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Gigante chinesa ZTT anuncia segunda fábrica no Brasil, destina R$ 110 milhões a Minas Gerais e vai produzir cabos de alta tensão e transformadores com obras previstas para dezembro

Gigante chinesa ZTT anuncia segunda fábrica no Brasil, destina R$ 110 milhões a Minas Gerais e vai produzir cabos de alta tensão e transformadores com obras previstas para dezembro

MG

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Gigante chinesa ZTT anuncia segunda fábrica no Brasil, destina R$ 110 milhões a Minas Gerais e vai produzir cabos de alta tensão e transformadores com obras previstas para dezembro

Escrito por Noel Budeguer

Publicado em 05/11/2026 às 20:47

Atualizado em 05/11/2026 às 21:14

Indústria

Grupo

Instalação industrial do grupo chinês ZTT em Nantong, na China. A multinacional anunciou investimento de R$ 110 milhões para construir uma nova fábrica de cabos e transformadores em Três Corações (MG), com início das operações previsto para 2028. Imagem de arquivo. Foto: Governo de Nantong/Divulgação.

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Grupo chinês ZTT anunciou R$ 110 milhões para instalar fábrica de cabos e transformadores em Três Corações (MG), com obras previstas para dezembro de 2026, operação planejada para 2028 e contratação de trabalhadores da região.

Uma fabricante chinesa de equipamentos elétricos confirmou um investimento de R$ 110 milhões para instalar sua segunda base industrial no Brasil. A escolhida foi Três Corações, no Sul de Minas Gerais, onde o grupo ZTT pretende produzir cabos de alta tensão, transformadores e peças usadas na infraestrutura de energia.

O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, durante uma missão do Governo de Minas à cidade chinesa de Nantong. A implantação está programada para começar em dezembro deste ano, enquanto as primeiras operações industriais são previstas para 2028. A execução ficará a cargo da subsidiária turca Demirer Kablo.

Grupo chinês prevê R$ 30 milhões ainda em 2026 e mais R$ 80 milhões até 2028

O aporte inicial será dividido em três etapas. O cronograma informado pelo Governo de Minas prevê R$ 30 milhões em 2026, seguidos por R$ 40 milhões em 2027 e mais R$ 40 milhões em 2028, somando os R$ 110 milhões anunciados para a primeira fase do empreendimento.

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O calendário coloca o início da implantação no mês seguinte ao anúncio, mas a produção industrial está prevista para começar apenas em 2028. Entre uma etapa e outra, o projeto terá de transformar os recursos prometidos em instalações, equipamentos e estrutura de apoio capazes de atender empresas do setor elétrico.

O governo estadual apresentou a confirmação do investimento após encontros com representantes do grupo na China. A instalação em Três Corações fará parte da expansão das atividades industriais da ZTT no país.

Nova unidade vai fabricar cabos de alta tensão, transformadores e peças para linhas elétricas

A lista de produtos inclui fios e cabos elétricos, condutores aéreos, ferragens e componentes para redes de transmissão e distribuição. A fábrica também deverá produzir transformadores de média e baixa tensão, segundo a descrição do projeto divulgada pela Agência Minas.

Instalação industrial do grupo ZTT em Nantong, na China, em imagem de arquivo. A futura fábrica de Três Corações ainda não foi construída. Foto: Governo de Nantong/Divulgação.

Cabos e condutores são utilizados para transportar eletricidade pelas redes; já os transformadores permitem adequar os níveis de tensão às diferentes etapas do fornecimento. As ferragens e demais peças participam da montagem e sustentação dos equipamentos instalados em linhas e subestações.

O complexo também terá um centro logístico e estruturas de apoio. O público empresarial previsto para a operação é formado por concessionárias, transmissoras e distribuidoras de energia, que compram esse tipo de material para construir, ampliar e manter redes elétricas.

A proposta é reunir fabricação e distribuição na mesma operação. O comunicado ainda não detalha a capacidade anual de produção da futura planta nem o volume de transformadores e cabos que poderá sair de suas linhas.

ZTT já tem fábrica em Alagoas e abrirá sua segunda base industrial no Brasil

A multinacional não está começando do zero no país. Segundo informações da própria ZTT do Brasil, o grupo iniciou suas atividades nacionais em 2013 e inaugurou, em 2015, uma unidade de fabricação de cabos de fibra óptica em Marechal Deodoro, Alagoas.

Visita técnica à fábrica da ZTT em Marechal Deodoro (AL), em dezembro de 2024. Imagem de arquivo, anterior ao anúncio de Minas Gerais. Foto: Ascom Sedics/Divulgação.

