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Donos de carga que mandaram eletrônicos, motos, carretas e caminhões de Manaus para Belém viram a balsa Lunna II ir para o fundo em frente ao Porto dos Milagres, em Santarém (PA), na segunda (2)

Donos de carga que mandaram eletrônicos, motos, carretas e caminhões de Manaus para Belém viram a balsa Lunna II ir para o fundo em frente ao Porto dos Milagres, em Santarém (PA), na segunda (2)

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Donos de carga que mandaram eletrônicos, motos, carretas e caminhões de Manaus para Belém viram a balsa Lunna II ir para o fundo em frente ao Porto dos Milagres, em Santarém (PA), na segunda (2)

Escrito por Paulo Nogueira

Publicado em 03/11/2026 às 11:35

Atualizado em 03/11/2026 às 12:01

Marítimo

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Uma balsa que levava contêineres com eletrônicos, motocicletas, carretas, caminhões e caminhonetes de Manaus para Belém afundou na tarde desta segunda-feira (2) em frente a Santarém, no oeste do Pará.

A embarcação, chamada Lunna II, estava perto do Porto dos Milagres quando começou a ir para o fundo. Segundo a Marinha do Brasil, ninguém morreu nem se feriu, e não houve sinal de poluição na água.

A Capitania Fluvial de Santarém abriu um inquérito para descobrir o que provocou o naufrágio. Até a noite de segunda, ninguém tinha informado o valor da carga nem se ela será retirada do rio.

O comboio que saiu de Manaus.

De acordo com a Capitania, a Lunna II seguia num comboio puxado pelo empurrador Coronel Heitor. O conjunto tinha saído de Manaus, no Amazonas, e ia para Belém, a capital paraense, descendo o rio.

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Balsa não tem motor próprio. Ela é amarrada a um empurrador, o barco que dá a força e o rumo, e assim viaja por dias com veículos e contêineres arrumados no convés.

É esse tipo de comboio que tira do Polo Industrial de Manaus boa parte do que a indústria produz e põe no lugar os carros, caminhões e peças que chegam para o comércio da região.

O que estava em cima da balsa.

O g1 Santarém informou que a Lunna II transportava contêineres com produtos eletrônicos, motocicletas, carretas, caminhões e caminhonetes. As imagens que circularam nas redes mostram motos ainda embaladas em plástico sobre um caminhão.

A página SOS Santarém, no Facebook, citada pelo BNC Amazonas, falou em quase 300 motos elétricas no fundo do rio e em um caminhão-cegonha entre os veículos. Esses números não constam da nota da Marinha.

A mesma página descreveu o prejuízo como milionário. A nota da Capitania, porém, não traz inventário da carga nem avaliação financeira dos danos, e nenhuma empresa dona das mercadorias se manifestou.

O Portal CM7, de Manaus, descreveu o afundamento como parcial. Nas imagens, parte do casco ainda aparece acima da linha d’água, com lonas azuis e cavaletes de madeira usados para prender a carga.

Imagem gravada do rio mostra a balsa Lunna II submersa em frente a Santarém, nesta segunda (2) (Reprodução/Rede Social, via g1)

O que a Marinha disse.

Segundo a Marinha, a Capitania mandou uma equipe ao local assim que recebeu o aviso. Na avaliação inicial, não houve registro de mortes ou de pessoas feridas, e a equipe não viu manchas ou outros indícios de poluição ambiental.

As causas e as circunstâncias serão apuradas num Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação, o IAFN, instaurado pela Capitania Fluvial de Santarém.

Esse tipo de inquérito é a etapa da Marinha que levanta os fatos de um naufrágio. O resultado segue depois para o Tribunal Marítimo, que julga se houve culpa de alguém pela perda da embarcação.

O que ainda não se sabe.

O BNC Amazonas ressaltou que o material divulgado não identifica fabricantes, modelos ou proprietários das mercadorias, nem se havia seguro. Também não se sabe se toda a carga saiu das fábricas da Zona Franca.

Não há informação sobre a retirada dos contêineres e dos veículos, sobre a recuperação da balsa ou sobre o estado das motos que ficaram embaixo da água. A Capitania não divulgou prazo para concluir o inquérito.

Para quem esperava a mercadoria em Belém, a conta só deve ficar clara quando transportadora, donos da carga e seguradoras, se houver, fizerem o levantamento do que se perdeu.

Até que isso aconteça, os números de motos e de prejuízo que circulam nas redes devem ser lidos como relato local, e não como balanço oficial do naufrágio.

A rota que abastece o Norte.

O caminho entre Manaus e Belém pelo rio é uma das principais saídas da indústria amazonense para o resto do país. Por ele descem eletrônicos e motos feitos no polo e sobem insumos e veículos.

O BNC Amazonas lembra que a logística já estava no centro das preocupações das empresas da Zona Franca, com a disputa sobre a taxa da seca entre empresas de navegação e a Antaq, que pede comprovação dos custos extras na vazante.

O CPG mostrou em outubro que o Rio Negro chegou a 18,59 metros no Porto de Manaus, perto da cota que pode liberar a cobrança da sobretaxa.

A seca não aparece como causa.

Até agora, nada nas informações da Marinha liga o naufrágio da Lunna II à vazante. O próprio BNC Amazonas escreveu que não há indicação de que a seca tenha causado o afundamento.

O Serviço Geológico do Brasil informou em boletim de 21 de outubro que o Rio Amazonas estava baixando em trechos como Itacoatiara, Parintins, Óbidos e Careiro, mas dentro do padrão esperado para a época.

Óbidos fica rio acima de Santarém, no mesmo caminho do comboio. Mesmo assim, a causa só vai aparecer no inquérito, e a Capitania não falou em encalhe, colisão ou falha da balsa.

Outro caso no Rio Paraguai.

O naufrágio em Santarém vem logo depois de outro caso em rio brasileiro. No domingo (1º), o CPG contou que uma barcaça carregada de minério afundou num porto a 90 km de Corumbá, no Rio Paraguai.

Naquele caso, dois trabalhadores pularam na água e a Marinha também abriu inquérito. Os dois episódios não têm relação entre si, mas mostram o peso das hidrovias no transporte de carga do país.

Como avisar a Marinha.

A Marinha pede que situações que ameacem a segurança da navegação, a vida humana nos rios ou o meio ambiente sejam comunicadas pelo telefone 185, o Disque Emergências Marítimas e Fluviais.

Em Santarém, a Capitania Fluvial também atende pelo número (93) 3522-2870. É por esses canais que moradores e barqueiros podem relatar carga à deriva ou risco a outras embarcações.

Agora a pergunta é quem paga a conta.

Você já esperou uma mercadoria que vinha de Manaus pelo rio e chegou atrasada ou não chegou? Conte nos comentários como isso afetou o seu negócio e quanto tempo durou a espera.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

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