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Espírito Santo pode atrair R$ 5 bilhões e mais de 100 empresas em nova expansão logística que já multiplicou por dez a área de galpões
Escrito por Ana Alice
Publicado em 01/11/2026 às 23:36
Atualizado em 01/11/2026 às 23:37
Logística e Transporte
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Projeção de investimentos bilionários acompanha o avanço dos condomínios logísticos capixabas. Projetos em Vila Velha e Cariacica, além de novos corredores de transporte, mostram como o estado amplia sua infraestrutura de cargas.
O Espírito Santo pode receber R$ 5 bilhões em investimentos e atrair mais de 100 empresas de logística nos próximos dez anos, em um movimento de expansão que já transformou a infraestrutura de armazenagem e distribuição de mercadorias no estado.
Entre 2020 e o primeiro trimestre de 2026, a área de condomínios logísticos saltou de 163 mil para 1,72 milhão de metros quadrados, crescimento superior a dez vezes.
A projeção foi apresentada pelo presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, em levantamento publicado pelo Tribuna Online em 18 de outubro de 2026 e repercutido pela MundoLogística no dia 26.
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O avanço é acompanhado pela construção de novos galpões, pela chegada de grandes operadores de comércio eletrônico e pelo planejamento de corredores que conectam portos, ferrovias e rodovias.
Segundo a reportagem da MundoLogística, a perspectiva é de que o mercado capixaba incorpore outros 2,6 milhões de metros quadrados de estruturas logísticas ao longo da próxima década, caso mantenha o ritmo observado nos últimos anos.
A localização do estado, próxima aos grandes mercados consumidores do Sudeste e com acesso ao transporte marítimo, está entre os fatores considerados pelas empresas que procuram novos pontos de armazenagem e distribuição no Brasil.
Área de galpões logísticos cresce mais de dez vezes no Espírito Santo
A transformação do mercado imobiliário logístico capixaba pode ser observada principalmente na Grande Vitória, onde municípios como Serra, Viana, Cariacica e Vila Velha concentram importantes centros de distribuição.
De acordo com dados da consultoria Colliers divulgados pelo Tribuna Online, o estoque de condomínios logísticos passou de aproximadamente 163 mil metros quadrados em 2020 para 1,72 milhão no primeiro trimestre de 2026.
O crescimento acompanha a procura de empresas por instalações capazes de reunir armazenamento, movimentação de mercadorias e expedição de pedidos em um mesmo local.
Com o avanço do comércio eletrônico, essas estruturas ganharam importância para companhias que precisam manter produtos mais próximos dos consumidores e reduzir o tempo entre a compra e a entrega.
O levantamento também aponta uma taxa de vacância de 6,4% para os galpões de alto padrão no Espírito Santo, indicador que representa a parcela de espaços disponíveis para ocupação.
Entre os maiores empreendimentos existentes estão o Porto Canoa Log, em Viana, com aproximadamente 194,5 mil metros quadrados, o Tims, na Serra, com 163,8 mil metros quadrados, e o Centro Logístico Grande Vitória, também em Viana, com cerca de 132,6 mil metros quadrados.
A expansão da oferta envolve tanto condomínios utilizados por diferentes locatários quanto instalações construídas especificamente para atender às necessidades de grandes empresas.
Vila Velha terá complexo de R$ 200 milhões, enquanto Amazon amplia operação em Cariacica
Um dos projetos anunciados em 2026 é o Raizz Vila Velha, condomínio logístico previsto para as margens da Rodovia Darly Santos, importante corredor de transporte da região metropolitana.
O empreendimento terá quatro galpões de alto padrão, distribuídos em aproximadamente 88,5 mil metros quadrados de área construída, com investimento estimado em mais de R$ 200 milhões.
Desenvolvido por uma parceria entre Raizz Capital, Nazca e Urban Park Log, o complexo contará com áreas destinadas a operações sob medida e módulos disponíveis para diferentes empresas.
Segundo a Folha Vitória, que detalhou o projeto em junho, a estrutura prevê 277 docas para carga e descarga e 62 vagas para veículos pesados.
