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Estaleiros brasileiros se preparam para receber plataformas gigantes que deixarão o mar e disputar mercado de R$ 370 bilhões até 2059

Estaleiros brasileiros se preparam para receber plataformas gigantes que deixarão o mar e disputar mercado de R$ 370 bilhões até 2059

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Estaleiros brasileiros se preparam para receber plataformas gigantes que deixarão o mar e disputar mercado de R$ 370 bilhões até 2059

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 06/11/2026 às 08:42

Atualizado em 06/11/2026 às 09:00

Indústria Naval

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Estaleiros brasileiros se preparam para receber plataformas gigantes que deixarão o mar e disputar mercado de R$ 370 bilhões até 2059

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Retirada de plataformas de petróleo poderá movimentar R$ 370 bilhões no Brasil e abrir novos negócios para estaleiros, portos e siderúrgicas.

Uma plataforma de petróleo que passou décadas trabalhando no oceano chega ao fim de sua vida produtiva. Seus equipamentos precisam ser desligados, os poços devem ser fechados e milhares de toneladas de aço aguardam uma nova destinação. Nos estaleiros brasileiros, empresas começam a preparar áreas industriais para receber essas estruturas gigantescas. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), em reportagem publicada em 4 de novembro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) trabalha com uma estimativa de R$ 370 bilhões em investimentos ligados à desativação de instalações petrolíferas até 2059.

Desse mercado, R$ 75 bilhões estão previstos para o período de 2026 a 2030. Empresas de engenharia, portos, estaleiros e siderúrgicas disputam espaço nessa atividade, enquanto novos projetos industriais avançam no Rio de Janeiro e operações de reciclagem já acontecem no Rio Grande do Sul.

Plataformas antigas deixam o oceano e movimentam uma nova cadeia industrial

Depois que um campo de petróleo deixa de produzir em condições econômicas viáveis, suas instalações precisam passar por um processo de encerramento. O procedimento recebe o nome de descomissionamento.

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Essa atividade inclui o fechamento definitivo de poços, a retirada de equipamentos e tubulações, a limpeza das estruturas e a destinação adequada dos materiais que não serão reaproveitados.

O trabalho envolve muito mais do que transportar uma plataforma até um estaleiro. Navios especializados, equipes de engenharia e instalações industriais participam das diferentes etapas.

ANP projeta R$ 370 bilhões em serviços de descomissionamento até 2059

A estimativa apresentada pela ANP durante os debates da Navalshore 2026 alcança R$ 370 bilhões, considerando atividades de desativação previstas pelas operadoras petrolíferas em um horizonte que chega a 2059.

A previsão envolve sete grandes grupos de atividades ligadas ao encerramento de instalações. Entre elas estão serviços submarinos, fechamento de poços, remoção de estruturas e tratamento de materiais.

Os valores são projeções enviadas pelas empresas à agência reguladora. Eles podem sofrer alterações conforme os cronogramas dos campos e não representam contratos já assinados com estaleiros brasileiros.

Primeiros R$ 75 bilhões estão previstos para o período até 2030

Uma parte expressiva da carteira está concentrada nos próximos anos. Segundo os dados apresentados pelo Sinaval, os investimentos estimados entre 2026 e 2030 chegam a R$ 75 bilhões.

Essa previsão inclui atividades que começam ainda no mar, antes que plataformas e outros equipamentos sejam transportados para instalações industriais.

A chefe da unidade de planejamento econômico do descomissionamento da ANP, Karen Alves, explicou que os números ainda precisam de validação. Algumas operadoras poderão antecipar projetos, enquanto outras poderão alterar os prazos.

Estaleiro Rio Grande já participa da reciclagem de plataformas da Petrobras

No Rio Grande do Sul, a Ecovix realizou o desmantelamento da plataforma P-32, antiga unidade da Petrobras, nas instalações do Estaleiro Rio Grande.

O projeto exigiu operações industriais para desmontar estruturas, separar materiais e encaminhar componentes à destinação apropriada. O trabalho também envolveu o aproveitamento do aço recuperado.

Outra unidade da Petrobras, a P-33, foi encaminhada ao mesmo estaleiro em agosto de 2026. As movimentações colocam a estrutura gaúcha entre as instalações utilizadas para receber grandes ativos offshore em fim de vida.

Porto do Açu recebe plataformas e estuda ampliar estruturas para desmontagem

Em São João da Barra, no norte fluminense, o Porto do Açu também participa dessa cadeia. O complexo recebeu antigas plataformas da Petrobras para serviços relacionados à preparação para a desativação.

A P-37 está no porto desde 2024. A P-26 chegou em agosto de 2026, enquanto existe previsão de chegada da P-19 entre o fim de 2026 e o início de 2027.

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A administração do porto estuda instalar uma estrutura para cortar chapas e processar materiais em terra. O investimento ainda depende de avaliação econômica e das condições necessárias para executar os serviços.

