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Fábrica de R$ 60 milhões em Sorocaba prevê produzir 100 milhões de litros de gasolina por mês em 2027, mas depende de autorização provisória da Justiça contestada pela ANP

Fábrica de R$ 60 milhões em Sorocaba prevê produzir 100 milhões de litros de gasolina por mês em 2027, mas depende de autorização provisória da Justiça contestada pela ANP

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Fábrica de R$ 60 milhões em Sorocaba prevê produzir 100 milhões de litros de gasolina por mês em 2027, mas depende de autorização provisória da Justiça contestada pela ANP

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 05/11/2026 às 20:48

Atualizado em 05/11/2026 às 20:51

Indústria

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Unidade da Vertex em Sorocaba (SP), construída para formular gasolina A, com produção prevista para 2027. Foto: Vertex/Divulgação, via Tecnologística.

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A Vertex prepara fábrica de R$ 60 milhões em Sorocaba para produzir até 100 milhões de litros de gasolina A por mês em 2027. A unidade terá 13 tanques, prevê 150 empregos e enfrenta disputa judicial com a ANP.

Uma fábrica de combustíveis de R$ 60 milhões já foi construída em Sorocaba (SP) para produzir até 100 milhões de litros de gasolina por mês. A Vertex Formulação e Armazenagem prevê iniciar as atividades no começo de 2027, mas a abertura acontece em meio a uma disputa com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A atividade de formulação foi suspensa pelo órgão regulador em 2025, e a empresa recebeu autorização de funcionamento em setembro de 2026 por determinação da Justiça Federal. A licença é provisória e está sujeita ao andamento do processo judicial. Enquanto prepara as equipes e os equipamentos, a Vertex pretende abastecer distribuidoras a partir de uma instalação com 13 tanques.

Unidade de R$ 60 milhões tem 13 tanques e capacidade para 100 milhões de litros ao mês

A planta está localizada no km 84,5 da Rodovia Presidente Castelo Branco, em uma área de aproximadamente 151 mil metros quadrados. O projeto reúne produção, armazenagem e movimentação de combustíveis no mesmo complexo industrial, próximo a corredores rodoviários que atendem São Paulo e outros estados.

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Segundo a empresa, a capacidade autorizada para formulação de gasolina A é de 3.333 metros cúbicos por dia. Convertido em litros e projetado para 30 dias, esse volume chega a aproximadamente 100 milhões mensais, desde que a operação mantenha o ritmo máximo previsto.

A estrutura de armazenagem comporta 35,4 milhões de litros, distribuídos por 13 tanques. A área de carga e descarga foi planejada para receber até 14 caminhões simultaneamente, permitindo movimentar diferentes remessas de matérias-primas e produtos.

As instalações já estão prontas, mas os equipamentos ainda passam por preparação para o início da operação. A capacidade anunciada representa o limite nominal do projeto, não uma produção que esteja acontecendo em novembro de 2026.

Gasolina será produzida por mistura de componentes, sem refinar petróleo bruto

A Vertex pretende usar o processo conhecido como formulação ou blending. Ele combina correntes líquidas de hidrocarbonetos para chegar às especificações da gasolina A. É um processo industrial diferente de transformar petróleo cru em derivados dentro de uma refinaria tradicional.

A gasolina A é o combustível sem etanol anidro, fornecido às distribuidoras. Nessa etapa posterior, as distribuidoras fazem a mistura obrigatória com etanol para produzir a gasolina C, vendida ao motorista nos postos, conforme explica a ANP.

Para controlar o produto, a empresa anunciou laboratório próprio, análise das matérias-primas, rastreamento por lotes e conservação de amostras. O projeto prevê ainda sistemas de contenção, controle de vapores e medidas de proteção nas operações de carga e descarga.

A produção deverá seguir as especificações técnicas de qualidade da ANP. Os controles são especialmente importantes porque combustíveis fora de padrão podem causar problemas mecânicos e prejuízos a consumidores e distribuidores.

A controvérsia ganhou força em julho de 2025, quando a diretoria da ANP suspendeu cautelarmente os dispositivos que permitiam a formulação de gasolina e diesel e interrompeu a análise de pedidos de autorização ligados à atividade.

Em 24 de julho de 2026, a agência aprovou uma avaliação regulatória que recomendou acabar com a formulação nos moldes então previstos. A ANP informou que o setor teve participação limitada na oferta nacional e que a suspensão não havia afetado o abastecimento.