A operação alagoana nasceu com foco em telecomunicações. Em 2017, a companhia instalou uma linha de produção de cabos OPGW, utilizados no topo de redes de transmissão para combinar proteção contra descargas atmosféricas e comunicação por fibra óptica.

A unidade de Minas deverá ampliar a presença industrial do grupo em outra área do setor energético. O projeto anunciado para Três Corações concentra-se em cabos de potência, peças de redes elétricas e transformadores, enquanto a fábrica de Alagoas já atua em cabos ópticos e produtos associados à energia.

Ao confirmar uma segunda base de fabricação, a ZTT passa a planejar operações industriais em dois estados brasileiros. O governo mineiro também relaciona a nova unidade à estratégia de crescimento da empresa na América Latina.

Demirer Kablo pertence à ZTT desde 2018 e fabrica sistemas de alta tensão

A empresa responsável pelo novo investimento será a Demirer Kablo, fabricante de origem turca que passou a integrar o grupo chinês ZTT em setembro de 2018. A companhia tem histórico de produção de cabos para grandes projetos de eletricidade.

Em seu perfil institucional, a Demirer apresenta soluções internacionais de cabos de energia de até 500 kV e serviços de instalação, testes e comissionamento. Essa capacidade pertence ao portfólio global da fabricante; para Três Corações, o conjunto de produtos anunciado é o de cabos, transformadores e componentes da rede elétrica.

A instalação mineira será a frente brasileira de um negócio que une a presença internacional da controladora chinesa à especialização em cabos da subsidiária turca.

Invest Minas mapeou áreas industriais e discutiu fornecedores locais com a Cemig

A Invest Minas acompanhou a estruturação do empreendimento antes da confirmação pública. Segundo o governo estadual, a agência participou da avaliação de áreas industriais, da organização de visitas técnicas e da interlocução com órgãos envolvidos na instalação da fábrica.

O trabalho incluiu articulações com o programa SupriMinas, da Cemig, voltado à aproximação entre a cadeia de suprimentos e demandas de empresas. A proposta do governo é priorizar fornecedores da região no desenvolvimento das operações.

A missão que levou o anúncio à China foi organizada em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, a Invest Minas e a Codemge.

No encontro em Nantong, o governador Mateus Simões associou a chegada da fábrica à contratação de profissionais e à capacitação da mão de obra local. As negociações também envolveram o posicionamento de Minas Gerais como destino de investimentos industriais chineses.

Empregos devem ser criados até 2028, com prioridade para moradores da região

O texto do anúncio oficial prevê pelo menos 100 empregos diretos e indiretos até 2028. As vagas serão associadas à implantação e à entrada em funcionamento da unidade, com prioridade anunciada para a contratação e formação de trabalhadores locais.

A empresa deverá precisar de atividades ligadas à implantação industrial, à operação de equipamentos, ao apoio logístico e ao fornecimento de materiais. O anúncio apresentado nesta quinta-feira detalha a expectativa de empregos, mas ainda não traz calendário de seleção de profissionais ou relação de cargos.

Para Três Corações e cidades vizinhas, o primeiro desdobramento a acompanhar será a instalação da fábrica, prevista para começar em dezembro. A etapa de operação, por sua vez, está planejada para 2028.

Leilão federal prevê R$ 8,8 bilhões para redes de transmissão no país

A nova fábrica foi anunciada poucos dias depois de a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) concluir o Leilão de Transmissão nº 4/2026, em 30 de outubro. Os oito lotes foram arrematados, com R$ 8,8 bilhões em investimentos previstos para a infraestrutura elétrica brasileira.

Conforme a ANEEL, os empreendimentos incluem 1.866 quilômetros de novas linhas e subestações com capacidade de transformação de 12.694 MVA, distribuídos por sete estados. A expansão nacional exige materiais semelhantes aos que o grupo ZTT pretende fabricar em Minas.

O investimento da ZTT é um projeto próprio, distinto das concessões licitadas pela agência. Seu mercado potencial envolve empresas que executam obras e mantêm redes de energia elétrica no Brasil e, segundo o plano anunciado, a expansão regional do grupo na América Latina.

Primeira etapa será a implantação em dezembro; produção fica para 2028

Após a confirmação na China, a próxima data do cronograma é dezembro de 2026, quando o grupo pretende iniciar a implantação da planta em Três Corações. Os recursos programados para 2027 e 2028 deverão sustentar a sequência das instalações industriais até o começo das operações.

Com uma segunda fábrica no Brasil, a ZTT amplia sua aposta na indústria de equipamentos elétricos. O avanço das obras, a contratação de trabalhadores e a chegada dos equipamentos serão os próximos sinais do andamento do projeto de R$ 110 milhões.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

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