Plataformas gigantes podem fornecer milhares de toneladas de aço para reciclagem

Uma unidade de produção de petróleo possui grandes quantidades de estruturas metálicas. Depois de desmontadas e tratadas, parte dessas peças pode retornar à indústria siderúrgica.

Segundo informações apresentadas pelo Porto do Açu, uma plataforma do tipo FPSO pode reunir aproximadamente 40 mil toneladas de aço. Já uma unidade semissubmersível pode apresentar entre 12 mil e 13 mil toneladas.

O aproveitamento depende das condições dos materiais e dos tratamentos necessários. Componentes contaminados precisam passar por procedimentos específicos antes de serem reciclados ou descartados.

Novo complexo de R$ 800 milhões poderá receber embarcações no Rio de Janeiro

Entre Campos dos Goytacazes e Quissamã, a BR Offshore desenvolve o complexo industrial e logístico Farol/Barra do Furado, com investimento previsto de aproximadamente R$ 800 milhões.

O empreendimento foi planejado para ocupar cerca de um milhão de metros quadrados e possuir mais de 900 metros de cais. A estrutura deverá atender à reciclagem de embarcações e a outras operações marítimas.

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A pedra fundamental foi lançada em março de 2026. A empresa pretende concluir o licenciamento para iniciar as obras e trabalha com prazo estimado de 24 a 26 meses para a construção.

Empresas brasileiras procuram contratos para retirar estruturas do fundo do mar

A OceanPact está entre as companhias que desenvolvem serviços relacionados ao encerramento de operações offshore. Durante a Navalshore, a empresa informou que participa de três projetos em diferentes etapas.

A companhia trabalha com um modelo que reúne engenharia, planejamento e controle de riscos. A integração busca organizar serviços que precisam ser executados em sequência.

A Petrobras também utiliza contratações que agrupam engenharia, preparação, remoção e destinação dos equipamentos. Esse formato permite que uma empresa principal coordene diferentes prestadores especializados.

Estaleiro da Bahia participa de projeto para retirar seis estruturas submarinas

No Nordeste, a Belov ampliou sua presença nesse mercado. Em março de 2026, a empresa firmou um contrato em consórcio com a Braserv para atividades no Campo de Itaparica.

O trabalho inclui o abandono definitivo de cinco poços marítimos e a retirada de seis jaquetas, estruturas metálicas que sustentam plataformas fixas no mar.

A operação também contempla limpeza, remoção de materiais e destinação dos resíduos. A Belov utiliza suas instalações na Bahia para apoiar projetos de descomissionamento e reciclagem naval.

Falta de infraestrutura poderá enviar plataformas brasileiras para outros países

Apesar dos projetos em andamento, a indústria ainda enfrenta dificuldades para receber todas as embarcações e plataformas que precisarão ser desmontadas.

O professor Newton Pereira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), alertou durante a Navalshore que algumas unidades já foram encaminhadas ao exterior por falta de capacidade disponível no Brasil.

Entre os desafios estão áreas industriais licenciadas, equipamentos de movimentação, profissionais preparados e instalações capazes de receber estruturas contaminadas. Sem esses recursos, parte dos serviços poderá continuar sendo executada fora do país.

Regras ambientais exigem controle sobre todos os materiais retirados

Uma plataforma não pode ser simplesmente cortada e transformada em sucata. Antes disso, é necessário identificar resíduos perigosos, descontaminar equipamentos e controlar a destinação de cada material.

A Convenção Internacional de Hong Kong, em vigor desde junho de 2025, estabelece padrões para a reciclagem segura e ambientalmente adequada de navios nos países aos quais se aplica.

No Brasil, a adesão ao tratado ainda depende de etapas legislativas. Em setembro de 2026, uma comissão da Câmara dos Deputados adiou a votação da proposta relacionada à convenção.

Setor poderá criar demanda por soldadores, técnicos e engenheiros navais

A retirada e a desmontagem de plataformas exigem diferentes profissionais. Entre eles estão engenheiros, soldadores, operadores de equipamentos pesados, técnicos de segurança e especialistas em tratamento de resíduos.

Os estaleiros também precisam de serviços de transporte, manutenção industrial, inspeção, limpeza de tanques e movimentação de grandes peças metálicas.

A quantidade de vagas dependerá dos contratos efetivamente conquistados e das instalações que entrarem em operação. A projeção de R$ 370 bilhões não permite calcular, por si só, quantos empregos serão criados.

Brasil poderá disputar mercado internacional de reciclagem de navios

Além das plataformas que operam nas bacias brasileiras, empresas do setor avaliam a possibilidade de receber embarcações estrangeiras para reciclagem.

A BR Offshore informou que mantém conversas com armadores internacionais. O Porto do Açu também avalia ampliar os serviços para aproveitar sua localização próxima às grandes áreas produtoras de petróleo.

A demanda prevista pela ANP se estende por décadas. Para os estaleiros brasileiros, a próxima etapa será transformar projetos industriais, licenças e capacidade técnica em contratos efetivos de retirada, desmontagem e reciclagem.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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