Faça um comentário
7 min de leitura
Dinamarca avança com dois parques eólicos no mar que somam pelo menos 1,8 GW, enquanto Vattenfall prepara projetos no Mar do Norte e no Kattegat para operar até 2032
Escrito por Carla Teles
Publicado em 06/11/2026 às 18:42
Atualizado em 06/11/2026 às 19:30
Energia Renovável
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Hesselø e Holmsland terão capacidade mínima conjunta de 1,8 GW, com contratos de preço por 20 anos e previsão de entrada em operação até 2032.
A empresa sueca Vattenfall assinou dois contratos com a Agência Dinamarquesa de Energia para desenvolver os parques eólicos offshore Hesselø e Holmsland, na Dinamarca, com capacidade mínima conjunta de 1,8 gigawatt (GW). Os empreendimentos serão instalados no Mar do Norte e no estreito de Kattegat, com previsão de entrar em operação até 2032 e produzir eletricidade equivalente ao consumo de pelo menos 1,8 milhão de residências dinamarquesas e europeias.
Os acordos foram anunciados em 4 de novembro de 2026, conforme comunicado oficial da Vattenfall. A assinatura formaliza o resultado de uma licitação realizada em agosto e permite avançar no planejamento dos parques, embora a construção ainda dependa de aprovações e decisões finais de investimento.
Dois parques eólicos offshore terão capacidade mínima de 1.800 MW na Dinamarca
Os projetos serão instalados em duas regiões marítimas distintas e terão características próprias de localização e capacidade.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
O parque Hesselø está previsto para o Kattegat, ao norte da ilha de Hesselø e da região da Zelândia. Sua capacidade mínima contratada será de 800 megawatts (MW), podendo alcançar 1.200 MW conforme a configuração definitiva.
Já Holmsland ficará no Mar do Norte, próximo à costa de Hvide Sande, no oeste da Dinamarca. O empreendimento terá pelo menos 1.000 MW de potência instalada.
O projeto Holmsland era identificado anteriormente como North Sea I Mid, ou Nordsøen Midt. A mudança de nome foi oficializada nos acordos de novembro para associar o parque à região costeira onde será implantado.
Somados, os dois empreendimentos terão capacidade mínima de 1.800 MW. Essa potência representa a quantidade máxima de eletricidade que os equipamentos poderão produzir simultaneamente em condições adequadas de vento, não uma geração contínua durante todas as horas do ano.
Segundo a Agência Dinamarquesa de Energia, a produção anual esperada equivale ao consumo de pelo menos 1,8 milhão de residências na Dinamarca e em outros países europeus.
A estimativa considera o potencial conjunto dos projetos quando concluídos. Os parques ainda não estão construídos, e os números definitivos de turbinas, fornecedores e produção dependerão do desenvolvimento técnico.
Vattenfall venceu disputa com preços de 504 e 542 coroas dinamarquesas por MWh
Os contratos foram resultado de uma licitação lançada pelo governo dinamarquês em novembro de 2025, após mudanças nas condições de contratação de grandes empreendimentos offshore.
A Vattenfall apresentou a proposta vencedora de 504 coroas dinamarquesas por megawatt-hora (MWh) para Holmsland e aproximadamente 542 coroas por MWh para Hesselø.
Esses valores não representam o custo total de construção dos parques nem o preço final pago pelo consumidor residencial. São referências contratuais utilizadas no mecanismo de remuneração da eletricidade produzida.
A licitação recebeu duas propostas para Holmsland e cinco para Hesselø. A Vattenfall venceu ambas por apresentar os menores preços em cada disputa, segundo os resultados publicados em 4 de agosto.
Os contratos utilizam um mecanismo conhecido como contrato por diferença, ou Contract for Difference (CfD), com prazo de 20 anos após a conclusão dos empreendimentos.
Nesse sistema, o governo garante uma referência de preço para a eletricidade. Quando o valor de mercado fica abaixo do preço contratado, o Estado cobre a diferença; quando supera a referência, a empresa devolve a diferença conforme as regras do contrato.
O modelo oferece maior previsibilidade financeira para projetos que exigem investimentos elevados antes de começar a produzir energia.
A Agência Dinamarquesa de Energia estabelece limites de apoio de 15,7 bilhões de coroas dinamarquesas para Holmsland e 21,9 bilhões para Hesselø, em valores de referência de 2025.
Esses montantes representam tetos de apoio financeiro previstos no mecanismo, não subsídios já desembolsados ou custos confirmados das obras.
Governo dinamarquês mudou licitações após projetos offshore ficarem sem propostas em 2024
O resultado das licitações de 2026 ocorreu depois de dificuldades na contratação de novos parques eólicos marítimos.
Em 2024, uma rodada de licitações dinamarquesas para energia eólica offshore não recebeu propostas para os primeiros três empreendimentos oferecidos ao mercado.
A ausência de interessados levou o governo a revisar as condições comerciais e realizar novas consultas com empresas do setor.
