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Criaram um cão-robô para trabalhar em locais onde uma faísca pode provocar uma explosão e a Petrobras participou dos testes dessa tecnologia

Criaram um cão-robô para trabalhar em locais onde uma faísca pode provocar uma explosão e a Petrobras participou dos testes dessa tecnologia

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Criaram um cão-robô para trabalhar em locais onde uma faísca pode provocar uma explosão e a Petrobras participou dos testes dessa tecnologia

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 02/11/2026 às 16:15

Atualizado em 02/11/2026 às 16:16

O ANYmal X foi desenvolvido para inspecionar equipamentos em áreas com risco de gases inflamáveis. Foto: Yokogawa/ANYbotics, divulgação de 2026.

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O cão-robô ANYmal X começou a ser entregue a clientes para inspeções em locais com risco de explosão. A Petrobras testou a tecnologia na plataforma P-74 e anunciou investimento para ampliar o uso de robôs.

Um robô de quatro patas capaz de caminhar por escadas, corredores estreitos e áreas onde gases inflamáveis exigem cuidados extremos começou a chegar a clientes industriais. A suíça ANYbotics anunciou em 27 de outubro de 2026 as primeiras entregas comerciais do ANYmal X, desenvolvido para fazer inspeções autônomas em instalações de petróleo, gás e produtos químicos. O Brasil participou dessa etapa tecnológica: a Petrobras está entre as empresas que testaram o equipamento antes do lançamento.

A ligação com as plataformas brasileiras é concreta. Em 2023, o ANYmal X foi testado na P-74, uma unidade flutuante de produção da Petrobras. Naquele mesmo ano, a estatal anunciou investimento de US$ 4 milhões em um programa de seis robôs para testes e desenvolvimento. O anúncio atual é outro marco: o fabricante passou da fase experimental às entregas comerciais, inicialmente destacando clientes como Equinor e DSM-Firmenich.

Por que uma simples inspeção pode ser perigosa em uma plataforma de petróleo?

Bombas, compressores, válvulas e tubulações precisam ser verificados continuamente para identificar aquecimento anormal, vazamentos, ruídos e sinais de desgaste. Parte desses equipamentos está em locais onde pode haver mistura inflamável de gases ou vapores com o ar. Nesses ambientes, uma fonte de ignição, uma superfície muito quente, uma descarga elétrica ou uma faísca, pode transformar uma falha em um acidente grave.

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É por isso que essas áreas recebem classificações específicas e exigem instrumentos apropriados. Uma lanterna, um rádio ou um motor elétrico comum podem representar um risco dependendo da zona e das condições de operação. Os trabalhadores entram seguindo procedimentos de segurança, com equipamentos autorizados e, quando necessário, detectores portáteis de gás. O ANYmal X foi projetado para percorrer rotas semelhantes sem levar uma pessoa a cada uma dessas inspeções de rotina.

A fabricante apresenta o modelo como um robô de inspeção com pernas concebido para atmosferas explosivas e informa certificação ATEX para zonas 1 e 2. A distinção importa: são áreas classificadas segundo a possibilidade de presença de atmosferas inflamáveis, e a proteção do equipamento precisa considerar tanto sua eletrônica quanto o movimento das pernas.

O robô foi até uma plataforma da Petrobras antes de começar a ser vendido em escala comercial

Os testes brasileiros remontam ao programa de acesso antecipado da ANYbotics. Segundo comunicado da própria empresa, a Petrobras levou o ANYmal X para ensaios na FPSO P-74 em 2023, depois de já ter recebido uma versão anterior, chamada ANYmal D, em 2022. A diferença entre os modelos é relevante: o X concentra o projeto de proteção contra possíveis fontes de ignição em áreas classificadas.

Em novembro de 2023, a Petrobras informou que investiria US$ 4 milhões para adquirir seis unidades do modelo e avaliar aplicações nas suas instalações. A proposta envolvia automatizar rondas, melhorar a frequência das verificações e permitir que equipes de manutenção priorizassem situações que exigem intervenção humana. A estatal descreveu possibilidades tanto em refinarias quanto em plataformas marítimas; o histórico de testes da P-74 liga diretamente a novidade ao setor offshore brasileiro.

No anúncio de outubro de 2026, a ANYbotics incluiu a Petrobras entre os participantes de uma campanha de centenas de missões em instalações terrestres e offshore realizadas pelo conjunto de parceiros desde 2023. Também participaram empresas como BP, Shell, Equinor, PETRONAS, BASF e SLB. As observações desses operadores contribuíram para aperfeiçoar o equipamento que agora chega ao mercado.

O ANYmal X aparece em instalação da Petrobras em registro divulgado durante o programa de testes iniciado antes do lançamento comercial. Foto: Agência Petrobras, 2023.