O relatório identificou riscos de fraudes fiscais, combustível fora das especificações, concorrência desleal e altos custos de fiscalização na atividade como um todo. A avaliação regulatória trata do histórico do setor e não atribui fraude à Vertex.

A proposta de encerramento ainda precisa passar pelas etapas formais de mudança regulatória, incluindo consultas públicas. Enquanto isso, a situação da planta de Sorocaba é definida por decisões judiciais específicas.

Justiça mandou conceder autorização provisória depois de negativa da agência

A Vertex afirma que iniciou o projeto antes da suspensão da ANP. A construção havia sido autorizada em 2022, e o pedido de licença para funcionamento foi apresentado em julho de 2024. Com a paralisação administrativa, a empresa recorreu à Justiça para continuar a análise do processo.

Instalação da Vertex em Sorocaba (SP), apresentada em reportagem sobre a autorização provisória de funcionamento. Foto: Vertex/Reprodução, via Migalhas.

Em setembro de 2026, a ANP negou a solicitação, mas decisões do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinaram que a autorização provisória fosse emitida. No dia 25 de setembro, foi publicada no Diário Oficial da União a Autorização ANP nº 544/2026, para produção de até 3.333 metros cúbicos diários de gasolina A.

A permissão foi concedida sub judice, enquanto a controvérsia continua sendo discutida judicialmente. A ANP, representada pela Advocacia-Geral da União (AGU), recorreu da decisão e informou que poderá rever a autorização caso o resultado judicial seja alterado.

O diretor-geral da Vertex, Daniel Kurtinaitis, argumenta que a mudança de regras ocorreu quando a empresa já havia investido dezenas de milhões de reais. Ao jornal Folha de S.Paulo, o executivo defendeu a formulação como processo utilizado por refinarias e centrais petroquímicas.

Empreendimento prevê 150 empregos, mas produção máxima deve demorar

A expectativa da companhia é gerar aproximadamente 150 empregos diretos e indiretos quando a instalação estiver em pleno funcionamento. As admissões devem ocorrer aos poucos, acompanhando a preparação das equipes e a entrada dos equipamentos em serviço.

Reunião na Prefeitura de Sorocaba para apresentar investimento de R$ 60 milhões e previsão de 150 empregos, em setembro de 2025. Foto: Gustavo Goes/Prefeitura de Sorocaba.

As vagas previstas abrangem a operação e a cadeia de apoio, sem que a empresa tenha divulgado uma lista de cargos ou calendário detalhado de seleção. A Prefeitura de Sorocaba já havia anunciado o investimento e os 150 postos em setembro de 2025.

Kurtinaitis estima que a unidade poderá levar até 12 meses depois da partida para alcançar a produção máxima. A operação deverá crescer de acordo com a disponibilidade dos equipamentos e a procura das distribuidoras.

Na divulgação municipal de 2025, o empreendimento aparecia com potencial de até 135 milhões de litros mensais considerando diferentes combustíveis. O plano detalhado em novembro de 2026 aponta 100 milhões de litros mensais de gasolina A, produto que consta da autorização específica concedida pela ANP.

Localização liga fábrica aos portos de Santos e Paranaguá

A Vertex escolheu Sorocaba pela proximidade com os mercados consumidores do Sudeste e pela conexão com rotas de transporte. A Rodovia Castelo Branco facilita o acesso de caminhões a corredores que levam aos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).

O plano comercial da companhia é atender distribuidoras, que compram gasolina A para preparar o combustível comercializado nos postos. A nova operação pode ampliar as opções de compra desses clientes, mas o impacto sobre o preço da bomba dependerá das condições de mercado e dos volumes efetivamente fornecidos.

Para uma etapa posterior, a Vertex estuda ampliar a armazenagem para cerca de 65 milhões de litros, elevar de 14 para 18 o atendimento simultâneo de caminhões e instalar uma usina solar para consumo próprio. Essas medidas ainda fazem parte do planejamento futuro.

Início em 2027 depende da preparação da fábrica e do desfecho regulatório

Com a planta construída, a empresa concentra os trabalhos no comissionamento de equipamentos, nos procedimentos de segurança e na formação das equipes. A previsão informada em novembro é começar a produzir gasolina no início de 2027 e aumentar gradualmente o ritmo até alcançar a capacidade nominal.

A decisão judicial que permitiu a autorização continua no centro do projeto. Enquanto a ANP revisa as regras para o setor e a empresa prepara a operação, o próximo marco será o início efetivo da produção de gasolina A em Sorocaba.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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