Em novembro de 2025, a agência de energia apresentou um novo conjunto de licitações, totalizando pelo menos 2,8 GW distribuídos entre Hesselø, Holmsland e um terceiro projeto no Mar do Norte.
A nova estrutura passou a permitir mecanismos de apoio financeiro, maior flexibilidade de instalação e garantias contratuais para reduzir riscos associados à oscilação dos preços da eletricidade.
Segundo o comunicado da agência dinamarquesa sobre a abertura das licitações, os contratos também incluem exigências ambientais e sociais, como medidas relacionadas à reciclagem de pás eólicas e práticas de responsabilidade na cadeia de fornecimento.
No projeto Hesselø, existem requisitos específicos para incorporar medidas de proteção à biodiversidade no desenvolvimento da instalação marítima.
A questão do reaproveitamento de equipamentos também aparece nas discussões sobre o crescimento das fontes renováveis. O CPG já abordou como pás eólicas descartadas podem virar matéria-prima em diferentes processos industriais.
Vattenfall já opera cinco parques eólicos marítimos com geração anual de 6,5 TWh
Os novos projetos serão desenvolvidos por uma companhia que já possui operações eólicas offshore na Dinamarca.
A Vattenfall administra cinco parques marítimos no país, responsáveis por produzir aproximadamente 6,5 terawatts-hora (TWh) de eletricidade por ano, segundo informações divulgadas pela própria empresa.
Entre os empreendimentos existentes está Horns Rev 3, instalado no Mar do Norte e inaugurado em 2019, com 49 aerogeradores e capacidade de 407 MW.
A empresa também opera o parque Kriegers Flak, no Mar Báltico, com capacidade de aproximadamente 605 MW, além de instalações na costa ocidental dinamarquesa.
Essa experiência inclui atividades de instalação marítima, conexão elétrica, operação e manutenção, necessárias para o funcionamento de turbinas em ambientes sujeitos a ventos fortes e condições variáveis do mar.
A construção de grandes parques offshore também depende de portos, embarcações especializadas e estruturas de transporte de equipamentos.
Em reportagem anterior, o CPG mostrou o avanço de um parque eólico flutuante de 30 MW na França, que utiliza montagem em instalações portuárias antes do posicionamento das turbinas no mar.
Embora os projetos tenham tecnologias e escalas diferentes, ambos dependem de infraestrutura marítima específica para transportar e instalar equipamentos de grandes dimensões.
Novos parques dependerão de cabos submarinos, licenças e conexão à rede elétrica
Além da instalação dos aerogeradores, Hesselø e Holmsland precisarão de sistemas para transportar a eletricidade produzida no mar até a rede terrestre.
Essa estrutura envolve cabos submarinos, equipamentos de transformação elétrica e pontos de conexão capazes de receber a potência dos parques.
As análises preliminares conduzidas pela operadora dinamarquesa Energinet incluem condições do leito marinho, recursos eólicos, aspectos ambientais e possíveis corredores para passagem dos cabos.
Segundo a Agência Dinamarquesa de Energia, esses levantamentos são disponibilizados para apoiar o planejamento dos empreendimentos e as futuras avaliações ambientais.
O licenciamento também precisará considerar os efeitos das estruturas marítimas e das instalações terrestres associadas aos projetos.
A integração dos parques ao sistema elétrico faz parte do planejamento necessário para transformar a capacidade instalada em eletricidade efetivamente entregue aos consumidores.
Essa relação entre geração e infraestrutura já foi discutida pelo CPG em uma análise sobre os desafios da transmissão de energia renovável, que abordou a necessidade de ampliar e modernizar redes elétricas conforme crescem as fontes solar e eólica.
No caso dinamarquês, os estudos técnicos e ambientais continuarão durante a preparação dos dois empreendimentos.
Construção ainda depende de investimento final, mas cronograma prevê operação em 2032
A assinatura dos acordos permite que a Vattenfall avance para etapas mais detalhadas de desenvolvimento, mas não representa uma autorização definitiva para iniciar todas as obras.
A empresa informou que ainda precisará concluir aprovações regulatórias e tomar as decisões finais de investimento para cada projeto.
Os contratos foram assinados por Anne Mette Traberg, responsável pelas operações da Vattenfall na Dinamarca, e Adrian Lübbert, diretor-geral da Agência Dinamarquesa de Energia.
A companhia também mantém outros projetos offshore em desenvolvimento na Europa, incluindo Nordlicht, na Alemanha, e Zeevonk, nos Países Baixos.
Em 2 de novembro de 2026, a Vattenfall anunciou a conclusão antecipada da instalação das 68 fundações do parque Nordlicht I, empreendimento alemão em construção no Mar do Norte.
Na Dinamarca, a previsão oficial continua sendo concluir Hesselø e Holmsland até o final de 2032. A etapa seguinte será aprofundar os estudos de engenharia, realizar as avaliações ambientais e definir os investimentos necessários para executar os contratos.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