A expansão não se limita à construção de galpões. Em setembro, Amazon e DHL Supply Chain inauguraram um centro de distribuição em Cariacica, ampliando a presença das empresas no mercado capixaba.
A unidade ocupa cerca de 31 mil metros quadrados e possui capacidade inicial para processar mais de 420 mil pacotes por semana. Durante períodos de maior movimento, a operação poderá reunir mais de 500 trabalhadores diretos e indiretos.
De acordo com o comunicado oficial da DHL, o empreendimento permite ampliar as entregas no mesmo dia para clientes do Espírito Santo e melhorar a distribuição de produtos comercializados por vendedores parceiros da Amazon.
A companhia de comércio eletrônico também informou ter investido mais de R$ 100 milhões no estado durante 2025, em iniciativas relacionadas à logística e à tecnologia.
Novos corredores devem conectar portos, ferrovias e rodovias
Enquanto os centros de distribuição avançam na Grande Vitória, o governo estadual desenvolve projetos para ampliar a integração do transporte de cargas em outras regiões.
Em 4 de maio de 2026, o governador Ricardo Ferraço assinou o decreto que instituiu o ParkLog Sul Capixaba, programa voltado ao planejamento de um corredor logístico e industrial no sul do estado.
A proposta reúne o Porto de Ubu, em Anchieta, o projeto Porto Central, em Presidente Kennedy, e o Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim, além de futuras conexões ferroviárias e melhorias rodoviárias.
Entre os principais projetos considerados está a Ferrovia EF-118, planejada para fortalecer a ligação entre o Espírito Santo e o Rio de Janeiro, conectando instalações portuárias e regiões produtoras à malha ferroviária nacional.
A iniciativa também considera intervenções nas rodovias BR-101 e BR-262, utilizadas no deslocamento de mercadorias entre o interior e o litoral.
Segundo o anúncio oficial do Governo do Espírito Santo, o ParkLog Sul foi instituído para organizar estudos técnicos, identificar necessidades de infraestrutura e orientar a atração de novos empreendimentos.
O projeto procura integrar cadeias produtivas ligadas às rochas ornamentais, ao agronegócio, à indústria e ao setor de petróleo e gás, atividades que dependem de diferentes modalidades de transporte para alcançar seus mercados.
Mais de 100 empresas podem ampliar a demanda por trabalhadores
A perspectiva de novos investimentos também envolve atividades além da armazenagem tradicional.
Segundo Patrícia Gouvêa, diretora-presidente da Nova ES, entidade voltada à atração de investimentos, a carteira acompanhada pela organização reúne 22 oportunidades relacionadas ao ecossistema logístico capixaba.
Desse total, nove envolvem centros de distribuição e armazenagem, cinco estão ligadas à infraestrutura portuária e ferroviária, outras cinco abrangem comércio exterior e logística especializada, e três correspondem a operações industriais e comerciais.
Em entrevista ao Tribuna Online, Patrícia destacou que a expansão deverá ampliar a procura por trabalhadores com diferentes qualificações, desde atividades de movimentação e armazenagem até funções ligadas à tecnologia e à gestão operacional.
Entre as empresas que já mantêm operações de distribuição no estado estão a MedLevensohn, no setor de saúde, a fabricante de eletrônicos Realme e a Indústria Química Anastácio, que implantou uma unidade em Vila Velha.
O secretário estadual de Desenvolvimento, Rogério Salume, também apontou a importância da integração entre os diferentes modais de transporte e da ampliação da infraestrutura para sustentar a atração de empresas.
A formação profissional é outra frente acompanhada pelo setor. Uma das iniciativas citadas pela Nova ES é o Senai Porto, que oferece cursos direcionados às necessidades da atividade logística.
Com novos galpões em desenvolvimento, centros de distribuição inaugurados em 2026 e estudos de corredores logísticos em andamento, o Espírito Santo reúne iniciativas que poderão acompanhar a expansão projetada para a próxima década.
A carteira de 22 oportunidades da Nova ES permanece em diferentes estágios de negociação, enquanto os empreendimentos anunciados seguem seus próprios cronogramas de implantação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