Doze motores nas pernas, câmaras com nitrogênio e proteção contra aquecimento: como ele evita fontes de ignição

Fazer um robô andar por uma instalação complexa já é um desafio. Conseguir que essa máquina trabalhe em atmosfera potencialmente explosiva exige outras soluções. O ANYmal X usa 12 atuadores nas pernas, uma bateria para alimentar os movimentos e vários sensores expostos ao ambiente industrial. Cada parte precisou ser avaliada em relação à possibilidade de produzir calor, atrito ou descargas elétricas.

Segundo a ANYbotics, a eletrônica de inteligência artificial e os equipamentos de inspeção ficam em câmaras seladas preenchidas com nitrogênio. Os atuadores e a bateria contam com invólucros de proteção contra chamas; pés condutivos ajudam no aterramento, e sistemas automáticos monitoram temperaturas. O desenho também recebeu cuidados para enfrentar vibração, impactos, corrosão e névoa salina, condições comuns em operações marítimas.

O projeto exigiu quatro anos de engenharia e mais de dez patentes, segundo o fabricante. O resultado é uma máquina capaz de subir e descer escadas industriais, atravessar passarelas gradeadas e alcançar pontos onde sensores fixos não conseguem observar todos os componentes. A solução ainda depende de rotas definidas, preparação da instalação e avaliação de segurança apropriada à operação.

Olhos térmicos, ouvidos e detector de gases transformam cada ronda em dados para a manutenção

Durante a caminhada, o ANYmal X pode apontar câmeras para instrumentos, fotografar mostradores, comparar posições de válvulas e registrar temperaturas com câmera térmica. Sensores acústicos ajudam a localizar ruídos fora do padrão, enquanto um módulo opcional mede determinadas concentrações de gases. Assim, a inspeção gera registros que podem ser comparados com os de missões anteriores para indicar mudanças no comportamento de um equipamento.

As especificações do fabricante incluem autonomia de bateria superior a três horas por carga, possibilidade de recarga por estação de acoplamento e capacidade de enfrentar escadas com inclinação de até 45 graus. O robô também pode continuar determinadas missões previamente programadas sem conexão contínua, sincronizando os registros quando a comunicação é restabelecida.

Os resultados são reunidos em uma plataforma de software chamada Shift. Engenheiros conseguem programar inspeções, observar o andamento das rotas e receber avisos quando os dados apontam uma anomalia. Os registros podem ser integrados a sistemas já usados pelas equipes de manutenção, permitindo que uma leitura captada pelo robô seja associada à bomba, válvula ou compressor correto.

Robô de inspeção da ANYbotics em área industrial, em material divulgado pela SLB sobre a integração de sensores e manutenção. Foto: SLB, 2025.

Inspeções no mar podem ser acompanhadas a distância, mas a manutenção continua dependendo de equipes especializadas

Na indústria offshore, o ganho potencial vai além de evitar uma caminhada rotineira. Plataformas e FPSOs funcionam continuamente, com estruturas em vários níveis, escadas e equipamentos submetidos à maresia. Uma sequência de inspeções repetíveis pode ajudar a identificar alterações antes de uma parada não planejada e oferecer mais informações às equipes que precisam decidir quando intervir.

Um exemplo anterior veio do campo Valhall, no Mar do Norte: em 2023, ANYbotics, Aker BP e Cognite realizaram testes de inspeção com robôs em áreas classificadas, conectando os registros a ferramentas digitais utilizadas em terra. Em 2025, a SLB também anunciou colaboração com a fabricante para integrar robótica e soluções de acompanhamento de desempenho de instalações de petróleo e gás.

A chegada do ANYmal X à fase de entregas comerciais amplia as possibilidades dessas aplicações. No comunicado de lançamento, a fabricante citou Equinor e DSM-Firmenich entre os destinatários iniciais. Para a Petrobras, a informação pública confirmada continua sendo a participação no programa de testes e o investimento anteriormente anunciado; a evolução das operações brasileiras dependerá de decisões e resultados comunicados pela própria companhia.

O próximo passo será transformar testes em rondas regulares em áreas de risco

O desafio agora é integrar o equipamento às rotinas reais de operação: escolher trajetos, acompanhar a qualidade dos dados, responder a alertas e manter o robô em condições seguras de uso. O fabricante também programou apresentações do ANYmal X durante a feira ADIPEC 2026, realizada em Abu Dhabi, em conjunto com parceiros do setor de energia.

Para quem acompanha a indústria offshore brasileira, a experiência na P-74 oferece uma referência concreta do avanço da robótica nas plataformas. Se inspeções automatizadas se tornarem parte da rotina, operadores poderão dedicar mais tempo à análise de falhas e às intervenções que exigem conhecimento técnico. Você acredita que cães-robôs vão se tornar comuns nas plataformas de petróleo? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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