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General Motors aceita pagar R$ 1,2 bilhão após acusações de venda de dados de motoristas para empresas ligadas a seguradoras nos EUA
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 04/11/2026 às 17:54
Atualizado em 04/11/2026 às 19:00
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General Motors aceita pagar US$ 220 milhões após investigação sobre venda de dados de motoristas nos EUA. Entenda o caso e as restrições impostas à GM.
A General Motors concordou em pagar US$ 220 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão) para encerrar um processo nos Estados Unidos envolvendo a comercialização de informações pessoais de milhões de motoristas. A investigação apontou que, entre 2016 e 2024, registros obtidos pelo Smart Driver, ferramenta vinculada ao sistema OnStar, foram vendidos a empresas que abastecem o mercado de seguros, sem que os proprietários dos veículos recebessem esclarecimentos adequados sobre o destino dessas informações.
O caso envolve dados capazes de revelar não apenas os lugares frequentados pelos condutores, mas também seus hábitos ao volante. Esse histórico poderia ser utilizado pelas seguradoras para calcular o risco de cada cliente e influenciar o preço das apólices, mesmo quando o motorista não tivesse se envolvido em acidentes.
Mais de 370 mil motoristas receberam informações incorretas sobre coleta de dados
Entre as irregularidades identificadas pelas autoridades norte-americanas, uma das mais relevantes envolveu proprietários que acreditavam não participar do programa de monitoramento da montadora.
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Mais de 370 mil usuários visualizaram mensagens no aplicativo OnStar indicando que estavam fora do Smart Driver. Apesar dessa informação, seus automóveis continuavam produzindo registros de condução que acabaram comercializados com terceiros.
Quando a fabricante identificou a inconsistência, retirou os clientes do programa, mas não comunicou o problema aos envolvidos, conforme apontaram os investigadores. Além disso, os dados que já haviam sido fornecidos a outras companhias permaneceram em poder dessas organizações.
As investigações também examinaram a maneira como os consumidores ingressavam no serviço. Durante a aquisição de veículos e a ativação dos recursos conectados nas concessionárias, funcionários de algumas lojas chegaram a concordar com termos de participação em nome dos compradores, sem a autorização necessária.
Nesse período, a GM mantinha incentivos financeiros destinados a ampliar as adesões aos serviços de conectividade, incluindo bonificações para vendedores.
Como informações sobre a direção chegavam ao mercado de seguros
O Smart Driver havia sido desenvolvido com a proposta de permitir que os proprietários acompanhassem seu comportamento no trânsito e identificassem oportunidades para melhorar a condução.
Para oferecer esse acompanhamento, a tecnologia reunia informações sobre a utilização dos automóveis, incluindo horários de circulação, trajetos percorridos, velocidade e frequência de uso. O monitoramento também identificava situações como acelerações intensas e frenagens repentinas.
A controvérsia surgiu porque essas informações não ficavam restritas ao acompanhamento realizado pelos próprios condutores. Conforme as autoridades, registros eram comercializados com empresas como LexisNexis e Verisk, responsáveis por fornecer informações utilizadas pelo setor de seguros.
Na prática, esse histórico poderia contribuir para que uma seguradora considerasse determinado cliente mais arriscado e cobrasse um valor maior pela cobertura, independentemente da existência de acidentes anteriores.
O assunto ganhou repercussão nacional nos Estados Unidos em março de 2024, quando o jornal The New York Times publicou uma investigação sobre o compartilhamento dessas informações.
Um dos episódios apresentados envolveu um proprietário que teve o seguro reajustado em 22%. Ao procurar explicações, recebeu de seu corretor a informação de que o aumento estava relacionado a registros de direção fornecidos por uma empresa intermediária.
O motorista posteriormente obteve um documento de 130 páginas que detalhava seus deslocamentos ao longo de seis meses, mostrando a quantidade de informações reunidas sobre a utilização do automóvel.
GM terá de cumprir novas exigências de privacidade após acordo milionário
A repercussão das denúncias levou a General Motors a descontinuar o Smart Driver em 2024. A medida, entretanto, não encerrou os questionamentos sobre a utilização das informações anteriormente coletadas.
Em janeiro de 2025, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) anunciou medidas contra a fabricante. Um ano depois, em janeiro de 2026, foi aprovada uma decisão definitiva que estabeleceu restrições ao tratamento de determinados dados dos consumidores.
Entre as determinações está a proibição, por cinco anos, do compartilhamento de certas informações de localização e comportamento ao volante com agências de informações ao consumidor.
A montadora também ficou sujeita a exigências relacionadas à autorização dos proprietários para a coleta e utilização dos registros. Os consumidores devem dispor de recursos para consultar suas informações, solicitar a exclusão e restringir o monitoramento, observadas as exceções estabelecidas na decisão.
O acordo de US$ 220 milhões acrescenta outras obrigações. A GM precisará aperfeiçoar seus controles de privacidade, submeter seus procedimentos a avaliações internas e externas e ampliar a fiscalização sobre as práticas adotadas pelas concessionárias.
Os recursos financeiros serão destinados aos estados norte-americanos participantes do acordo. Para os proprietários atingidos, porém, não há previsão de recebimento direto de indenizações no curto prazo.
Em posicionamento divulgado à imprensa dos Estados Unidos, a General Motors informou que vem aprimorando suas práticas de proteção de informações desde a descontinuação do Smart Driver. A empresa também sustentou que os registros produzidos por automóveis conectados podem ajudar a oferecer serviços mais seguros e personalizados, desde que sua utilização seja transparente.
OnStar também existe no Brasil, mas investigação não envolve motoristas brasileiros
Embora o processo trate de irregularidades ocorridas nos Estados Unidos, o nome OnStar é conhecido de proprietários de veículos Chevrolet no Brasil, onde a tecnologia de conectividade está presente em modelos como Onix, Tracker e S10.
A fabricante também disponibilizou no mercado brasileiro um recurso semelhante ao Smart Driver, denominado Condução Inteligente. A funcionalidade permitia acompanhar aspectos do comportamento dos motoristas e foi descontinuada mundialmente em 26 de junho de 2024.
Entretanto, não há, nas informações apresentadas sobre o processo norte-americano, indicação de que as mesmas irregularidades tenham ocorrido no Brasil.
Ao esclarecer o encerramento do Condução Inteligente, a Chevrolet afirmou oficialmente que os registros obtidos pelo serviço na América do Sul não eram compartilhados com empresas terceirizadas como LexisNexis e Verisk.
Fonte
Auto+
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

