A escalada de violência e ameaças de demissão após o segundo turno das eleições presidenciais levou o governo federal a tomar medidas para conter novos episódios.
Nesta semana, o Executivo anunciou uma força-tarefa composta por diversos órgãos para combater práticas de assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Em outra frente, pastas se mobilizam para levantar e apurar casos de ameaças, agressões e até assassinatos envolvendo o resultado das eleições.
A criação da força-tarefa contra o assédio ocorreu após se espalharem nas redes sociais relatos de empresários incentivando a demissão de funcionários que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O grupo é composto pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT), a Advocacia-Geral da União (AGU), o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Além das ameaças de demissão, foram registradas publicações que estimulam o boicote a estabelecimentos que declaram apoio ao petista. O MTE criou um canal de denúncias específico para receber denúncias de discriminação por conta do posicionamento político ou voto.
Também iniciou uma campanha para incentivar a denúncia de situações de coação, ameaça ou discriminação no ambiente profissional. A pasta passou a orientar usuários por meio de notificações no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. O governo avalia, ainda, a criação de uma “lista suja” para empregadores envolvidos com irregularidades.
Segundo o Ministério Público do Trabalho, foram registradas cerca de 2,3 mil denúncias de assédio eleitoral apenas em outubro. O órgão acionou a Meta, dona do Instagram, Facebook e WhatsApp pedindo a retirada do ar de conteúdos que estimulem a demissão de funcionários. Nessa quinta, a Justiça do Trabalho determinou à empresa a derrubada de publicações nesse teor em um prazo de até 24 horas.
Violência
O governo também adotou medidas para conter a onda de violência contra apoiadores de Lula após o pleito. Segundo dados divulgados, foram contabilizados 45 crimes relacionados à eleição, entre sábado (24/10) e quarta-feira (28/10), com um total de 47 vítimas. Dez delas morreram. Entre as ocorrências, estão casos de ameaça, intimidação e agressão.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) acionou as corregedorias de polícias estaduais e do Distrito Federal para apurar episódios envolvendo agentes de segurança.
Há também relatos de violência contra povos indígenas. Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), foram levantados mais de 30 casos relacionados ao processo eleitoral em 2026.
“Em Mato Grosso do Sul, comunidades Guarani Kaiowá denunciam o agravamento da violência após o segundo turno das eleições, com relatos de assassinatos, atropelamentos, ataques e ameaças de envenenamento das fontes de água utilizadas pelas famílias indígenas”, denuncia a entidade.
O Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar o caso. As pastas dos Direitos Humanos e Cidadania, e Igualdade Racial trabalham em força-tarefa para cobrar a investigação das denúncias contra indígenas, quilombolas e outros grupos.
“Os relatos são extremamente preocupantes, uma vez que apontam para possíveis ameaças à vida, à segurança e à integridade física dos indígenas, além de possíveis manifestações de discriminação e incitação ao ódio contra os povos indígenas”, diz o MPI, em nota.
Fonte: Metrópoles
Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por Metrópoles.

