famílias, conforme as regras internas planejadas.

O projeto previa ainda 550 metros quadrados de lazer no topo, com piscina de borda infinita, sauna, brinquedoteca e academia de aproximadamente 101 metros quadrados. A apresentação comercial destacava as varandas voltadas para a paisagem da cidade e a vista para o Cristo Redentor.

A fachada teria revestimento em tons de terracota, elementos em grafite e jardineiras nas varandas. Nas imagens de divulgação, o conjunto aparecia como um edifício de linhas horizontais e grandes áreas envidraçadas. Essas imagens representam o projeto que foi anunciado, e não um prédio concluído.

Os materiais comerciais também descreviam áreas de recebimento de encomendas, espaço gourmet e espaços de convivência. Com o cancelamento comunicado pela SPE, essas instalações deixam de ter o cronograma de entrega originalmente associado ao lançamento.

Perspectiva ilustrativa do espaço gourmet que integrava a proposta do Ibiúna Vista Botafogo, empreendimento de 76 unidades agora cancelado. Reprodução: Material promocional via Lançamentos RJ.

Índice de custos sobe 6,75% em um ano e Selic continua em 13,75%

O encarecimento das obras citado pela empresa aparece em indicadores nacionais recentes. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas, aumentou 0,35% em outubro de 2026 e acumulou alta de 6,75% em 12 meses.

Dentro desse resultado, os materiais e equipamentos passaram de uma variação de 0,17% em setembro para 0,41% em outubro. Os materiais para estrutura tiveram avanço de 0,72% naquele mês. São custos que entram nas contas de quem precisa transformar um lançamento imobiliário em um canteiro de obras.

O custo do financiamento também permaneceu elevado. Em decisão de 4 de novembro, o Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano. A taxa básica influencia o custo do dinheiro, embora as condições de crédito de cada incorporação e de cada comprador sejam definidas por contratos específicos.

Já a Confederação Nacional do Comércio informou, em 5 de novembro, que 81,6% das famílias brasileiras tinham dívidas em outubro. A taxa de inadimplência ficou em 29,3%. Os dados ajudam a explicar a preocupação com a capacidade financeira de compradores, um dos pontos levantados pela SPE.

R$ 120 milhões eram vendas projetadas, e parte dos contratos já havia sido fechada

O número de R$ 120 milhões corresponde ao Valor Geral de Vendas (VGV) previsto para o Ibiúna Vista Botafogo. É a soma estimada das vendas de todas as unidades do empreendimento e serve como referência comercial para o projeto, diferente do orçamento de construção ou de um valor já desembolsado pela empresa.

As reportagens de 6 de novembro confirmam que algumas unidades haviam sido comercializadas, mas a quantidade exata de apartamentos vendidos e os valores já pagos pelos adquirentes não foram divulgados. O comunicado de cancelamento também não especifica prazos ou procedimentos de devolução relacionados a essas operações.

O caso ocorre em um setor que continuou registrando negócios ao longo do ano. Conforme levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, as vendas de imóveis residenciais novos cresceram 5,4% no primeiro semestre de 2026, para 226.536 unidades, em comparação com o mesmo período de 2025.

Para quem já havia comprado no Ibiúna, a próxima etapa depende das orientações da SPE e das condições de cada contrato. Para o terreno da Rua Real Grandeza, o anúncio encerra a implantação do residencial nos moldes divulgados em 2025. O destino do endereço após a desistência ainda não foi informado nas reportagens consultadas.

Você já viu um lançamento imobiliário ser cancelado depois do início das vendas? Conte nos comentários como foi a comunicação com os compradores e quais informações faltaram durante o processo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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